Programa está a correr "melhor do que esperado" e economia pode voltar a crescer em 2013
30 Agosto 2012, 12:21 por Lusa
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O consultor do Governo António Borges afirmou hoje que o programa de ajustamento financeiro está "a correr melhor do que se pensava", que a bancarrota "desapareceu" e que, apesar de não estar "garantido", há "boas probabilidades" de relançamento económico em 2013.
"O programa está a correr bem. Digam o que disserem, o programa está a correr melhor do que se pensava. E digo isto com conhecimento de causa porque estava no FMI quando o programa foi desenvolvido. E acompanhar agora a execução mostra que há muitas dimensões em que estamos bem à frente daquilo que se esperava e muito melhor do que outros países em situação semelhante", afirmou o economista, durante uma conferência na Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide.

Borges, que é o consultor do Governo para as privatizações, ressalvou que "não está ainda tudo ganho": "Há ainda questões muito importantes e a mais importante de todas é relançar o crescimento económico. Para o ano, no fim deste ano, em 2014... Não sabemos, há boas probabilidades que seja para o ano, mas não está garantido", afirmou.

O economista e ex-vice-presidente do PSD explicou aos alunos da Universidade de Verão do partido que o crescimento económico sustentável, de longo prazo, "deveria vir com toda a naturalidade pela recuperação da competitividade do país, pelas exportações e seguir pelo investimento no sector exportador".

"O que falta neste momento é o crédito. Temos um problema grave de crédito, que não cresce, pelo contrário", disse António Borges, referindo em particular a falta de crédito para as empresas.

O economista disse que o problema são os bancos, que estão "muito cautelosos e não emprestam", mas referiu que o Governo está a trabalhar neste aspecto "e bem", considerando bem-sucedido o processo de recapitalização da banca.

António Borges explicou que está tão "optimista" em relação ao programa de ajustamento financeiro assinado com os credores internacionais e ao futuro da economia portuguesa porque, "em primeiro lugar, a situação de bancarrota desapareceu" e, ao contrário do que acontecia há um ano, o país já não vive "exclusivamente" do crédito externo.

O economista afirmou que "esse cenário começa agora a ser posto de parte" porque Portugal conseguiu diminuir mais do que esperado o consumo público e privado.

"O investimento também baixou e bem porque Portugal andou muitos anos a fazer investimento não produtivo, o que se chama esbanjar dinheiro, a constituir dívida que depois é impossível pagar porque os investimentos não rendem", afirmou.

"Tudo isto foi feito, bem feito e mais depressa do que se esperava. De imediato ficamos com o país equilibrado, com a balança de transacções correntes em zero, o que é extraordinário. A confirmar-se será um dos ajustamentos mais rápidos das economias avançadas recentes, melhor até que outros países que tiveram sucesso com os mesmos programas, mas demorando mais tempo, o que nos deixa bastante confiantes em relação ao futuro", insistiu.
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