Impostos PCP admite compromisso do Governo para aumentar IRC a empresas com lucros acima dos 35 milhões

PCP admite compromisso do Governo para aumentar IRC a empresas com lucros acima dos 35 milhões

O líder do PCP reclamou hoje "um avanço" no "plano do compromisso" do Governo em aceitar, no Orçamento do Estado de 2018, o aumento do IRC para empresas com lucros superiores a 35 milhões de euros.
PCP admite compromisso do Governo para aumentar IRC a empresas com lucros acima dos 35 milhões
Pedro Elias
Lusa 09 de novembro de 2017 às 14:47

"Podemos dizer que há um avanço, particularmente no plano do compromisso com o Governo do PS", afirmou Jerónimo de Sousa relativamente ao aumento do IRC e do fim do corte de 10% no subsídio de desemprego, na sede do PCP, em Lisboa, após um encontro com a Intervenção Democrática (ID).

 

Apesar de "não jurar a pés juntos", o secretário-geral dos comunistas portugueses afirmou que "existe grande abertura" da parte do executivo para acolher as duas propostas quanto ao aumento do IRC e do fim do corte de 10% no subsídio de desemprego, decretado pelo Governo PSD-CDS.

 

Jerónimo de Sousa lembrou que ainda está em curso o debate na especialidade do Orçamento do Estado em que estas duas questões serão decididas, antes da votação final global do Orçamento, em 27 de Novembro.

 

"Avanços" na "posição conjunta" com PS

 

O líder do PCP admitiu ainda que a "posição conjunta" assinada há dois anos com o PS, para viabilizar o Governo, resultou em avanços, mas avisou que é "insuficiente e limitada" para as necessidades dos portugueses.

 

"Foi e está a ser importante aquilo que foi alcançado, mas tenham em conta que é insuficiente e limitado para as necessidades nacionais", afirmou Jerónimo de Sousa, após uma reunião com membros da Intervenção Democrática (ID), que integra a Coligação Democrática Unitária (CDU), com o PCP e Os Verdes. 

 

O secretário-geral do PCP afirmou que "com posição conjunta ou sem posição conjunta", assinada há dois anos, a 10 de Novembro de 2015, este é o caminho, o da reposição de rendimentos e direitos, sendo um desafio mantê-lo.

 

Para Jerónimo de Sousa, a "nova fase da vida política nacional", com o acordo parlamentar à esquerda, entre PS, PCP, BE e Verdes, que viabilizou o Governo minoritário de António Costa, concretizou muitas propostas dos comunistas, mas deixou dúvidas.   

 

"Se é verdade que concretizou muitas das propostas que colocamos, fica um ponto de interrogação enorme: como vamos resolver os problemas de fundo da sociedade portuguesa", argumentou.

 

E porque, "como diz o povo, 'não é possível sol na eira e chuva no nabal'", além da reposição de direitos e rendimentos "é necessário tomar medidas estruturantes para resolver estes bloqueios, estas imposições externas" da União Europeia, disse.

 

O secretário-geral do PCP insistiu na tese da contradição por parte do PS e do Governo, afirmando que "não se pode privilegiar os grandes grupos económicos e simultaneamente dar resposta aos anseios dos trabalhadores e do povo".

 

Nem se podem "considerar intocáveis esses privilégios, por via das PPP, dos benefícios da banca, sem dar resposta aos serviços públicos", apontou dando como exemplos a resposta, ou falta dela, por parte do Estado aos incêndios ou ao mais recente surto de "legionella".

 

Se esta solução política pode ser mais ou menos prolongada, Jerónimo remete a resposta para o executivo minoritário do PS, dando resposta aos "anseios dos trabalhadores e do povo".

 




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