Ambiente Portugal teve perdas de 6,8 mil milhões devido a alterações climáticas

Portugal teve perdas de 6,8 mil milhões devido a alterações climáticas

Portugal registou perdas de 6,8 mil milhões de euros relacionadas com as consequências das alterações climáticas, entre 1980 e 2013, e somente uma pequena parte é coberta pelos seguros, segundo um relatório hoje divulgado.
Portugal teve perdas de 6,8 mil milhões devido a alterações climáticas
Ricardo Almeida/Correio da Manhã
Lusa 25 de janeiro de 2017 às 11:24

O trabalho "Alterações Climáticas, Impactos e Vulnerabilidades na Europa 2016" foi elaborado pela Agência Europeia do Ambiente (EEA, na sigla em inglês) e realça que o sul da Europa, com destaque para a península ibérica, vai ser mais atingido pelas mudanças do clima no futuro, mas já regista aumentos de situações extremas de calor, redução da precipitação e dos caudais dos rios, a que acresce o risco de secas severas, perdas na agricultura e na biodiversidade, assim como de fogos florestais.

 

Na análise económica dos efeitos das mudanças do clima, a EEA estima que os custos tenham atingido 6,783 mil milhões de euros, entre 1980 e 2013, dos quais somente 300 milhões, ou seja, 4%, estavam cobertos por seguros.

 

Aquele valor total representa 665 milhões de euros de perdas por cada português e 0,14% do Produto Interno Bruto (PIB).

 

No total da Europa, os custos relacionados com as alterações climáticas atingem 393 mil milhões de euros, com a Alemanha a liderar, ao chegar aos 78,7 mil milhões, ou mil milhões per capita, dos quais 44% estavam cobertos por seguros.

 

A Suíça é o país com um valor de custos mais elevado por cada cidadão - 2,517 mil milhões de euros - e o Reino Unido é aquele que apresenta a maior percentagem de perdas cobertas por seguros - 68%.

 

"As alterações climáticas vão continuar por muitas décadas no futuro" e a dimensão destas mudanças e dos seus impactos vão depender da concretização dos acordos globais para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, mas também de ser assegurado que foram adoptadas as corretas políticas e estratégias para reduzir os riscos dos atuais e projectados fenómenos climáticos extremos, realça o director executivo da EEA, Hans Bruyninckx, citado no relatório.

 

Apesar de algumas regiões puderem apresentar impactos positivos, como a melhoria das condições para a agricultura no norte da Europa, a maior parte dos países e sectores económicos "vão ser negativamente afectados", refere a EEA.

 

Ondas de calor mais frequentes e mudanças na distribuição das doenças infecciosas relacionadas com as condições do clima deverão aumentar os riscos para a saúde humana e para o bem-estar, outra área da vida dos europeus a ser afectada.

 

A península ibérica é referida no relatório como exemplo de região onde já se observam algumas mudanças, como a diminuição da precipitação, principalmente no centro de Portugal.

 

A erosão costeira já provocou "significativas perdas económicas, estragos ecológicos e problemas sociais", aponta ainda a EEA, dando mais uma vez o exemplo de Portugal, que "investiu 500 milhões de euros na reabilitação de dunas e de frente mar e na defesa" entre 1995 e 2003, entre Aveiro e Vagueira.




A sua opinião3
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Anónimo Há 3 semanas

Manipulação da opinião, com apresentação de dados estatísticos falsos. Cheias e período de seca nada que se relacione com alterações climáticas, resultante de ciclos normais. Se há duvidas caros leitores, vão à ribeira de Gaia, ou à cidade da Régua e vejam o registo dos níveis de cheia.

Carlos Rodrigues Há 3 semanas

No texto está escrito: "Aquele valor total representa 665 milhões de euros de perdas por cada português".
Peço aos jornalistas que não escrevam à toa. Mal de nós se fosse aquele valor. Ainda assim não é nada pouco, mas trata-se na realidade de menos 3 zeros: 665.000€ por cada português em 33 anos.

Camponio da beira Há 3 semanas

Que é isso contra os 35 mil milhões perdidos nos bancos por acção por vezes criminosa, mas pelo menos incompetente, dos chamados banqueiros?

pub