África População do Burundi chamada a pagar eleições de 2020

População do Burundi chamada a pagar eleições de 2020

A população do Burundi poderá ser chamada a pagar a factura das eleições de 2020, através de deduções no salário dos funcionários públicos e contribuições anuais directas por parte dos restantes cidadãos.
População do Burundi chamada a pagar eleições de 2020
Reuters
Negócios com Reuters 11 de dezembro de 2017 às 18:43

A proposta foi avançada pelo ministro do Interior, Pascal Barandagiye, como forma de substituir as doações estrangeiras de que dependia a realização de eleições no país.

Segundo a Reuters, até 2015 o Burundi utilizou ajuda externa para pagar as eleições, mas os doadores internacionais suspenderam as suas ajudas desde que a crise política estalou quando o presidente Pierre Nkurunziza venceu a corrida para o seu terceiro mandato.

Numa conferência de imprensa, o ministro afirmou que cada agregado familiar contribuirá com um máximo de 2 mil francos (cerca de 95 cêntimos) por ano. De acordo com a Reuters, que cita dados do Banco Mundial, o rendimento nacional bruto per capita do país fixou-se em 280 dólares (237 euros) em 2016 e cerca de 65% da população vive abaixo da linha de pobreza.

"O custo total das eleições ainda não é conhecido… Mas, assim que se conseguirem os fundos necessários, a campanha de angariação será interrompida", explicou Barandagiye, citado pela agência noticiosa. "Essa contribuição deve ser dada de forma voluntária, não deve ser vista como um imposto".

O ministro informou que os estudantes com idade para votar contribuirão com mil francos ao ano, e os funcionários públicos com um décimo do seu salário.

O Burundi está mergulhado numa crise política desde Abril de 2015, quando Nkurunziza anunciou que concorreria ao terceiro mandato, o que a oposição considerou que violava a constituição. Os protestos foram fortemente reprimidos pelo governo e provocaram a morte de mais de 700 pessoas e a deslocação de mais de 400 mil para países vizinhos.

Os principais doadores, como a União Europeia, reduziram o apoio financeiro directo ao governo devido a acusações de violações de direitos humanos e repressão em relação aos opositores.

No final de Outubro, o governo aprovou um projecto de lei com o objectivo de mudar a constituição para permitir que Nkurunziza concorra a um quarto mandato nas eleições de 2020.