Economia Otelo de Carvalho volta a defender actuação das forças armadas em nome do povo

Otelo de Carvalho volta a defender actuação das forças armadas em nome do povo

O coronel Otelo Saraiva de Carvalho afirmou na quarta-feira, em Coimbra, que só as Forças Armadas, em nome do povo, poderão resolver o problema da perda de soberania de Portugal, como a que actualmente se verifica, derrubando o Governo.
Lusa 15 de março de 2012 às 07:44
Ao proferir hoje uma palestra no Instituto de Contabilidade e Administração de Coimbra (ISCAC) sobre "As Forças Armadas na Defesa da República e da Democracia Portuguesa", disse que àqueles que reclamam um novo 25 de Abril responde "sem dúvida que era necessário". Para o "Capitão de Abril", tal como o que se passava com o governo socialista liderado por José Sócrates, com actual executivo "há esta submissão grande em relação à grande potência actual da Europa que é a Alemanha", com "uma perda de alta soberania" de Portugal.

"Esta perda de soberania é tão marcante que, foi por isso que eu disse, estão a ser atingidos limites. Quando esses limites forem ultrapassados... E aqui, nesta ligação constitucional das Forças Armadas ao povo, com as Forças Armadas ao lado do povo, em defesa do povo português, aí de facto as Forças Armadas terão que actuar", sustentou.

Para Otelo Saraiva de Carvalho essa actuação das Forças Armadas passaria por "uma operação militar que derrube o Governo que está" em funções.

"Mesmo apesar de eu saber que o Governo foi eleito. Mas foi eleito em que condições? E actualmente há satisfação dos portugueses em relação ao poder que foi eleito? E se houver outras eleições haverá satisfação? Não!", responde aquele que foi um dos protagonistas da revolução democrática do 25 de Abril, em 1974,

No seu entendimento, "quando há perda de soberania, perda de independência nacional, as Forças Armadas têm de actuar".

No início de Janeiro, o Ministério Público abriu um inquérito relacionado com declarações de Otelo Saraiva de Carvalho, que, numa entrevista à agência Lusa publicada em Novembro, falou na possibilidade de haver um golpe militar, caso fossem "ultrapassados os limites".

Na intervenção de hoje em Coimbra, Otelo Saraiva de Carvalho considerou também que a "esperança que o 25 de Abril abriu está a morrer e está a ser passada de [certa] forma uma certidão de óbito total" àquilo que representou a revolução.

"Há uma infracção permanente às disposições constitucionais por parte dos sucessivos governos e, sobretudo, que vão atingir os direitos sociais dos trabalhadores", acrescenta.

Para Otelo Saraiva de Carvalho, o que se está a passar é mais uma consequência da falta de audácia do Movimento das Forças Armadas (MFA) no período revolucionário.

"Nós, MFA, tínhamos o poder na mão, de nos afirmarmos como um país soberano, como um exemplo dado ao mundo, notável, que foi a descolonização, sem ponta de neocolonialismo nosso, no estabelecimento de relações fraternas", acentuou.

Este coronel na reserva considerou a Islândia "um caso notável" de reacção popular recente.

"O povo prendeu os políticos, prendeu os banqueiros, disse que não pagava dívida nenhuma, que a culpa não era do povo, e com o poder popular emergente elegeram uma comissão para elaborar uma nova Constituição", concluiu.


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mais votado zé povinho 15.03.2012

Assusta-me ouvir falar num Golpe de Estado mas, esta coisa em que vivemos de Democracia e de Estado de Direito não tem nada. O que por cá abunda é a ruina social, a desgraça da classe média e os ricos cada vez mais ricos. Claro que apoiava alguma coisa que trouxesse ao país JUSTIÇA própria de um Estado de Direito e políticas onde se mexesse verdadeiramente nos chulos deste país que contimuam a encher a mula para desgraça da maioria. Temos medo é ? E vão continuar a ir-nos o pacote até quando ? A vida dos nossos filhos e netos já era quanto mais a nossa. Asco de gente que nos governou desde 74.

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Luis 15.03.2012

Em 31 de dezembro o desemprego vai atingir 20%...a economia vai cair 4,5%...as reformas estruturais não se fazem devido aos lobbys fortes...os mamões continuam a mamar...as reformas deveriam ter teto de 2500 euros...a CGA está quase a rebentar...enfim é o pais desgovernado que temos de politicos burros...venha outra ditadura pois isto não é DEMOCRACIA.
Em 31 de dezembro o desemprego vai atingir 20%...a economia vai cair 4,5%...as reformas estruturais não se fazem devido aos lobbys fortes...os mamões continuam a mamar...as reformas deveriam ter teto de 2500 euros...a CGA está quase a rebentar...enfim é o pais desgovernado que temos de politicos burros...venha outra ditadura pois isto não é DEMOCRACIA...derrubem estes bandalhos, se não foresm as Forças Armadas que sejam as Policias.

Anónimo 15.03.2012

Como eatá o País tem de haver uma reviravolta não se pode esperar mais tempo.O País está a morrer tem levar um choque,já devia ter levado.Não há dinheiro mas todos dias á nomeaçoes com altos salários.Sr.PM trabalhe com a prata da casa.O sr. MF só pensa em cortes nada de ecónomia.Não tem uma palavra de insentivo para os contruintes, onde é que o sr. PM foi desencantar este indiduo,só sabe fazer vénias com pessoas assim o País não vai para a frente.Falta o CHOQUE.Ponto final

Fernando Atento 15.03.2012

Cada vez que ouço as notícias vem-me à memória a canção do Zeca : ELES COMEM TUDO E NÃO DEIXAM NADA ... SE ALGUÉM SE ENGANA COM SEU AR SISUDO ... VÊM EM BANDOS ... SUGAR O SANGUE FRESCO DA MANADA !
Consegue alguém lembrar-se de uma canção mais actual ?!

Anónimo 15.03.2012

temos de dar razão a este homem. Aquilo que parecia aventureirismo há pouco tempo, torna-se cada vez mais a única hipótese de sobrevivermos não só como POVO mas simplesmente como PESSOAS. Trata-se tão só de não morrermos à fome, no meio da rua. Estes CALACEIROS ( os políticos e os banqueiros ) foram os responsáveis pela crise e vão acabar por beneficiar com ela. Porque diariamente vemos os grupos económicos e financeiros a serem poupados ou mesmo beneficiados com negociatas que os contribuintes têm de pagar ( tenham ou não emprego, sob pena de ficarem sem casa, sem ordenado, sem comida para a família. UMA INIQUIDADE ! UMA IMORALIDADE! O capitalismo selvagem não é nos EUA - é cá!

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