Política Passos acusa Governo de "dissimulação e intolerância"

Passos acusa Governo de "dissimulação e intolerância"

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, acusou este domingo, 3 de Setembro, o Governo e a actual maioria de dissimulação e intolerância para quem pensa de forma diferente, questionando se os sociais-democratas não têm direito a expressar a sua opinião.
Passos acusa Governo de "dissimulação e intolerância"
Luís Costa/Correio da Manhã
Lusa 03 de setembro de 2017 às 15:26
"Não respeitamos a dissimulação em política e por isso denunciamos [...], não aceitaremos um ambiente de intolerância em que só se discute o futuro segundo a perspectiva do pensamento dominante e em que quem não pensa como quem está no Governo não é bom português, é racista, é xenófobo ou é outra coisa qualquer", criticou Passos Coelho, na intervenção de encerramento na Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide (Portalegre).

Nos últimos tempos, quer a propósito de declarações polémicas do candidato do PSD à Câmara de Loures, André Ventura, quer quanto à intervenção do líder do PSD no Pontal - que criticou alterações à lei da imigração -, o PS e o BE já fizeram acusações de racismo e xenofobia ao discurso de Passos Coelho.

Numa intervenção de 50 minutos, Passos Coelho nunca se referiu às eleições autárquicas, que se disputam a 1 de Outubro, e voltou a defender as intervenções do ex-Presidente da República Cavaco Silva e do eurodeputado do PSD Paulo Rangel na Universidade de Verão, que mereceram reacções críticas da esquerda.

"O dr. Cavaco Silva não tem direito a exprimir a sua opinião? Se o fizer tem logo de ser o ressabiado, que precisa de palco?", criticou, depois de o primeiro-ministro, António Costa, ter dito que o antigo chefe de Estado "tinha saudades de palco".

Passos Coelho lamentou que as críticas - quer a Cavaco Silva, quer a Rangel - tenham procurado "desqualificar a pessoa, como se não tivesse direito à opinião, ainda por cima fundamentada".

"Não temos direito a ter a nossa opinião?", questionou.

Para Passos Coelho, o actual Governo "só tem uma preocupação": "Poder apresentar as suas escolhas de forma tão dissimulada que quando tiverem de ser confrontados em eleições se possa diabolizar a oposição e se possa vender um benefício muito relativo do exercício do poder".

"Nós, no Governo ou na oposição, mantemos o nosso foco na esfera de médio ou longo prazo [...]. Deixamos essa espuma dos dias para a geringonça", afirmou.

Passos Coelho apontou o caso da fábrica de automóveis Autoeuropa como um exemplo dessa "espuma dos dias", referindo-se a declarações de sábado da secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, e do líder comunista Jerónimo de Sousa.

"O que se observa na Autoeuropa hoje, e cito, é uma partidarização do conflito laboral, coisa que outra personalidade da 'geringonça' considera ser uma crítica estúpida. Um diz que há e outro diz que não há", apontou, vaticinando que este tipo de contradições se "tornarão mais evidentes" nos dois anos que faltam para terminar a legislatura.

No entanto, Passos considerou que o actual Governo tinha "condições muito particulares" para levar a cabo "uma acção reformista a pensar no futuro".

"O Governo não se pode queixar de falta de estabilidade política [...], não se pode queixar da falta de cooperação do Presidente da República - tem sido permanente e efectiva -, não se pode queixar de intolerância de Bruxelas e conta também com uma enorme tolerância de vários parceiros na sociedade civil, uns porque têm medo de se opor e outros porque acreditam no que o Governo está a fazer", disse.

"São tantas as condições boas para que o Governo possa preparar alguma coisa com sentido de Estado e de futuro que é legítima a pergunta: porque não o faz?", questionou.

O líder do PSD defendeu que o caminho do partido, no Governo ou na oposição, é o que permita que o país possa viver "com menos solavancos externos", salientando que Portugal foi o único país a recorrer três vezes à ajuda externa em poucas décadas.

No final do seu discurso, Passos pediu "uma análise imparcial e isenta" da acção quer do Governo, quer da oposição, num 'recado' dirigido aparentemente à comunicação social e comentadores.

"Isto é um desafio para todos, cá dentro e fora do partido", disse.



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comentários mais recentes
O maior apoiante da GERINGONÇA é esta direi-talha 04.09.2017

Noz do povo não gostamos de mentirosos e trapaceiros e ladrões da direi-talha,e ainda acusam os sérios a que são os ladrões,Hipócrates saloios,foram corridos e agora são mais corridos, temos que separar o trigo do joio.

Esta gente não tem espelho,o povo é sábio 04.09.2017

Passos acusa te a ti próprio o povo foi sábio correu contigo e não se enganou foi bem corrido,vou votar geringonça são sérios.foi uma dádiva de Deus para portugal.ex.votante do PSD passos com meu voto não mama mais.

Mr.Tuga 04.09.2017

Certeiro!

pertinaz 04.09.2017

CARREGA PASSOS... TENS SIDO DEMASIADO GENTIL COM A ESCUMALHA...!!!

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