Política PS espera um novo PSD reconciliado com o país e desdramatiza reacção do PCP

PS espera um novo PSD reconciliado com o país e desdramatiza reacção do PCP

A secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, afirmou quarta-feira esperar que do próximo processo interno dos sociais-democratas para a escolha de uma nova liderança surja um PSD "dialogante, construtivo e reconciliado" com os portugueses.
PS espera um novo PSD reconciliado com o país e desdramatiza reacção do PCP
Bruno Colaço
Lusa 05 de outubro de 2017 às 07:58

Ana Catarina Mendes falava aos jornalistas no final de duas horas de reunião da Comissão Política Nacional do PS, que se destinou sobretudo a analisar os resultados das eleições autárquicas de domingo passado.

 

Questionada sobre a forma como a direcção do PS está a acompanhar a evolução interna no PSD, depois de Pedro Passos Coelho ter anunciado na terça-feira à noite que não se recandidatará ao cargo de presidente do seu partido, a "número dois" da direcção dos socialistas referiu que os sociais-democratas ainda terão um congresso para debater as suas linhas programáticas.

 

"Espera-se que o PSD possa gerir a sua situação interna e que daí resulte uma liderança que se reconcilie com os portugueses e que seja capaz de diálogo, de consenso e de construir. Espera-se que surja isso e não um PSD azedo ou zangado com os portugueses", declarou Ana Catarina Mendes.

 

Ana Catarina Mendes advogou depois que, no quadro do regime democrático, o PS "sempre esteve disponível para dialogar com todas as forças políticas", visando, sobretudo, "retirar Portugal da situação em que caiu nos anos de austeridade".

 

"O PSD terá um congresso para debater as suas linhas programáticas. Esperamos que saia um PSD reforçado, dialogante e reconciliado com os portugueses", reforçou.

 

A secretária-geral adjunta do PS fez também uma alusão directa aos resultados registados pelo PSD nas últimas eleições autárquicas, particularmente em Lisboa.

 

"Estas eleições autárquicas demonstraram uma ausência de projecto por parte do PSD, o que explica a derrota que teve. Em Lisboa, por exemplo, foi sintomático que a presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, tenha obtido aquele resultado [à frente da candidatura social-democrata de Teresa Leal Coelho], precisamente por causa da descrença do eleitorado de direita no actual PSD", acrescentou.

 

PS desdramatiza reacção do PCP aos resultados eleitorais

 

O secretário-geral do PS desdramatizou na quarta-feira à noite, durante a Comissão Política do seu partido, as consequências do recuo eleitoral da CDU nas autárquicas, considerando que nada se alterou entre os parceiros que suportam o Governo.

 

Esta posição de António Costa de desdramatização face às consequências do resultado eleitoral da CDU, que foi transmitida à agência Lusa por vários dirigentes socialistas, foi também retomada no final da reunião pela secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes.

 

De acordo com a secretária-geral adjunta do PS, as declarações do líder comunista, Jerónimo de Sousa, na sequência dos resultados eleitorais de domingo, são encaradas pelos socialistas "com naturalidade".

 

"Desde que foi criada esta solução de Governo sempre se respeitou a identidade de cada um dos partidos [PS, Bloco de Esquerda, PCP e PEV]. Os acordos são para cumprir", frisou.

 

Segundo Ana Catarina Mendes, "o PS acredita que até ao final da legislatura haverá estabilidade e paz social" no país.

 

Já António Costa, durante a reunião da Comissão Política Nacional do PS, de acordo com fontes socialistas, fez uma alusão indirecta aos resultados dos parceiros da solução de Governo nas eleições de domingo, dizendo que prefere pagar custos por uma vitória substancial do que por uma derrota do seu partido.

 

Em relação a resultados eleitorais, António Costa referiu que as poucas perdas de câmaras socialistas tiveram como causas guerras internas no seu partido - afirmação que levou o dirigente Daniel Adrião a retomar a tese de que o PS tem de promover a escolha dos seus candidatos autárquicos através de eleições primárias.

 

Daniel Adrião referiu que, na sequência dos processos internos de escolha de candidatos, houve "centenas de militantes que se demitam do PS".

 

Depois, pediu ao secretário-geral do PS para ser "magnânimo", concedendo uma amnistia aos militantes socialistas que entraram em listas independentes para enfrentarem as candidaturas oficiais do partido.

 

Na reunião, o secretário-geral do PS repetiu que a proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2018 será de "continuidade" face a 2017 e 2016.

 

Aqui, foi o dirigente socialista e da UGT José Abraão que contestou o líder do PS, contrapondo que o Governo "precisa de virar a página".

 

"O Governo tem de mudar o discurso, não basta falar em reposição rendimentos no Orçamento para 2018 e tem de haver valorização dos salários", advertiu José Abraão.

 




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