Conjuntura Portugal preso entre grandes desequilíbrios e reformas lentas

Portugal preso entre grandes desequilíbrios e reformas lentas

Perante os constrangimentos nacionais, a Comissão Europeia vem identificando os grandes desequilíbrios e propondo uma agenda de reformas que nem sempre é bem aceite. Mas afinal, que desequilíbrios e reformas são estes?
Portugal preso entre grandes desequilíbrios e reformas lentas
Yves Herman/ Reuters
Maio é sempre o mês decisivo para a avaliação anual europeia da situação económica, financeira e orçamental do país, mas este Maio é particularmente importante. Nos próximos dias, a Comissão Europeia publicará as suas opiniões sobre o desempenho do país à luz do Procedimento dos Défices Excessivos (PDE), que vigia as contas públicas, e do Procedimentos dos Desequilíbrios Macroeconómicos (PDM), que controla a acumulação de desequilíbrios macroeconómicos, em particular se a implementação do Plano Nacional de Reformas vai ao encontro das recomendações específicas ao país, que também serão actualizadas.

Este ano, Portugal aspira a sair do PDE iniciado em 2009 depois de ter registado um défice orçamental de 2% no ano passado, já longe do limite dos 3% do PIB. Mas não só ainda não sabe se conseguirá, como arrisca um endurecimento da posição europeia na frente económica. Em Fevereiro, a Comissão considerou que o país fez "progressos limitados" no cumprimento das cinco recomendações que lhe foram endereçadas em 2016, pedindo uma intensificação dos esforços para reduzir os desequilíbrios macroeconómicos que continua a considerar "excessivos". Entre eles destaca-se o endividamento privado e público e, como consequência, o endividamento externo, juntamente com o elevado desemprego e a situação periclitante da banca - uma das menos rentáveis e com mais mal parado da Europa.
 
O Governo, que entretanto enviou para Bruxelas a versão de 2017 do Plano Nacional de Reformas (e do Programa de Estabilidade, que se concentra na dimensão orçamental), defende que vai ao encontro das recomendações e que os desequilíbrios estão já a reduzir-se. Se o acordo entre Lisboa e Bruxelas quanto às melhores políticas a implementar pode por vezes ser difícil, há pelo menos o consenso quanto ao enorme peso imposto pelos grandes desequilíbrios macroeconómicos acumulados em Portugal.




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mais votado Anónimo 17.05.2017

Hoje em dia a UE já faz transferências e concede ajudas e financiamentos aos Estados-Membros menos ricos e desenvolvidos. No futuro, com uma UE federal com um orçamento maior e mais competências políticas a nível federal, mais direitos (como mais transferências para os Estados e economias que têm menos e mais e melhor cidadania europeia) implicarão ainda mais deveres (como reformas adequadas feitas na íntegra e de forma atempada) para cada Estado-Membro. Esses deveres, tantas vezes referidos por instituições como a Comissão Europeia, o FMI e a OCDE de forma quase informal e geralmente inconsequente, hoje em dia não são cumpridos. Com uma UE federal existirão meios e ferramentas para que as reformas, os deveres, avancem no seu tempo e Estados-Membros como Portugal e a Grécia não se desleixem e atrasem tanto por força dos seus políticos eleitoralistas mais irresponsáveis, dos seus sindicalistas chantagistas mais fundamentalistas e dos seus banqueiros criminosos mais extorsionários.

comentários mais recentes
Anónimo 18.05.2017

para ganhar eleiçoes o melhor é aumentar os salàrios da função publica e as pençoes dos reformados é por essa razão que a geringonça tem muito sucesso que segue quaze o mesmo que o Socratas com as obras publicas que deu no que deu de resto fazer as verdadeiras reformas não dà votos pelo contràrio

Anónimo 18.05.2017

O governo das esquerdas sindicais quer continuar a desbaratar em excedentarismo na banca de retalho, no Estado-monstro e noutras tolices, e por isso o mercado já não pega na dívida toda que ele quer, e sem reformas precisa, continuar a emitir ou o país pára. Sem fazer as reformas no Estado e na economia que o FMI, a UE e a OCDE proclamam há muito para Portugal, o governo eleitoralista, incompetente e traidor prefere vender Portugal a autocratas e ficar dependente deles agora e no futuro.

Anónimo 18.05.2017

Marcelo já foi certamente endoutrinado na cartilha anti-liberal do fundamentalismo islâmico. Em comparação com Marcelo e o seu governo das esquerdas unidas, Obama foi mesmo um fanático ultra neoliberal: "Job shifts under Obama: Fewer government workers, more caregivers, servers and temps" www.pewresearch.org/fact-tank/2015/01/14/job-shifts-under-obama-fewer-government-workers-more-caregivers-servers-and-temps/

Anónimo 18.05.2017

O Anónimo repete. Tu lês tudo e não consegues aprender nada.

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