Saúde PGR: Enfermeiros em protesto podem ser responsabilizados civil e disciplinarmente

PGR: Enfermeiros em protesto podem ser responsabilizados civil e disciplinarmente

O Ministério da Saúde tinha pedido um parecer sobre o protesto dos enfermeiros especialistas. E a PGR já respondeu.
PGR: Enfermeiros em protesto podem ser responsabilizados civil e disciplinarmente
Ricardo Castelo
Lusa 20 de julho de 2017 às 15:59
Os enfermeiros especialistas em protesto podem ser responsabilizados civil e disciplinarmente, bem como incorrer em faltas injustificadas, segundo um parecer do conselho consultivo da Procuradoria-Geral da República.

O parecer tinha sido pedido pelo Ministério da Saúde a propósito do protesto dos enfermeiros especialistas, que está desde o início do mês a paralisar blocos de partos.

O parecer reconhece que os enfermeiros especialistas têm legitimidade para defender os seus interesses remuneratórios, nomeadamente recorrendo à greve, mas ressalva que "a recusa de prestação de serviço dos enfermeiros com título de especialista não é enquadrável numa greve".

"A não prestação de serviço conduz a faltas injustificadas", adverte o parecer da PGR divulgado pelo Ministério da Saúde.

No caso de recusarem exercer funções estabelecidas na sua categoria profissional de especialista "com o fundamento de não existir diferenciação remuneratória", o parecer da PGR refere que podem/devem ser responsabilizados disciplinarmente.

"Acresce que também não é de afastar a responsabilidade civil dos enfermeiros pelos danos causados aos utentes, quando designadamente não seja salvaguardada a prestação de determinados serviços", lê-se no parecer.

Relativamente à Ordem dos Enfermeiros, o documento sublinha que não se trata de uma associação sindical, pelo que está impedida pelos seus próprios estatutos de exercer ou participar em actividades de natureza sindical ou que se relacionem com a regulação das relações económicas ou profissionais dos seus membros.

Por exemplo, adianta o parecer, a Ordem não pode decidir ou convocar uma greve.

Este protesto dos enfermeiros especialistas que tem afectado os serviços de obstetrícia foi apoiado desde o início pela Ordem dos Enfermeiros.

Os enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica estão, desde o início do mês, em protesto contra o não pagamento dos seus serviços especializados, assegurando apenas cuidados indiferenciados de enfermagem.

(Notícia actualizada às 16:06 com mais informação)



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comentários mais recentes
Anónimo 20.07.2017

Quantos trabalhadores da PGR e do TC e outros organismos, estão a auferir ordenados inferiores àquilo para os quais foram contratados?
Calma, porque os profissionais de enfermagem se são especialistas deverão ser pagos como tal
Nos hospitais não se paga um médico generalista como um especialista!

Anónimo 20.07.2017

De facto é uma vergonha o que estes enf, têm feito.Não sei se eles sabem, que a gravidez é um processo que normalmente dura 9 meses.Durante esses 9 m, as grávidas, são seguidas por médicos e enfºs de família, cuja carreira é generalista.Estes sim são os principais responsáveis por uma boa gestação