Economia Portugal é o país onde a construção tem mais peso no capital

Portugal é o país onde a construção tem mais peso no capital

Mais de 90% do stock de capital do país está alocado à construção de edifícios. Outras rubricas, como maquinaria e equipamento ou produtos de propriedade intelectual têm menos relevância do que noutros países europeus.
Portugal é o país onde a construção tem mais peso no capital
Miguel Baltazar
Nuno Aguiar 26 de dezembro de 2017 às 22:00
Capital em Portugal é praticamente um sinónimo de construção. Os dados mais recentes do INE mostram que nove em cada dez euros do capital existente no país estão alocados à construção de casas e edifícios com outras funções. É o valor mais elevado da Europa.

Em 2015, Portugal tinha um stock de capital de 616 mil milhões de euros (343% do PIB), dos quais 92% dizem respeito a construções. Entre os países europeus para os quais há dados, nenhum chega aos 86% e a percentagem mais baixa pertence à Suécia, com pouco mais de 75%.

De que estamos a falar quando nos referimos a capital? De uma forma simples, é aquilo que a economia tem disponível – juntamente com capital humano – para produzir bens e serviços. Habitações e instalações de empresas, máquinas, equipamento de transporte, tecnologia de informação, armamento militar e produtos de propriedade intelectual. Neste caso, trata-se de um "stock", porque são activos acumulados ao longo dos anos (subtraídos do desgaste que vão sofrendo).

Mais capital tende a traduzir-se em maior produtividade do trabalho. Daí que seja vista com alguma preocupação a forte desaceleração do rácio de capital/trabalhador desde 2012, tendo mesmo caído em 2014 e estagnado em 2015.

O nível de capital na economia portuguesa (343% do PIB) nem é muito baixo em comparação com o resto da Europa. Em 2014, apenas quatro países tinham um valor mais elevado e Portugal seguia à frente de gigantes como França, Alemanha ou Finlândia. 

O problema pode estar mais na alocação desse capital. Embora a preponderância da construção seja comum a todos os países, em Portugal ela tem ainda mais peso e, no caso da habitação, com pouca relevância no dinamismo do processo produtivo. O segundo país onde a construção tem mais peso está a seis pontos de distância dos 92% portugueses.

O capital alocado à construção foi determinante para a evolução do stock total, mas nem sempre com o mesmo perfil. A habitação, por exemplo, teve avanços robustos até 2008, a que se seguiram quedas fortes de 2009 a 2013. Por outro lado, a outra construção deu sempre contributos positivos, excepto em 2013.

Portugal tem o mais baixo peso do capital em maquinaria e equipamento entre os países europeus para os quais há dados. Esses activos representam menos de 5% do bolo total, quando o segundo país com o valor mais baixo – França – está perto de 9%. Além disso, em Portugal tem perdido peso na último década e meia. Em 2000, 7,6% do stock de capital estava nessa rubrica. 

Outra rubrica que vale a pena seguir com atenção são os produtos relacionados com propriedade intelectual, como é o caso de activos que tenham a ver com investigação e desenvolvimento, assim como software e bases de dados. Neste campo, há boas e más notícias. Segundo o INE, são as rubricas que apresentas as taxas de crescimento médio mais elevadas da série – acima de 10% até 2008 e perto de 4% daí para a frente –, o que se traduziu num aumento do seu peso no stock de capital total, de 1,2% para 2,2%. Contudo, isso não foi o suficiente para tirar Portugal da base da pirâmide europeia, onde tem a companhia de várias economias de leste.






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mais votado Anónimo 26.12.2017

Em Portugal os governos das esquerdas podem decretar o enriquecimento por via da extorsão, da pilhagem e da burla às gerações futuras, mas não podem decretar a criação de riqueza. Portugal, graças à legislação, às mentalidades reinantes e aos sindicatos está completamente out no processo de criação de valor. "Siemens Gamesa Renewable Energy SA (SGRE.MC) said Thursday that it may cut 272 jobs in Spain as part of its restructuring measures. The company has begun consultation with union representatives as it aims to strengthen the company's market positioning" https://www.marketwatch.com/story/siemens-gamesa-may-cut-jobs-in-spain-in-revamp-2017-11-23

comentários mais recentes
Anónimo 27.12.2017

E no Marco de Canaveses e que e... Estes parolos destes empreiteiros e sempre a engordar... Vai ser a capital dos parolos ricos... como e possível empresas desta terra pagarem multas de ss de 300 mil euros e aguentarem se de pe? porque e que eles mudam as cedes para a madeira? porque, porque???

Anónimo 26.12.2017

Espanha, mesmo aqui ao lado para não ter que ir mais longe que nem vale a pena, encara a sustentabilidade do Estado, a competitividade da economia e o nível de equidade na sociedade como algo muito sério e fundamental. "Spanish carrier Iberia to cut up to 955 more jobs" https://www.reuters.com/article/iag-iberia-redundancies/spanish-carrier-iberia-to-cut-up-to-955-more-jobs-idUSL8N1L339V "Banco Santander Proposes 1,500 Job Cuts in Spain -EFE" www.foxbusiness.com/features/2017/11/08/banco-santander-proposes-1500-job-cuts-in-spain-efe.html

Anónimo 26.12.2017

Não entendo como as habitações construídas podem ser consideradas como capital. Só se fôr "capital" improdutivo. Mas quando em economia se fala de capital é sempres como factor produtivo.

Anónimo 26.12.2017

Em Portugal os governos das esquerdas podem decretar o enriquecimento por via da extorsão, da pilhagem e da burla às gerações futuras, mas não podem decretar a criação de riqueza. Portugal, graças à legislação, às mentalidades reinantes e aos sindicatos está completamente out no processo de criação de valor. "Siemens Gamesa Renewable Energy SA (SGRE.MC) said Thursday that it may cut 272 jobs in Spain as part of its restructuring measures. The company has begun consultation with union representatives as it aims to strengthen the company's market positioning" https://www.marketwatch.com/story/siemens-gamesa-may-cut-jobs-in-spain-in-revamp-2017-11-23

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