Impostos Perguntas e respostas sobre o novo perdão fiscal

Perguntas e respostas sobre o novo perdão fiscal

O Programa Especial de Redução do Endividamento ao Estado deverá estar operacional em Novembro Quem pode aderir e que benefícios dá este novo regime com o qual o Governo estima arrecadar em média 100 milhões por ano.
Filomena Lança 10 de Outubro de 2016 às 08:00

O novo regime de pagamento de dívidas permitirá às famílias e empresas pagarem dívidas fiscais e à Segurança Social com uma redução ou mesmo isenção total de juros. Foi aprovado em Conselho de Ministros no passado dia 6 de Outubro e deverá render em média 100 milhões de euros por ano durante o período de vigência, que poderá estender-se por 12 anos. Entra em vigor esta sexta-feira, 4 de Novembro.

O que é o PERES?

O Programa Especial de Redução do Endividamento ao Estado (PERES) destina-se a permitir às famílias e empresas o pagamento de dívidas de impostos ou de contribuições à Segurança Social. A adesão ao programa permite que o contribuinte poupe nos juros que entretanto se tenham vencido, nas coimas (estas apenas para os pagamentos na totalidade) e nas custas processuais associadas.

 

Que dívidas estão abrangidas?

Estão abrangidas as dívidas já detectadas e conhecidas pelo Fisco ou pela Segurança Social. No primeiro caso, todas as que tenham sido contraídas e digam respeito a impostos cujo prazo legal de cobrança tenha terminado a 31 de Maio de 2016, o que inclui já o IRC de 2015. Relativamente à Segurança Social, estão abrangidas as contribuições cujo prazo legal de cobrança tenha terminado a 31 de Dezembro de 2015. As contribuições extraordinárias, não sendo consideradas impostos, não estão incluídas – é o caso da contribuição sobre o sector energético ou sobre a banca. Outras dívidas cobradas pelo Fisco, como portagens ou propinas também não são abrangidas. E estão igualmente excluídas dívidas que o contribuinte saiba que tem, mas que o Fisco não tenha detectado – ou seja, só os impostos liquidados até à entrada em vigor do diploma, 4 de Novembro de 2016.

 É, portanto, diferente de programas como o RERT, que admitia a auto-declaração e repatriamento de capitais no estrangeiro cujos rendimentos não tivessem sido comunicados ao Fisco.

 

Há dívidas consideradas prioritárias? 

Sim. As primeiras dívidas a ser pagas através do PERES devem ser as que não estejam em reclamação, execução ou impugnação e respeitem a imposto ou contribuições retidas na fonte e não entregues ao Fisco e à Segurança Social e só depois as demais. Seguem-se as dívidas de imposto ou contribuições de que o contribuinte tenha reclamado nos serviços ou nos tribunais.

 

Como concorrer e até quando?

O diploma foi publicado esta quinta-feira, 3 de Novembro, em Diário da República e entra em vigor a 4 de Novembro. Quem estiver interessado em aderir ao PERES terá de o fazer até ao dia 20 de Dezembro, data limite do programa. No caso das dívidas fiscais, os pagamentos devem ser efectuados também até 30 de Dezembro. Já no caso dos devedores à Segurança Social, poderão aderir até  20 de Dezembro, mas terão a possibilidade de efectuar os pagamentos até 30 do mesmo mês.

 

Quais as modalidades a que o contribuinte pode aderir? 

Há duas opções. Na primeira, o contribuinte opta por liquidar de imediato a totalidade dos montantes em dívida. Na segunda, o pagamento será faseado em prestações mensais que podem ir até às 150 – o equivalente, portanto a 12,5 anos. Cada prestação deverá ter um valor mínimo de 102 euros (uma unidade de conta), para os contribuintes singulares. Tratando-se de empresas, o mínimo serão 204 euros. No entanto, nas contas finais e já descontados os juros e custas, as prestações podem até ficar em valores mais baixos.

  

O que é, afinal, perdoado? 

O imposto e as contribuições em dívida têm de ser pagos na totalidade. No pagamento imediato da totalidade do valor, o contribuinte não pagará juros nem custas processuais e terá uma redução de coimas, pagando apenas 10% destas, mas estando sempre obrigado a suportar um valor mínimo de 10 euros. No caso do pagamento em prestações, não haverá uma isenção total, mas sim uma redução que será tanto maior quanto menor for o número de prestações. Já as coimas terão de ser pagas na totalidade. O Governo já avisou que também não haverá amnistias criminais – quem estiver a braços com um processo por fraude fiscal, por exemplo, não se livra dele só por aderir ao PERES.

 

Qual será a redução de juros e custas no caso do pagamento em prestações?

Os juros e as custas terão uma redução de 10% para pagamentos de 73 a 150 prestações; de 50% para quem opte por entre 37 e 72 prestações; e de 80% para quem salde a dívida em 36 prestações ou menos.

Primeiro o Fisco determina o valor total em dívida, somando o imposto em falta com juros indemnizatórios e compensatórios e custas processuais. Depois é calculado o benefício que o contribuinte terá, em função do número de prestações que escolha. Posto isso, o Fisco vai rever o valor final a pagar em cada prestação que, depois já de abatidos os juros e custas, pode ficar abaixo dos referidos 102 ou 204 euros.

 

É preciso adiantar algum valor no início? 

Na opção pelas prestações, os contribuintes têm de pagar, à cabeça, 8% do valor em dívida, ou seja, pelo menos o correspondente à totalidade das 12 primeiras prestações. O restante será depois distribuído pelas restantes e começará a ser pago em Janeiro de 2017.

  

E se o contribuinte falhar uma prestação? 

O novo regime admite duas falhas, mas ao fim de três ou mais prestações em falta o contribuinte já não poderá continuar com o pagamento em prestação e interrompe-se o plano. As prestações que ainda faltarem serão todas liquidadas e terão de ser pagas imediatamente, sob pena de o contribuinte ser confrontado com um processo de execução fiscal. Além disso, o contribuinte terá de devolver os benefícios que lhe tenham sido entretanto concedidos, isto é, as reduções que teve nos juros e custas.

 

O que acontece a quem tenha já um plano de pagamentos em curso? 

Também poderá aderir ao PERES. Os valores que ainda lhe faltarem pagar serão recalculados tendo em conta a redução de juros e de custas  e será então estabelecido um novo plano prestacional.

 

O que acontece às garantias que tenham sido já eventualmente prestadas? 

Havendo garantias prestadas no âmbito de processos fiscais em curso, serão levantadas, mas, no caso da opção pelo pagamento em prestações, apenas parcialmente, ou seja, proporcionalmente e à medida em que o dinheiro for entrando nos cofres do Estado. Na prática, serão reduzidas para o valor da quantia associada ao plano. Depois irão também sendo recalculadas todos os anos no dobro do montante entretanto pago em prestações e desde que o contribuinte não tenha entretanto contraído novas dívidas.

 


(texto actualizado no dia 3 de NOvembro, às 11:40, com nova informação)




A sua opinião3
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo 10.10.2016



PS . BE . PCP são uns PHILHOS DE PHU TA que xupam o sangue ao POVO...

para dar mais dinheiro e privilégios aos FP & CGA.


comentários mais recentes
vitor trindade Há 1 semana

O mínimo para poder pagar em prestações 102 euros.Para quem ganha menos do ordenado mínimo,ou esteja desempregado,como eu ou o rendimento mínimo,como o que?Ar?Sinceramente que tipo de ajuda e esta que não ajuda os menos favorecidos?Sai um ladrão entra outro.

Anónimo 10.10.2016


FP e CGA - SEMPRE A ROUBAR À GRANDE

E não deixa de ser anedótico que o contribuinte que vê a sua reforma cada vez mais longe e mais baixa, ainda seja chamado para pagar as reformas da CGA.

Fica aqui a lista do pilim que a CGA consome ao OE (e que todos os contribuintes pagam):

Milhares de € - Pordata

Ano - Receitas CGA / Trf Orç. Estado / Despesa total

2008 - 2.298.320,0 / 3.396.097,0 / 6.705.927,0

2010 - 3.453.777,2 / 3.749.924,6 / 7.489.193,3

2012 - 2.846.863,0 / 4.214.632,7 / 7.196.785,9

2015 - 4.927.319,1 / 4.601.342,3 / 9.528.661,4

Anónimo 10.10.2016



PS . BE . PCP são uns PHILHOS DE PHU TA que xupam o sangue ao POVO...

para dar mais dinheiro e privilégios aos FP & CGA.


pub
pub
pub
pub