Economia PCP quer renegociação da dívida e diz que propostas de BE e PS são insuficientes

PCP quer renegociação da dívida e diz que propostas de BE e PS são insuficientes

O líder do PCP insistiu hoje na necessidade de Portugal renegociar montantes, juros e prazos da dívida pública, considerando que as propostas de um relatório sobre a matéria são "micro soluções" insuficientes para resolver o problema.
PCP quer renegociação da dívida e diz que propostas de BE e PS são insuficientes
Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 28 de abril de 2017 às 21:53

"Essas micro soluções são insuficientes e é preciso dar passos adiante", afirmou aos jornalistas o secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, durante uma visita à feira agropecuária Ovibeja, em Beja.

 

O relatório do grupo de trabalho apresenta uma proposta de reestruturação da dívida portuguesa em 31% para 91,7% do Produto Interno Bruto (PIB) e pede ao Governo "cenários concretos" de reestruturação para serem utilizados em discussões europeias.

 

Jerónimo de Sousa argumentou que o que é proposto pelo grupo de trabalho "não toca na questão dos montantes, deixa de fora aqueles que especulam com a dívida e corresponde a uma gestão corrente da dívida, aceitando os constrangimentos e as imposições da União Europeia".

 

"Não é isto que o país precisa. O país precisa de uma visão estrutural da reestruturação da dívida", contrapôs, lembrando que o PCP já propôs a criação de um grupo de trabalho sobre a dívida na Comissão de Orçamento e Finanças da Assembleia da República.

 

O objectivo do grupo de trabalho proposto pelo PCP, assinalou, passa por tentar perceber como o país chegou a esta situação e pensar "num processo de renegociação dos montantes, juros e prazos" para permitir "libertar as verbas necessárias para o crescimento e desenvolvimento".

 

"Se queremos uma solução duradoura e que corresponda ao interesse nacional, precisamos da renegociação, com enfrentamento", realçou o líder comunista, referindo que Portugal, mesmo numa posição de devedor, tem direitos.

 

Jerónimo de Sousa disse esperar que, apesar de as propostas do grupo de trabalho do Bloco de Esquerda e do PS serem insuficientes, "ninguém arrume a viola no saco", alegando que o problema da dívida é "uma coisa muito séria".

 

"Podemos assobiar para o lado e sentimo-nos satisfeitos com posições minimalistas, mas, para um país que precisa de crescer e de se desenvolver, ter este serviço da dívida e este montante da dívida e encontrar pequenas melhorias não é isto que precisa", advertiu.

 

Questionado pelos jornalistas sobre a descida da taxa de desemprego divulgada hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o líder do PCP atribuiu-a ao actual "ambiente" económico, que "permitiu o crescimento e a criação de emprego".

 

"Bastou a melhoria das condições de vida e a devolução de rendimentos e direitos para se verificar essa melhoria. Isso resulta, de facto, do aumento do consumo, de as pessoas não acordarem com a preocupação de, na semana seguinte, verem o seu salário cortado, a sua reforma mais reduzida", disse.

 

Mas, continuou Jerónimo de Sousa, que "ninguém se sinta satisfeito" com estes números, porque subsiste "uma preocupação". Portugal, frisou, é um país com "dezenas de milhares de desempregados", às quais se têm de acrescentar "centenas de milhares de trabalhadores com vínculo precário", pelo que o desemprego "é um problema sério".

 


A sua opinião4
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo Há 3 semanas

As reformas do anterior governo e da troika permitiram regressar aos mercados de dívida. Com este governo as reformas estão a ser revertidas e o acesso renovado e facilitado aos mercados de dívida está a ser usado para cometer os mesmos abusos injustos e insustentáveis do passado.

comentários mais recentes
Anónimo Há 3 semanas

Portugal não tem um problema de sobrepagamento, os custos do trabalho não são na generalidade elevados. Portugal tem um grave problema de excedentarismo e rigidez do mercado e regras laborais, assim bem como uma mentalidade e cultura provincianas, ignorantes e anacrónicas no tocante ao conceito fundamental de mercado, ao capital e aos restantes factores produtivos. Quando os serviços públicos ou uma empresa portuguesa tiverem que dar os próximos passos para se expandirem e afirmarem na cadeia de valor onde se inserem, o enquadramento legal português não lhe vai ser nada favorável. Aliás, esse muito desvantajoso atraso já se está mais uma vez a dar...

Anónimo Há 3 semanas

Em Portugal acabou a austeridade. 8 concelhos, incluindo aglomerados populacionais isolados, fora de grandes áreas metropolitanas com concelhos conurbados, como a Covilhã, Aveiro e Chaves, sem INEM à noite. Os custos do excedentarismo na administração pública incluem cortar onde não se deve mas é mais fácil cortar, para manter excedentários de carreira sindicalizados cujo posto de trabalho já nem sequer se justifica, mas que não podem ser legalmente despedidos. Acabou-se a austeridade mas foi para os que levam a República à falência, para os grandes causadores da crise. E os tetraplégicos já nem conseguem obter pensão de invalidez para os serviçais da Segurança Social levarem um bónus para casa que o que já arrecadavam não lhes chega para serem competentes e sérios. Parece a malta do sindicato dos impostos a ameaçar com uma explosão de corrupção se não lhes pagarem mais ou os estivadores a parar os portos enquanto não voltarem os cavalos e o vapor... Portugal está entregue às máfias.

Conselheiro de Trump Há 3 semanas

Olha la oh canhoto borrachola nao seria melhor seguir os avisos do presidente do eurogroep Dysselbloem.Creis q se faca com a divida publica o q o canhoto fez com a funcao publica:primeiro paga e depois exige,por outras palavras pos o carro a frente dos bois,sabemos q ele e NEGRO mas nos nos felizmen

Anónimo Há 3 semanas

As reformas do anterior governo e da troika permitiram regressar aos mercados de dívida. Com este governo as reformas estão a ser revertidas e o acesso renovado e facilitado aos mercados de dívida está a ser usado para cometer os mesmos abusos injustos e insustentáveis do passado.

pub
pub
pub
pub