Economia Portugal dispensou aviões italianos na véspera do incêndio de Monchique

Portugal dispensou aviões italianos na véspera do incêndio de Monchique

O Governo optou por aparelhos espanhóis com o argumento de que estavam "imediatamente disponíveis e com menores exigências logísticas". Para evacuar as aldeias no Algarve, a GNR recorreu a estagiários.
Portugal dispensou aviões italianos na véspera do incêndio de Monchique
EPA
Negócios 10 de agosto de 2018 às 10:21

Dois aviões Canadair italianos estavam prontos a partir para ajudar Portugal a enfrentar a situação de alto risco de incêndio antecipada para o país na semana passada, mas esta missão acabou por ser abortada por indicação das autoridades portuguesas no dia 2 de Agosto, na véspera do início do fogo em Monchique.

 

Segundo o DN, que cita uma nota da Protecção Civil italiana, estas aeronaves "foram activadas por Bruxelas a pedido do Governo português no âmbito do Mecanismo Europeu", mas no dia seguinte surgia a informação de que "a missão [estava] em stand-by". Estes aviões acabaram por ficar em terra. O fogo algarvio destruiu cerca de 27 mil hectares.

 

O Ministério da Administração Interna explica que "a opção foi dar preferência a aviões Canadair a operar a partir de Espanha, imediatamente disponíveis e com menores exigências logísticas", sublinhando que o acordo bilateral com o país vizinho é mais fácil de pôr em prática e a ajuda externa nem sempre é necessária.

 

Esta sexta-feira, 10 de Agosto, a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) anunciou que o incêndio que lavrava há uma semana no Algarve está dominado, embora ainda estejam mobilizados no terreno 1.371 operacionais, apoiados por 442 viaturas e dois meios aéreos. As chamas provocaram 39 feridos e obrigaram a evacuar diversas localidades e uma unidade hoteleira.

 

Para fazer as evacuações das aldeias ameaçadas pelos incêndios em Monchique e nos concelhos vizinhos de Silves e Portimão, a GNR acabou por recorrer a um contingente de estagiários para fazer face à falta de guardas. A informação é avançada pelo JN, que escreve que "estes elementos nem sequer acabaram os seus cursos de formação e avançaram para o terreno sem estar legitimados para intervir".



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