Autarquias PS "sente-se muito bem" na governação do Porto

PS "sente-se muito bem" na governação do Porto

O vereador e líder da distrital socialista, Manuel Pizarro, aponta o orçamento municipal para 2017 como uma das "razões" para apoiar Rui Moreira e poder abdicar de um candidato próprio à segunda maior autarquia do país.
PS "sente-se muito bem" na governação do Porto
António Larguesa 24 de Outubro de 2016 às 13:44

Manuel Pizarro sustenta que "são muitas [as] razões para que o PS se sinta muito bem" na governação municipal liderada por Rui Moreira e também para que esteja "muito empenhado" numa administração que "privilegia as necessidades das pessoas e as aspirações da cidade".

Num vídeo publicado no Facebook esta segunda-feira, 24 de Outubro, o vereador socialista e também presidente da distrital portuense defende as contas camarárias da Invicta para 2017 por mostrarem "uma enorme expansão da actividade municipal", à volta de 18% para 244 milhões de euros, que faz deste "o maior orçamento da última década".



Na sequência da derrota nas autárquicas de 2013, o PS fez um acordo pós-eleitoral com o movimento independente de Rui Moreira, que assegurou uma maioria estável no Executivo e levou o candidato socialista para a vereação municipal, onde tem o pelouro da habitação e acção social.

A menos de um ano de novas eleições, é cada vez mais provável que o PS abdique mesmo de apresentar uma candidatura própria ao segundo município mais importante do país, preferindo antes apoiar o actual presidente da Câmara, que quatro anos depois volta a merecer o apoio do CDS-PP.

Questionado na semana passada sobre esses apoios que juntam a esquerda e a direita, o presidente da Câmara do Porto mostrou-se agradado e lembrou que "quem vota são as pessoas que normalmente votam nos partidos". E acrescentou ainda que sabe "muito bem que entre os militantes e os tradicionais votantes do PSD houve muita gente" que votou na sua candidatura, significando isso que "os partidos não são donos dos votos".

O PSD ainda não definiu quem será o seu candidato à autarquia portuense na votação prevista para o Outono do próximo ano. No entanto, tem já uma certeza: não vai apoiar Rui Moreira, como já garantiram ao Negócios o coordenador autárquico do partido, Carlos Carreiras, e também o líder da concelhia laranja, Miguel Seabra.

"Diálogo formal" em andamento contra os críticos

Depois de, em Junho, António Costa já ter sinalizado esse apoio no congresso do partido, a concelhia aprovou essa estratégia a 30 de Setembro e decidiu "formalizar o diálogo" com o ex-presidente da Associação Comercial do Porto, "tendo em vista a continuidade do actual acordo político". "A avaliação do mandato até à data é inequivocamente positiva e honra os melhores pergaminhos de uma cidade plural e liderante sob a presidência de Rui Moreira", lia-se nesse documento de orientação estratégica.

Mesmo depois do actual presidente da Câmara avisar que não iria assumir compromissos pré-eleitorais, o líder da concelhia portuense, Tiago Barbosa Ribeiro, mostrou, em declarações ao JN, concordância com essa condição e insistiu que "há condições para haver um diálogo formal". Apontando o calendário nacional do partido liderado por António Costa, o deputado frisou que "até ao início do próximo ano" a solução deve ficar fechada.



Na perspectiva de Manuel Pizarro, o aumento do orçamento municipal para 2017 – precisamente o ano em que os portuenses voltam a ser chamados às urnas –, é um dos motivos que sustentam este amparo socialista a um político com um percurso e perfil mais conservadores. Aliás, a provável opção dos socialistas desde muito cedo ganhou opositores internos, como a deputada Isabel Santos e o histórico José Gomes Fernandes, que foi vice-presidente com Fernando Gomes, a que se juntaram depois outros nomes, como o de Francisco Assis.

No vídeo publicado esta manhã, Pizarro destaca a subida de 55% no investimento municipal, para 47 milhões de euros, sublinhando de seguida que "uma grande parte desse orçamento está concentrada" nas suas prioridades políticas. "Desde logo a área da coesão social, que está sob a minha governação enquanto vereador do PS, que tem orçamento de cerca de 33 milhões de euros, quer para habitação quer para a solidariedade social", refere.

Frisando também a segunda descida do IMI neste mandato, que vai poupar 8,9 milhões de euros aos portuenses em 2017, o ex-secretário de Estado da Saúde de José Sócrates exaltou que estas medidas são acompanhadas pela redução da dívida do município, estimando que "descerá para menos de metade" face aos 97 milhões de euros herdados das contas de Rui Rio.




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