Saúde Privados unem-se para tomar posição contra novas tabelas da ADSE

Privados unem-se para tomar posição contra novas tabelas da ADSE

Hospitais privados, laboratórios clínicos, unidades de diagnóstico por imagem, centros de diálise, médicos cardiologistas e de medicina física e de reabilitação estão a preparar "uma posição conjunta de total repúdio da proposta da ADSE", através da federação que os representa.
Privados unem-se para tomar posição contra novas tabelas da ADSE
Miguel Baltazar
Catarina Almeida Pereira 23 de janeiro de 2018 às 16:08

Hospitais privados, laboratórios clínicos, unidades de diagnóstico por imagem, centros de diálise, médicos cardiologias e de medicina física e de reabilitação estão a preparar "uma posição conjunta de total repúdio da proposta da ADSE", através da federação que os representa, segundo respondeu ao Negócios fonte oficial da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada.

Em causa estão as novas tabelas que reduzem os preços a pagar pela ADSE aos prestadores privados de saúde, que o subsistema justifica com a necessidade de impor limites que até agora não existiam e de evitar um défice de tesouraria no próximo ano. O presidente da ADSE, Carlos Liberato Baptista, tem argumentado que as novas tabelas, que pretende colocar em prática a 1 de Março, ainda garantem margens generosas aos operadores privados.

Na quinta-feira, numa resposta escrita ao Negócios, o presidente da ADSE mostrou-se disponível para aceitar propostas dos privados até à próxima sexta-feira, dia 26, sem especificar que propostas estaria disponível para aceitar. Esta terça-feira o DN/Dinheiro Vivo sublinha que há abertura para fazer ajustamentos à tabela.

Fonte oficial da APHP, que na semana passada negou que tenha sido manifestada por parte da ADSE qualquer abertura para negociar afirma agora que "não houve mais desenvolvimentos, pelo menos, no que diz respeito ao contacto com a ADSE". Questionada sobre se a APHP vai ou não fazer propostas de alteração, a mesma fonte afirma não ter para já informação sobre isso. Os privados têm alegado que os cortes são cegos e simplesmente destinados a cortar despesa, indepentemente do custo dos serviços.

"Do lado das associações de prestadores (hospitais privados - APHP, laboratórios clínicos - ANL, unidades de diagnóstico por imagem – ANAUDI, médicos cardiologistas – ANACARD, centros de diálise – ANADIAL, médicos de medicina física e reabilitação -APMFR) e no âmbito da Federação Nacional de Prestadores de Cuidados de Saúde (FNS),  prepara-se uma posição conjunta de total repúdio da proposta da ADSE", responde a mesma fonte da associação liderada por Óscar Gaspar (na foto). Haverá uma reunião "na próxima segunda-feira" para "formalizar o que já foi acordado" numa reunião desta segunda-feira. Os termos dessa posição conjunta "serão ainda discutidos e apreciados por cada associação antes de a subscreverem", acrescentou a mesma fonte.

Depois da publicação desta notícia, a APHP contactou o Negócios para acrescentar que "Com a expressão "formalizar o que foi decido ontem" pretende-se apenas dizer que as referidas associações concordaram em expressar uma posição conjunta, cujos termos serão ainda discutidos e apreciados por cada associação antes de a subscreverem". 

Quer isso dizer que não estão a preparar "uma posição conjunta de total repúdio da proposta da ADSE"? "

Não. Quer apenas dizer que os termos da posição conjunta não estão ainda fixados", respondeu fonte oficial

 


O Negócios tem estado a tentar falar com a ADSE, que não manifestou abertura para comentar o processo.

Notícia actualizada às 11.27 de dia 24 de Janeiro com os esclarecimentos adicionais.

Afinal, o que muda com as novas tabelas?

Segundo a ADSE, as novas tabelas podem poupar 30 milhões de euros por ano à ADSE e 13 milhões de euros por ano aos beneficiários. São várias as alterações. Sistematizam-se algumas das principais:

• Os preços da tabela de análises clínicas são reduzidos em 1,5%, abaixo dos 3% decididos no SNS.

• É criado um limite pelo medicamento facturado em unidose nas sessões de quimioterapia, cirurgias ou urgências tenha como preço máximo o PVP do medicamento, acrescido de uma percentagem de 40%, não podendo a margem superar os 50 euros. 

• A ADSE espera gerar poupanças para o subsistema e para os beneficiários com a redução de preços de TAC e ressonâncias magnéticas, mas neste caso apenas para convenções efectuadas após 31 de Dezembro.

• A ADSE quer introduzir limites máximos nas próteses intra-operatórias que no caso das lentes intra-oculares se aplicam por lente. Nas restantes próteses os limites são, por exemplo, o do valor de aquisição acrescido de 25% para dispositivos de até 500 euros.

• Nas diárias de internamento é fixado um valor máximo de copagamento a suportar pelos beneficiários da ADSE e um número máximo de diárias não sujeitas a aprovação.

• É criada uma tabela com preços "compreensivos" (em "pacote") para 350 procedimentos cirúrgicos em ambulatório e em internamento.



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