Política Passos Coelho: “Tenho muito orgulho no trabalho que estou a fazer”

Passos Coelho: “Tenho muito orgulho no trabalho que estou a fazer”

O primeiro-ministro diz não ter “medo do julgamento” e salienta ter muito orgulho no trabalho que estou a fazer com uma equipa que pôs o interesse do país à frente do seu”. “Nós vamos recuperar a nossa autonomia”, afirmou Passos Coelho que deixou críticas aos Governos anteriores.
Passos Coelho: “Tenho muito orgulho no trabalho que estou a fazer”
Bruno Simão/Negócios
Sara Antunes 05 de junho de 2013 às 20:49

“Não tenho medo do resultado das autárquicas, nem das europeias, não tenho medo dos portugueses nem do seu julgamento. Tenho muito orgulho no trabalho que estou a fazer com uma equipa que pôs o interesse do país à frente dos seus” interesses, admitindo que nem sempre terão conseguido fazer “tudo bem”.

 

O primeiro-ministro fez um balanço dos dois anos de Governo, tendo recuperado o que antecedeu às eleições que o elegeram. “Verdade ocultada”, uma ruptura que não foi comunicada ao país e um resgate que já tinha começado antes de ter sido pedido. Estas são algumas das críticas deixadas por Passos Coelho, durante uma intervenção na cerimónia de candidatura de Carlos Silva à Câmara Municipal da Amadora.

 

O responsável considera que o pedido de ajuda efectuado pelo Executivo de José Sócrates “já foi tarde”, considerando que o facto do Banco Central Europeu (BCE) ter comprado dívida pública no mercado secundário para financiar o Estado foi uma antecipação da ajuda financeira. “. O nosso resgate já tinha começado muito antes” do Governo o ter pedido. E acrescentou: “Quando o Governo apareceu com o PECIV já era um nado morto. Estávamos em ruptura.”

 

“Há dois anos o país estava à beira do precipício. E as pessoas sabiam que não queriam cair nesse precipício, que não queriam mais caminhar por aquele caminho, porque percebiam que sem financiamento só podíamos ter crise e desemprego. Fomos eleitos para cumprir programa de assistência. É o que estamos a fazer.”

 

“Digo com humildade: tivemos várias surpresas pelo caminho, tivemos de adoptar medidas que não achámos que tínhamos” de fazer, “enfrentámos dificuldade, mas nunca deixámos de pôr o interesse do país à frente” de tudo o resto. “Mas de dois terços do ajustamento que o país precisava de fazer está feito”, realçou.

 

“Sabemos quais são as consequências que os processos de ajustamento têm, e eu não tenho medo de os verbalizar”, rejeitando “pintar as coisas de cor-de-rosa para disfarçar realidade.”

 

Passos Coelho realçou que sabe “quais são as consequências do excesso de endividamento” e sabe o que “é não ter uma perspectiva no médio prazo… é uma tragédia”, mas depois do ajuste que tem sido feito na economia, “Portugal e os portugueses são vistos como gente trabalhadora, cumpridora e honrada que quer vencer e vai vencer as adversidades.”

 

A culpa é da Europa que nos deixou “fazer tantos disparates”

 

O primeiro-ministro salientou que a situação em que o país se encontra tem origem em decisões internas. E ainda que se possa dizer que a Europa também é responsável, no máximo, diz, a culpa europeia é a de ter deixado que em Portugal se fizessem “tantos disparates.”

 

“Ninguém fora de Portugal tem dúvidas de que vamos conseguir. E não precisamos de andar sempre a culpar toda a agente. Sabemos que há responsabilidades a distribuir”, quer a nível nacional como internacional, mas a verdade, diz é que “o mais que conseguimos dizer” sobre a Europa “é : a culpa é vossa, que nos deixaram fazer tantos disparates.”

 

“Temos de ser gente adulta que aprende com os seus erros e não tenho dúvida que os portugueses aprenderam com os erros dos seus dirigentes durante muitos anos”, afirmou.

 

“Nunca me ouvirão dizer que é fácil. É um caminho difícil e estreito. Mas vale a pena percorrê-lo porque é do nosso futuro que estamos a falar.”

 

“Vamos resgatar a nossa autonomia”

 

O primeiro-ministro deixou ainda uma mensagem de confiança em relação ao futuro do país, defendendo que é tempo de enfrentar os problemas e apostas num investimento “bom” e que garanta que o “nosso futuro é mais próspero”.

 

“Estamos a um ano de fechar o que prometemos aos portugueses”, que é o fim do programa de ajustamento. “Vamos resgatar a nossa autonomia. Recuperaremos o nosso papel próprio, passaremos a ter escolhas próprias sem ter de prestar contas a cada três meses.”

 

“Nós vamos recuperar a nossa autonomia”, sublinhou, acrescentando saber que “não é um passo de mágica que resolve os problemas todos que temos.”

 

Passos Coelho reiterou a ideia que já tinha defendido: “Não podemos voltar ao procedimento que existia antes”, de gastar mais do que se tem. “Esta é a melhor forma de falarmos dois anos depois das eleições”

 

“Não dizemos que vamos ter o paraíso na terra. A recuperação será lenta, será preciso muito esforço e muita dedicação. Mas não tenham dúvidas: vamos ter um fim e começar a recuperar.”

 

“Sei que a um ano do fim do programa os portugueses gostariam que o nosso caminho não tivesse tido tanta exigência. Mas as coisas são como são.”

 

“Dinheiro foi mal gasto” nos anos que antecederam a crise

 

Passos Coelho deixou ainda críticas aos Governos anteriores, questionando o que se fez com o financiamento que “chegou e sobrou” num período de quase 10 anos.

 

“Temos dificuldade em aceder a financiamento, mas durante quase 10 anos tivemos acesso que chegue e sobre. Porque não crescemos? Porque é que os défices não baixaram? Porque o dinheiro foi mal gasto. Ninguém quis fazer contas”, acusa o líder do Executivo.

 

(Notícia actualizada às 21h25 com mais declarações)


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mais votado Samuel 05.06.2013

Orgulho com o número de famílias colocadas na miséria? No aumento do desemprego, no incontável número de falências, com o ataque à saúde e à educação?? O homem está demente ou tem um comportamento desviante, o cérebro desta figurinha ficou afectado para o resto da vida ( porra quem se mete nas drogas lixa-se), mas que culpa temos nós dos erros dos outros. Vai-te tratar e bem longe daqui.

comentários mais recentes
Jonas 08.06.2013

Hitler e Estaline, se lhes perguntassem, também diriam que estavam orgulhosos do trabalho que estavam a fazer...

AFASTA 07.06.2013

PARA QUEM NÃO TEM VERGONHA NÃO É DE ESTRANHAR.

Anónimo 07.06.2013

Se à 70 anos perguntassem a Adolf Hitler se estava orgulhoso pelo que estava a fazer (pôr a Europa a ferro-e-fogo) ele diria que sim. Passos Coelho tem o mesmo "programa": Pôr Portugal a ferro-e-fogo (desemprego e fome)

Manuel Rocha 06.06.2013

Este 1º ministro é um irresponsável.

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