Política PSD e CDS prometem confrontar Governo com "austeridade manhosa" e "estado real" do país

PSD e CDS prometem confrontar Governo com "austeridade manhosa" e "estado real" do país

PSD e CDS prometem confrontar Governo com "austeridade manhosa" e "estado real" do país  
PSD e CDS prometem confrontar Governo com "austeridade manhosa" e "estado real" do país
Miguel Baltazar
Lusa 11 de julho de 2017 às 07:37

Em declarações à Lusa a propósito do debate do Estado da Nação, na quarta-feira, o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, defendeu que "há já evidências de que a política financeira deste Governo tem impacto na vida das pessoas", acusando o Governo "de uma austeridade manhosa porque não assumida" ao aumentar impostos indirectos e piorar a qualidade dos serviços públicos.

 

"Mais listas de espera nos hospitais, cirurgias adiadas, escolas encerradas, transportes públicos com muito menos ofertas e pior serviço. E, agora recentemente, um sistema de Protecção Civil que colapsou no exacto momento em que as pessoas precisavam dele -- com perdas humanas como nunca antes tinha acontecido -- e uma estrutura de defesa que não cuidou de garantir a própria segurança", criticou, numa referência aos incêndios que provocaram pelo menos 64 mortos e ao roubo de material de guerra em Tancos.

 

O líder parlamentar do PSD defendeu, por outro lado, que o Governo ficou "muito aquém do que era esperado" em termos económicos e que apenas conseguiu reduzir o défice "a comprimir a um ponto nunca antes visto o investimento público e a fazer cortes na despesa que não quis anunciar ao país com transparência".

 

"Isto denota que não há milagres, o Governo conseguiu um défice inferior a 3% - isso foi fundamental para o país - mas conseguiu fazendo o contrário daquilo que disse", afirmou Montenegro.

 

Na mesma linha, o líder parlamentar do CDS-PP Nuno Magalhães exigiu transparência ao primeiro-ministro António Costa no debate do estado da Nação.

 

"Que diga onde e quais os programas, quais as obras em concreto na saúde, educação, forças de segurança e Forças Armadas que, por força das cativações, deixaram de ser feitos, até para sabermos qual é o estado real da Nação", afirmou.

 

Para Nuno Magalhães, hoje "há dois estados da Nação": "Há o que o senhor ministro das Finanças com um truque orçamental inventou e o estado real", acusou, dizendo que ambos "estão separados por mil milhões de euros".

 

O líder parlamentar do CDS-PP considerou que a tragédia dos incêndios e o roubo de armamento pesado em Tancos marcarão "de forma inevitável" o debate.

 

"O país neste momento debate-se com uma forte crise de confiança nas entidades do Estado, nomeadamente as que têm a ver com a soberania, segurança e defesa nacional", criticou.

 

Apontando a "descoordenação política" e a "vulnerabilidade do Estado" como duas das matérias que o CDS levantará no debate, Nuno Magalhães espera ainda que o primeiro-ministro, António Costa, rompa com o "ensurdecedor silêncio" em relação aos pedidos de demissão do partido dos ministros da Defesa e da Administração Interna.

 

Por seu lado, o líder parlamentar do PSD responsabilizou a opção do Governo de ter feito uma "aliança política" com PCP, BE e Verdes pelo que disse ser "uma ausência de ímpeto reformista".

 

"O governo não vai poder anunciar nenhuma grande reforma neste debate do Estado da Nação", lamentou.

 

Para Luís Montenegro, uma das novidades do ano político é precisamente o comportamento dos partidos da chamada 'geringonça': "O BE e o PCP batem palmas a tudo isto. Simulam ao fim de semana que são oposição mas durante a semana no parlamento viabilizam todas as propostas do Governo".

 

As declarações de PSD e CDS-PP foram feitas à Lusa antes de serem conhecidas as demissões dos três secretários de Estado -- Rocha Andrade, João Vasconcelos e Jorge Costa Oliveira -, a pedido dos próprios, que solicitaram ao Ministério Público a sua constituição como arguidos no inquérito relativo às viagens para assistir a jogos do Euro2016 a convite da Galp.




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mais votado Anónimo 11.07.2017

Para salvar o excedentarismo de carreira ou "a dignificação" da alocação vitalícia de factor produtivo trabalho sem qualquer procura e justificação no sector público o governo PS reduziu o investimento público em bens de capital necessários em áreas muito importantes com crescente procura e incontestável pertinência. Por isso, enquanto alguns portugueses têm uma panóplia de exorbitantes e inusitados direitos adquiridos, outros portugueses têm agora direito ao crematório público como o de Pedrógão, a pagar o supermercado de armas de guerra para criminosos como o de Tancos e a ambulâncias do INEM paradas à noite por esse país fora... Que mais avanços "a pensar nas pessoas" estarão para chegar a Portugal devido à constituição socialista, à anacrónica lei laboral e ao sindicalismo troglodita? Viva a Frente Comum. Viva o socialismo lusitano e o fim da austeridade.

comentários mais recentes
Nesta vuvuzela laranja ..... 12.07.2017

.. a propaganda do PSD e' oferecida sem precisar de assinatura como vemos nos outros artigos !

Anónimo 11.07.2017

As reformas pararam e o despesismo com salários injustificáveis e futuras pensões disparou, iniciando a contagem decrescente para o próximo resgate à República Portuguesa. O engano ou ilusão que se viveu entre 2005 e 2010 está a ser minuciosamente replicado pelo novo governo socialista. Não tenhamos dúvidas disto. Portugal julga-se imune à quarta revolução industrial e mais uma vez opta por não participar nela ou não se adaptar a ela julgando ser possível viver como economia de elevado rendimento usando o paradigma do funcionalismo público excedentário alavancado pelo crédito bancário subsidiado e tendo uma fé inabalável no turismo.

Anónimo 11.07.2017

Não acontecem reformas económicas sem despedimentos nem leis reescritas. Todos os países mais desenvolvidos fizeram ou estão a fazer essas reformas. Portugal caiu no imobilismo. A economia mundial está a crescer neste pós-crise. Portugal apanha a boleia, mas ao contrário de países com políticos sérios e visionários, não se prepara para o que vem aí.

Emigrem 11.07.2017

Estes aldraboes direitolas podiam emigrar

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