Economia Presidente do UBS: China “tem ainda bastantes munições” para estabilizar a economia

Presidente do UBS: China “tem ainda bastantes munições” para estabilizar a economia

Axel Weber, presidente do grupo UBS, considera que as autoridades chinesas “têm ainda bastantes munições” para estabilizar a economia, e acredita que o país ficará mais forte depois da turbulência nos mercados passar.
Inês F. Alves 20 de Janeiro de 2016 às 11:03

A China chegou "um pouco tarde ao jogo" e algumas das medidas para estabilizar o mercado foram "um pouco improvisadas", disse Axel Weber em entrevista à Bloomberg em Davos, na Suíça, onde decorre o Fórum Económico Mundial. O país é um "petroleiro que precisa de mudar de direcção e está a fazê-lo lentamente. Mas no médio-longo prazo, estou bastante optimista sobre a China", disse o presidente do UBS.

No mesmo sentido, Sergio Ermotti, CEO da UBS, disse numa entrevista este mês que a China se mantém "uma grande oportunidade", com o banco suíço a planear duplicar o número de funcionários no país nos próximos cinco anos. Para o CEO, o país "tem grande potencial" a médio-longo prazo.

Enquanto os responsáveis do UBS olham para o médio-longo prazo, a confiança dos executivos sobre o crescimento das vendas a curto prazo atingiu o nível mais baixo em seis anos, face ao abrandamento económico na China e à queda acentuada do preço do petróleo, que voltou esta quarta-feira a negociar nos 27 dólares por barril.

Escreve a Reuters que um inquérito da PwC realizado a mais de 1.400 presidentes executivos, cujas conclusões foram divulgadas esta terça-feira, pinta um cenário menos animador sobre o desenvolvimento da economia. Apenas 27% dos executivos espera que o crescimento económico global melhore nos próximos 12 meses, comparados com 37% no ano passado.


No inquérito da PwC - conduzido no quarto trimestre de 2015, em 83 países - apenas 35% dos visados se mostrou "muito confiante" no aumento das receitas da sua empresa nos próximos 12 meses, contra 39% em 2015. Este é o valor mais baixo registado deste 2010, explica a agência.

"Estamos agora a assistir a um verdadeiro abrandamento na segunda maior economia do mundo, que registou taxas de crescimento muito, muito boas, enquanto outros se debatiam", diz Dennis Nally, presidente da PwC. "Há uma grande preocupação sobre a moeda e sobre o mercado bolsista, e há dúvidas reais sobre o impacto disto na capacidade da China em transformar a sua economia", acrescentou, citado pela Reuters.

"A Europa e a América do Norte estão ‘ok’, mas se olharmos para os mercados emergentes, há preocupações reais", diz Alex Molinaroli, CEO do grupo Johnson Controls, que tem boa parte das suas operações na China. "Estamos a ver o impacto nas ‘commodities’, especialmente no petróleo, e isso vai ter grandes ramificações", acrescentou.

Apesar do negativismo premente, Axel Weber disse à Bloomberg que não espera ver "uma espiral descente" da economia global. "Estamos a atravessar uma correcção e claramente o crescimento global abrandou. O mundo está a reverter para a velha ordem – os EUA estão a liderar a recuperação cíclica, os países industrializados estão a comportar-se melhor do que os mercados emergentes, e os emergentes estão a assistir à reversão dos fluxos de capitais. É uma correcção normal, vai durar por mais algum tempo", disse.

No mesmo sentido, Jacob Frenkel, presidente do JPMorgan Chase International, disse em entrevista à Bloomberg esta quarta-feira que "temos uma economia a abrandar, temos regiões do mundo a crescer melhor do que outras, mas não estamos à beira de uma recessão global".

"Um abrandamento, definitivamente sim. Uma recessão, não. Os EUA estão a crescer, talvez menos do que no passado, mas estão a crescer (...). Uma economia norte-americana forte é bom para o mundo", acrescentou.

Sobre os preços do petróleo, Axel Weber disse à agência que não vê o preço de petróleo a parar de cair e a inverter a tendência negativa tão cedo.

Mais optimista, Jacob Frenkel alerta: "Hoje, a geopolítica desempenha um papel muito importante no preço do petróleo e no estado de espírito das pessoas. Daí que recomendo: não olhem apenas para os mercados financeiros. Eles respondem rápido e, em muitos casos, de forma exagerada."


Weber abordou ainda nesta entrevista a política monetária do Banco Central Europeu. Este considera que a instituição "pode dar pequenos passos no sentido de reduzir ainda mais a taxas de juro" num "ambiente muito adverso", acrescentando que esse não é, porém, o "principal cenário".

(Notícia actualizada às 11:28 com as declarações de Jacob Frenkel)

 




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