Política Passos Coelho acusa Governo de estar a viver da "herança" e de não se esforçar

Passos Coelho acusa Governo de estar a viver da "herança" e de não se esforçar

O presidente do PSD disse hoje, em Santarém, que não se conhece nenhuma "reforma importante", nenhum esforço "para ir mais longe" do actual Governo, que acusou de estar a viver da "herança do passado".
Passos Coelho acusa Governo de estar a viver da "herança" e de não se esforçar
Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 11 de junho de 2017 às 22:52
"Quem não se esforça para ir mais longe não chega lá. Pode viver de heranças, mas as heranças acabam, esgotam-se. Gostava de ouvir o Governo dizer uma coisinha, pouca que fosse, sobre o muito que tem de fazer se queremos ser ambiciosos", afirmou o líder social-democrata.

Falando no encerramento da convenção autárquica do PSD do distrito de Santarém, Pedro Passos Coelho lamentou que o Governo socialista tenha "desperdiçado" todo o trabalho feito em matéria de descentralização de competências e que, só em vésperas das eleições autárquicas, tenha "sinalizado uma vontade genérica" com um "projecto de intenções" que, na generalidade, "são uma decepção", pois só quer transferir responsabilidades para os municípios sem dizer que meios vai disponibilizar.

Dirigindo-se aos autarcas e aos candidatos do partido às eleições de 1 de Outubro, Passos Coelho afirmou que hoje, "felizmente, o país pode crescer" porque o seu Governo fez "o que era preciso" e também "porque a Europa está a crescer mais" e porque o turismo "está em alta".

"Agora que percebemos que o país pode mais, é preciso fazer alguma coisa para que isto dure, temos de fazer mais e melhor", disse, acusando os membros do actual Governo de andarem "de um lado para o outro" em "campanha e propaganda por todo o lado", sem que se conheça "nem uma" reforma importante "a olhar para o futuro".

O líder social-democrata exortou o Governo socialista a ser, "pelo menos, coerente" com a promessa de uma "política diferente", que permitiria devolver rendimentos e baixar impostos e, ao mesmo tempo, reduzir o défice, "sem outros sacrifícios".

"Hoje sabemos qual é essa política diferente", disse, afirmando que ela representou "um corte de quase um ponto percentual do investimento público" em educação, saúde, "infraestruturas importantes que estavam programadas" e dentro da própria administração.

Passos Coelho acusou ainda o Governo de "nem sequer ter a coragem de assumir" os cortes que faz, apontando o "raspanete público" passado pelo ministro da Saúde aos responsáveis dos centros de saúde, de "que não pagavam a horas e estavam a aumentar os atrasados", pondo em risco os fornecimentos aos serviços de saúde.

"É preciso ter lata. Ele não lhes dá o dinheiro e depois reúne-os a todos e passa-lhes um correctivo 'então os senhores não pagam?'", declarou.

"Ao menos podiam dizer 'vamos cortar porque não temos dinheiro'. É o que se passa, é que não têm dinheiro e, por isso, vão ter de reduzir os serviços", afirmou, sublinhando que "não foi para isso que se fizeram sacrifícios durante tantos anos".

"Não foi para gerir o país nos próximos anos como se estivéssemos em emergência financeira, porque nós não estamos em emergência financeira e não é preciso, fora de um quadro de emergência, actuar desta maneira", disse, assegurando que "esse problema" ficou resolvido pelo seu Governo.

Afirmando que, em 2015, a economia estava em recuperação, Passos Coelho explicou o abrandamento em 2016 com estar "tudo à espera de ver o que dava" um Governo suportado pelos partidos à esquerda e a perspectiva de se cumprirem as metas este ano com o ter-se percebido que Bloco de Esquerda e PCP "afinal estão no bolso do Governo", aceitando agora "a troco de muito pouco" o que antes contestavam.

"Trabalhámos muito para que o país pudesse crescer como está a crescer", disse, afirmando que, se o seu Governo tivesse feito "um caminho à Siriza", o país estaria agora a aprovar pacotes de austeridade como acontece com a Grécia, num momento em que a Europa "só fala de crescimento e não quer falar de austeridade".

"Que pena que não exista uma missão da 'geringonça' a Atenas para explicar àquela gente que têm outras escolhas e podem fazer doutra maneira - mandar a troika embora, investirem, repor os salários, apostarem no crescimento. Porque é que a Grécia não aposta no crescimento? Deviam ir lá vender essa teoria para ver se alguém engolia essa conversa fiada", disse.



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mais votado Anónimo 12.06.2017

Os ofertantes de factor produtivo trabalho no mercado laboral devem perceber que quando não existe procura para o tipo de trabalho que têm para oferecer ou quando a oferta desse tipo de trabalho se expande pressionando o preço de mercado para baixo, o Estado, a economia e sociedade não têm a obrigação de se deixarem pilhar para lhes oferecer um tão generoso quanto irrealista nível de vida ambicionado, baseado em expectativas exageradas e fantasiosas. Em alternativa, esses ofertantes até ai tomados por um falso sentido de auto-elegibilidade que o respectivo sindicato ou ego corrompido lhes incute, devem estar dispostos a oferecer trabalho com real procura mesmo que o seu preço de mercado esteja abaixo das suas expectativas pessoais e a criar propriedade intelectual, a empreender ou investir obtendo por essas vias royalties, lucros, mais-valias, dividendos, rendas e juros.

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antonio 12.06.2017

A dor de corno é tramada não há dúvida e este Coelho é um exemplar de 1ª categoria grande c......

SÍTIO MUITO MANHOSO 12.06.2017


... Este gatuno é um génio !

Anónimo 12.06.2017

A boa gestão de recursos humanos num mercado laboral flexível e sempre em mudança, como é norma em todos e quaisquer mercados, é o segredo para a riqueza das nações. "The East Chicago School Board voted to cut 112 employees from its payroll on Monday. The decision on layoffs, which came on a unanimous voice vote, will include teachers at Central High School, Block Middle School, Carrie Gosch Elementary, Harrison Elementary, Lincoln Elementary and Washington Elementary schools, according to the meeting's personnel report." www.chicagotribune.com/suburbs/post-tribune/news/ct-ptb-ec-budget-cuts-june5-0606-20170606-story.html

Anónimo 12.06.2017

Eu n entendo este comentário? Herança do passado? Se lá continuassem já teriam vendido tudo. PQ deu t barulho a CGD? De certeza q já estava t resolvido p q fosse privatizada. Era assim u governo q só sabia destruir e n construir. Como faziam era fácil. A seguir arranjavam b tachos e o povo ia pedir

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