Saúde Presidente do Infarmed: deslocalização é “uma intenção”, não é uma decisão

Presidente do Infarmed: deslocalização é “uma intenção”, não é uma decisão

Maria do Céu Machado revelou, em entrevista ao Público, que o ministro da Saúde lhe disse que a mudança para o Porto “não era uma decisão, mas uma intenção”. E alerta que pode levar à perda de “milhões” em processos.
Presidente do Infarmed: deslocalização é “uma intenção”, não é uma decisão
João Santos/Correio da Manhã
Negócios 27 de novembro de 2017 às 09:04

A presidente do Infarmed, Maria do Ceú Machado, confessou que ficou "incrédula" quando o ministro da Saúde lhe falou, por telefone, da mudança da sede do organismo de Lisboa para o Porto. Até essa altura, a responsável só tinha ouvido Adalberto Campos falar uma vez sobre o tema, durante um almoço. E pensou que se tratava de "uma brincadeira". Em entrevista ao Público, a presidente do Infarmed revela ainda que no mesmo telefonema o governante lhe disse que a mudança "não era uma decisão, mas uma intenção".

"Tenho um telefonema do senhor ministro às 8 da manhã do dia 21 de Novembro, dizendo "ontem tive uma reunião com o senhor primeiro-ministro e decidimos que o Infarmed ia para o Porto. Posso contar consigo?", detalhou Maria do Céu Machado, médica há mais de 40 anos.

Questionado sobre se se tinha saída traída por ter sabido da decisão e cima da hora, a presidente do Infarmed respondeu: "Nem sei responder a isso, porque fiquei tão incrédula… Isto é como todas as notícias de surpresa, até cairmos em nós, há uma fase em que se fica com uma espécie de anestesia, de "isto não pode ser verdade". Durante a tarde e no dia seguinte ninguém fez nada no Infarmed", comentou.

"O senhor ministro disse que percebia, de certa forma, que isto era uma notícia surpresa e que não era uma decisão, era uma intenção. Várias vezes repetiu isso. Quando o ouço dizer que é uma intenção, que vamos ter de fazer uma avaliação do impacto, eu confio que seja intenção e não decisão e que haja uma avaliação de impacto financeiro, social, relativa à actividade nacional e internacional e à saúde pública", apontou.

Na mesma entrevista, Maria do Céu Machado alertou ainda que a mudança do organismo para o Porto pode levar à perda de "muitos milhões" em processos europeus de avaliação de medicamentos.




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