Conjuntura Portugal a caminho de um crescimento de 2,5% em 2017

Portugal a caminho de um crescimento de 2,5% em 2017

A economia cresceu 2,8% no segundo trimestre, o mesmo que no primeiro, e garantindo dessa forma o melhor crescimento homólogo semestral desde 2000. Com este resultado, PIB anual deverá aumentar em torno de 2,5%.
Portugal a caminho de um crescimento de 2,5% em 2017
Rui Peres Jorge 15 de agosto de 2017 às 22:00

Se a economia portuguesa crescer nos próximos dois trimestres ao ritmo previsto pela Comissão Europeia em Maio, o PIB aumentará 2,5% no conjunto do ano, um valor acima das previsões de Bruxelas e do Governo (1,8%), que foram surpreendidos com um primeiro semestre particularmente dinâmico, com o PIB a  crescer 2,8% em termos homólogos – o que é o melhor resultado desde 2000.

Este é o resultado de um aumento homólogo trimestral de 2,8% do produto registado entre Abril e Junho em Portugal, uma variação igual à verificada no primeiro trimestre, avançou o  Instituto Nacional de Estatística (INE) na segunda-feira, dia 14 de Agosto. Em cadeia, o PIB cresceu 0,2%. Face a este dados os economistas ouvidos pelo Negócios apontam também para um crescimento anual na casa dos 2,5%.

"A nossa previsão é de 2,8%, agora com ligeiros riscos descendentes de ficar mais próximo de 2,5%", diz ao Negócios Paula Carvalho, economista-chefe do BPI, que esperava um crescimento um pouco mais forte.  Rui Bernardes Serra mantém a previsão: "Para o conjunto do ano de 2017 continuamos a prever um crescimento de 2,5% – na realidade, a nossa  previsão anual tinha implícito um crescimento de 0,25% [em cadeia] no 2º  trimestre,  apenas 0,05 pontos percentuais acima do valor divulgado pelo INE", diz.

Investimento melhor, frente externa pior

Segundo o instituto, no segundo trimestre, o comércio internacional pressionou negativamente o andamento da actividade económica face ao que se tinha passado no primeiro trimestre, mas o investimento compensou. "A procura externa líquida registou um contributo ligeiramente negativo para a variação homóloga do PIB, reflectindo uma mais acentuada desaceleração em volume das Exportações de Bens e Serviços do que das Importações de Bens e Serviços", sendo que "a procura interna manteve um contributo positivo elevado, superior ao do trimestre precedente, em resultado da aceleração do investimento", diz o instituto na nota que acompanha os resultados.

"A  breve descrição do INE (...) confirmou as nossas expectativas de crescimento da procura interna suportada pelo consumo e investimento e com as exportações líquidas a terem um contributo negativo para o crescimento do PIB, em correcção face ao forte contributo positivo do trimestre anterior", analisa Bernardes Serra. Paula Carvalho nota que, embora esperasse um crescimento ligeiramente superior, "as principais tendências mantêm-se bastante positivas" , destacando o crescimento do investimento e boas perspectivas para as  exportações.

Face aos resultados, o Governo congratulou-se e Mário Centeno, ministro das Finanças,  considerou que está aberto o caminho para a possibilidade de baixar a carga fiscal aos trabalhadores de salários mais baixos e aumentar pensões em 2018. O PSD, por seu lado, congratulou os portugueses e exortou o Governo a fazer reformas. Já PCP e Bloco de Esquerda vêem nos números a possibilidade de aumentar mais os rendimentos dos portugueses, com os comunistas a defenderem também uma maior aposta na substituição de importações por produção nacional.




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comentários mais recentes
oluapaxe 16.08.2017

2,5% só 2,5% estão a brincar? 3% consegue-se sem governo!!!

Ha 16.08.2017

Então o Diabo perdeu o mapa? Ou fachola vai para Espanha e não voltes

Anónimo 16.08.2017

Anónimos extorsionários dos direitos adquiridos, não contem que entre em diálogo convosco, vocês ou são retardados ou são pessoas de má índole: "Nas conclusões preliminares da missão do FMI a Espanha divulgadas hoje em Madrid, os técnicos da instituição estimam que o Produto Interno Bruto (PIB) aumente 3,1% este ano, um valor que até pode ser mais elevado visto que "o impulso gerado pelas reformas efectuadas pode ser maior do que o estimado"." (Lusa, 18 de julho de 2017) www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/fmi-preve-crescimento-de-31-em-espanha-mas-insta-madrid-reduzir-divida-publica- Do elevado crescimento da Irlanda e do Leste vão vocês pesquisar às fontes que tempo não vos falta...

Anónimo 16.08.2017

Não se admirem com a insólita glorificação do anémico crescimento económico português face a seus pares. Em Portugal o mirabolante mote diz que não existem forças de mercado, em especial do sector público para dentro, e por isso não se pode reestruturar uma organização portuguesa com recurso a despedimentos ou desalocação de oneroso factor produtivo trabalho que seja desnecessário e injustificável à luz dos mais básicos e elementares princípios da boa gestão lean, da racionalidade económica, do avanço tecnológico e das condições de oferta e procura reais existentes em dado momento ou período de tempo.

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