Mundo Papa apela à paz na Síria, onde reina o "horror e a morte", do dia seguinte ao ataque que matou 68 crianças

Papa apela à paz na Síria, onde reina o "horror e a morte", do dia seguinte ao ataque que matou 68 crianças

O papa Francisco apelou este domingo de Páscoa, 16 de Abril, no Vaticano, à paz na Síria, um país onde a guerra semeia "horror e morte", e considerou um "ataque ignóbil" o perpetrado no sábado contra civis e que, segundo uma ONG, matou pelo menos 126 pessoas, entre elas 68 crianças.
Papa apela à paz na Síria, onde reina o "horror e a morte", do dia seguinte ao ataque que matou 68 crianças
Reuters
Lusa 16 de abril de 2017 às 15:34
Perante 60 mil fiéis reunidos na praça de São Pedro, para a mensagem de Páscoa que precedeu a bênção "Urbi et Orbi", o papa argentino pediu a Deus que traga "paz a todo o Médio Oriente" e que ajude aqueles que trabalham para "levar alívio e confortar a população civil na Síria", vítima de uma guerra que "não para de semear horror e morte".

Jorge Mario Bergoglio falou especificamente do atentado de sábado, que considerou "ignóbil". O atentado traduziu-se na explosão de uma camioneta armadilhada, junto a autocarros que retiravam civis e combatentes de Alepo, causando 126 mortos, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, que adiantou já este domingo que se encontravam pelo menos 68 crianças entre os mortos. A maioria (109) eram habitantes de Foua e Kafraya, duas localidades controladas pelo regime que estavam cercadas pelos rebeldes, e os restantes rebeldes e pessoal humanitário, precisou. O ataque não foi reivindicado até ao momento.

O líder católico pediu a Deus, durante a cerimónia transmitida por mais de 160 canais de televisão de todo o mundo, que "dê aos responsáveis das nações a coragem para evitar a expansão dos conflitos e de parar o tráfico de armas", e recordou a todos os cristãos que "Cristo Ressuscitado" é "companheiro de todos aqueles que são forçados a deixar as suas terras por causa de conflitos armados, ataques terroristas, fomes, regimes opressivos".

O papa referiu-se a várias regiões em conflito, "a começar pela Terra Santa, mas também Iraque, Iémen", e recordou ainda "Sudão do Sul, Somália e República Democrática do Congo, que padecem de conflitos sem fim, agravados pela terrível fome que castiga algumas regiões de África".

Também desejou "que Jesus Ressuscitado apoie os esforços daqueles que, especialmente na América Latina, estão comprometidos com o bem comum da sociedade, tantas vezes marcado por tensões políticas e sociais, que em alguns casos são reprimidas com violência", e falou ainda da Ucrânia, "atingida por um conflito sangrento", pedindo que volte "a encontrar harmonia".

Francisco referiu-se igualmente à Europa, pedindo que tenham esperança "todos os que atravessam momentos de dificuldades, especialmente pela grande falta de trabalho, sobretudo os jovens".

Assegurou que Jesus ressuscitado cuida daqueles que são explorados, dos que são violentados mesmo dentro de sua casa, por exemplo através da violência sexista, e que é "companheiro de viagem daqueles que são forçados a deixar a sua terra".

O papa assegurou que Jesus cuida daqueles que são vítimas de velhas e novas formas de escravidão e das "crianças e adolescentes que são privados de sua serenidade e explorados".

Antes da bênção "Urbi et Orbi", com que o papa se dirige ao público desde a varanda central da Basílica de São Pedro, Francisco tinha celebrado a tradicional missa da Páscoa para os fiéis reunidos na Basílica de São Pedro.

As celebrações da Páscoa começaram na quinta-feira com uma missa e a cerimónia de lava-pés pelo papa, sob elevadas medidas de segurança, após uma série de ataques terroristas na Europa e os recentes atentados perpetrados contra igrejas de cristãos coptas no Egipto.

Hoje, em redor da Basílica de São Pedro, havia vários pontos de acesso à praça com forças de segurança e polícias que verificavam os sacos que os fiéis levavam consigo.

Durante a missa de Páscoa, a principal festividade do calendário cristão, que celebra a ressurreição de Jesus Cristo, o filho de Deus, o papa reconheceu, numa homilia improvisada, a dificuldade de associar Deus e sofrimento.

Contou que no sábado telefonou a um homem jovem com uma doença grave para lhe dar a mensagem de esperança de "Jesus ressuscitado".

"Não há explicação para o que lhe aconteceu, mas olhe para Jesus na cruz, Deus fez isso a seu filho", disse o papa, ao que o jovem lhe terá respondido que Deus questionou o seu filho e ele "disse que sim".

"A mim não foi perguntado se eu queria", acrescentou o jovem, citado pelo papa.

Com a missa da Páscoa e a bênção "Urbi et Orbi" (benção à cidade e ao mundo, que dá o perdão dos pecados a todos os fiéis que a recebam por diferentes meios de comunicação), terminam os ritos da Semana Santa.



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comentários mais recentes
O mundo anda ao contrário Há 1 semana

Hipocrisia do ocidente, cortem o financiamento, que os terroristas mercenários acabam.

eleitor Há 1 semana

"COMO UM RITUAL" . Desde que o Mundo é Mundo , a Historia da (humanidade) , "cada vez mais desumanizada" , parece fazer parte do nosso património genético animalesco . Mata-se , esfola-se , escraviza-se , insidiosamente reduz-se a fome etnias inteiras , somos mesmo aquilo que somos , uns predadores

Conselheiro de Trump Há 1 semana

O papa faz-me lembrar aquel padre que se recusou a funerelar um morto so porque o morto nao lhe pagou as (des)obrigacoes.Afinal onde podemos encontrar a parte sensivel do padre.Podia ter vendido o morto para alheiras e dai ja retirava o que o morto nao lhe pagou.Tudo trabalha para o fim deste clero.

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