Economia Passos criou "130 mil empregos"? Sim, mas antes destruiu 420 mil

Passos criou "130 mil empregos"? Sim, mas antes destruiu 420 mil

Passos Coelho tem razão quando diz que foram criados perto de 130 mil empregos. Porém, o primeiro-ministro não referiu que, antes dessa recuperação e durante o seu mandato, foram destruídos mais de 400 mil postos de trabalho.
Passos criou "130 mil empregos"? Sim, mas antes destruiu 420 mil
Reuters
Nuno Aguiar 06 de maio de 2015 às 20:28

O primeiro-ministro decidiu puxar pelos galões. Durante uma das suas intervenções no debate quinzetal de quarta-feira, 6 de Maio, Pedro Passos Coelho lembrou que o seu Governo foi responsável pela criação de quase 130 mil postos de trabalho, comparando esse número com uma promessa antiga, nunca cumprida, de José Sócrates (criação de 150 mil empregos).

 

Na realidade, até agora, o saldo deste Executivo no capítulo do emprego é muito negativo, com a destruição de 300 mil empregos.


"O número de empregos criados entretanto é já bastante sensível, anda muito próximo dos 130 mil postos de trabalho criados nos últimos oito trimestres", afirmou Passos Coelho, comparando o seu feito com um compromisso do seu antecessor.

 

"Não sei se se recordam de uma antiga promessa eleitoral de criação de 150 mil postos de trabalho. Houve, na altura, uma promessa que comprometia a criação de 150 mil postos de trabalho."


Vamos por partes. Em primeiro lugar, nos últimos oito trimestres houve, de facto, criação de emprego. Não 130 mil como diz o primeiro-ministro, mas não muito longe: foram 123 mil, segundo o INE).

 

Mas essa não é a principal imprecisão dessas declarações. É que Passos Coelho não refere que antes desses oito trimestres de recuperação do mercado de trabalho há outros oito com sucessivas destruições de emprego.

 

Entre o primeiro trimestre de 2011 e o primeiro trimestre de 2013, 420 mil pessoas deixaram de trabalhar.  O que significa que os 123 mil empregos criados são menos de um terço dos destruídos no período anterior. Um saldo negativo de 298 mil.


Se quisermos ser ainda mais rigorosos com a data de início do mandato do actual do Governo, pode ser utilizado como ponto de partida o segundo trimestre de 2011, o último em que Passos Coelho não governou. Nesse caso, a destruição de emprego é ainda maior: menos 445 mil empregos nos dois anos seguintes.


José Sócrates – chamado ao debate pelo actual primeiro-ministro – também não tem um registo positivo no capítulo do emprego, com o desaparecimento de 230 mil postos de trabalho durante os seis anos em que governou o País(entre o primeiro trimestre de 2005 e o segundo trimestre de 2011, período em que houve duas quebras de séries do INE). Ainda assim, números menos negativos do que os do actual Governo (298 mil empregos). 




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mais votado Anónimo 06.05.2015

Daniel Almeida Santos @ Facebook o emigrante analfabeto do «vosses» e «voçe» «peneu» não pode chamar burro a ninguém a não ser a ele próprio.

comentários mais recentes
Anónimo 06.08.2015

Criou muito mais: O s piegas emigraram e os comodistas foram para casa...
sobram os malvados que nem emigraram nem têm casa

O básico da pirâmide das necessidades 07.05.2015

Imprescindivel é não faltar alimentação a cada cidadão baseada ao menos em produtos regionais/locais muito acessíveis, como desde sempre foi. O resto da piramide das necessidades que seja com as regras da especulação e do marketing agressivo, já que é para quem pode.

jolcosta 07.05.2015

Que o 'artista 44' destruiu, com o acordo de resgate a que conduziu o país e se viu obrigado a assinar, cerca de 400 mil postos de trabalho, sim, é verdade! Resta acrescentar que o mesmo artista (sem austeridade) já havia destruído 230 mil. 'Palavras para quê?' É um artista do PS...

Anónimo 07.05.2015

A alocação de mais factor trabalho não é nem poderá nunca num mundo globalizado e tecnologicamente muito avançado, ser um fim em si mesmo. É uma falácia julgar que um sustentável e profícuo desenvolvimento económico, social e tecnológico se fará preservando trabalho que representa um enorme custo de oportunidade para a maximização daquelas três dimensões. A flexibilização do mercado e regras laborais é uma condição imprescindível para que as remunerações do factor trabalho que tem procura (alocado em determinada quantidade numa combinação variável com o factor capital e o factor recursos), é realmente pertinente, útil, justificável e insubstituível, se possam elevar. É também condição imprescindível, para que os preços de mercado de todos os bens e serviços oferecidos numa economia se possam reduzir, elevando assim o chamado excedente do consumidor e, no médio e longo prazo, sem diminuir necessariamente o excedente do produtor, graças ao avanço tecnológico e à globalização com comércio livre, tornando o agente económico que é consumidor mais propenso a consumir bens e serviços com utilidade que satisfaçam as suas necessidades e o agente económico que é produtor a investir em mais inovação, investigação e desenvolvimento de novos produtos. É também condição imprescindível para tornar o sistema de prestações sociais sustentável, garantindo um mínimo de dignidade a cada cidadão, seja ele idoso, doente, inválido, inactivo, desempregado ou excedentário, incluindo os que não se encontram ainda em mobilidade ou requalificação. É ainda condição imprescindível para que o retorno sobre o investimento (ROI) do capital seja maior, tornando o agente económico que é investidor ou accionista (incluindo o Estado enquanto Venture Capitalist em startups, detentor de Fundos de Riqueza Soberanos e dono e gestor de bancos como os de fomento ou desenvolvimento) mais propenso a investir em ideias, iniciativas, negócios e empreendimentos inovadores ou revolucionários que aumentam e melhoram a oferta de bens e serviços que os consumidores consomem para satisfazer as suas necessidades. Keynes, cuja linha de pensamento económico inspirou uma famosa anedota sobre o Estado decretar a abertura de buracos nas ruas e estradas de uma economia para que outros trabalhadores ao seu serviço os tapassem logo em seguida, esqueceu-se disto. Marx, que sabia disto tudo, optou por enveredar pelo caminho da destruição ou limitação da inovação criadora e da glorificação da irracionalidade económica associada ao boicote dos mais elementares princípios da boa gestão das organizações, que na sua evolução histórica tem hoje como seu corolário lógico o conceito lean, querendo à viva força preservar a utilização de todo o factor trabalho disponível na economia mesmo que essa fosse a solução menos eficiente e menos sustentável, que acabaria sempre por criar pobreza e atraso, desacelerando o desenvolvimento da economia, da sociedade e da tecnologia que em tanto as pode beneficiar.

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