Conjuntura Portugal a vermelho no mapa europeu da balança corrente

Portugal a vermelho no mapa europeu da balança corrente

Portugal apurou um défice de conta corrente acima de mil milhões de euros entre Abril e Junho deste ano. Trata-se do segundo valor mais elevado entre os países da Zona Euro. Veja como Portugal compara com restantes países europeus.
Nuno Carregueiro 07 de outubro de 2017 às 10:00

A economia portuguesa destacou-se pela negativa na Europa no que diz respeito aos dados da balança de transacções correntes referentes ao segundo trimestre. Tendo em conta apenas os países da Zona Euro, o défice de conta corrente em Portugal, entre Abril e Junho, foi o segundo mais elevado.

 

Uma posição no ranking que, apesar de já ter acontecido no passado mais recente, ganha relevância dada a dimensão da economia portuguesa (os dados apresentados são em valor e não em função do PIB) e a tendência de saldos positivos registados recentemente.

 

No segundo trimestre, o saldo da balança de transacções correntes em Portugal foi negativo em 1,1 mil milhões de euros. Portugal é assim dos poucos países da União Europeia com um saldo negativo neste indicador das contas externas no segundo trimestre. Na Zona Euro, só a França apresenta um registo superior (défice de 2 mil milhões de euros), sendo que contabilizando todos os países da UE, a Roménia (2,2 mil milhões de euros) e o Reino Unido (23,3 mil milhões de euros) também apresentam valores superiores.

 

A posição relativa de Portugal face aos parceiros europeus é bem visível no mapa que o Negócios elaborou com base nos dados que o Eurostat publicou esta semana.

 

Como ler o mapa: Ao passar o cursor pelos vários países, vê o saldo da balança de transacções correntes relativo ao período mais recente (neste caso o segundo trimestre de 2017). Ao seleccionar um país, vê o gráfico da evolução dos trimestres mais recentes. Pode ainda alterar a legenda, para ver apenas os países que apresentam valores para o intervalo definido. Para isso tem que arrastar o cursor, que se situa a verde na parte inferior da legenda.

  

A balança corrente é uma das componentes mais relevantes da balança de pagamentos (ver explicação em baixo do Banco de Portugal), pois inclui a balança comercial, a balança de rendimentos e as transferências. Para chegar ao saldo externo é preciso juntar a balança de capital e a balança financeira.

 

A deterioração do saldo de conta corrente de Portugal deve-se sobretudo à evolução negativa da balança comercial, já que as importações têm nos últimos meses crescido de forma mais acentuada do que as exportações. Um desequilíbrio que não tem sido possível compensar com a evolução positiva nos serviços, que beneficiam com o bom momento no turismo.

 

O défice do segundo trimestre contrasta com valores positivos registados no passado. No terceiro trimestre o saldo foi positivo e ficou próximo dos 2 mil milhões de euros (ver os valores no mapa).

 

Os dados revelados pelo Banco de Portugal, referentes à totalidade da balança de pagamentos, são já referentes a Julho. E apontam para uma recuperação das contas externas portuguesas, que passaram a apresentar um saldo positivo (280 milhões de euros) quando contabilizados os primeiros sete meses do ano, contra um défice no primeiro semestre (-685 milhões de euros).

 

Alemanha com excedente mais baixo

 

Olhando para toda da União Europeia, o excedente de conta corrente no segundo trimestre foi de 41,9 mil milhões de euros (1,1% do PIB), o que representa uma descida face aos três meses anteriores (49,4 mil milhões de euros, ou 1,3% do PIB) e também contra o período homólogo (58,6 mil milhões de euros, ou 1,6% do PIB).

 

Esta descida é quase da inteira responsabilidade da Alemanha, que no segundo trimestre registou um excedente de 55,7 mil milhões de euros. Apesar de ser maior do que todo o excedente da União Europeia, representa uma descida significativa face ao trimestre anterior (65,8 mil milhões de euros) e do mesmo período do ano passado (70 mil milhões de euros). 

 

Balança corrente

A balança de pagamentos regista as transacções que ocorrem num determinado período de tempo entre residentes e não residentes numa determinada economia. Essas transacções são de natureza muito diversa encontrando-se classificadas em três categorias principais: balança corrente, que regista a exportação e importação de bens e serviços e os pagamentos e recebimentos associados a rendimento primário (ex: juros e dividendos) e a rendimento secundário (ex: transferências correntes); balança de capital, que regista as transferências de capital (ex: perdão de dívida e fundos comunitários) e as transacções sobre activos não financeiros não produzidos (ex. licenças de CO2 e passes de jogadores); e balança financeira, que engloba as transacções relacionadas com o investimento, nomeadamente investimento directo, investimento de carteira, derivados financeiros, outro investimento e activos de reserva.

Fonte: Banco de Portugal


(notícia corrigida às 13:10 pois o conteúdo do mapa dizia respeito ao desemprego e não à balança de transacções correntes)




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mais votado surpreso 07.10.2017

"A vermelho"?Que interessa,há crédito e os comunas mandam

comentários mais recentes
Anónimo 09.10.2017

Este indicador é um dos que mede realmente a qualidade de governação, não o indicador da distribuição de benesses a alcavalas ao clientelismo eleitoral. Logo, está à vista de todos que este desgoverno é péssimo.

Anónimo 08.10.2017

Nada que incomode AC.Está tudo tão bem no reino fictício do governo que até vai dar borlas aos ordenados até 925 euros.Deixam de pagar IRS.Quem vai pagar?Pedimos emprestado?Uns pagam, outros acham que tudo cai do céu.Obrigações? Só para alguns, outros só têm benefícios que alguém pagará.Os do costum

Anónimo 08.10.2017

A Alemanha empresta-nos dinheiro na condição de lhes comprar-mos a "sucata" de carros a gasóleo que lhe anda a poluir o país. E assim vai o Sr. Contente ...

Camaradaverao75 08.10.2017

A divida a aumentar e nem uma palavra para os jovens despedidos de Portugal sem indemnização e a pagar taxa aeroportuária. Depois admiram-se da derrota do PCP e BE.

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