"Mais Sociedade" quer aumento do IVA e da idade da reforma (act2)
29 Abril 2011, 14:59 por Jornal de Negócios Online | negocios@negocios.pt
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O movimento "Mais Sociedade" quer aumentar o IVA para possibilitar a redução da Taxa Social Única paga pelas empresas. Elevar a idade da reforma é outra das propostas.
O grupo de reflexão criado por sugestão de Pedro Passos Coelho está hoje reunido em Lisboa para apresentar ideias que podem vir a figurar num futuro programa de Governo.

Entre as propostas, insere-se o aumento do IVA para possibilitar a redução da Taxa Social Única paga pelas empresas.

O porta-voz do movimento "Mais Sociedade" justificou que esta é uma medida geradora de crescimento económico e de emprego. "Reduzindo os custos das empresas estamos a promover o crescimento e o crescimento do emprego. Um dos grandes desafios é fazer crescer o emprego e dar mais oportunidades de crescimento a uma economia que está estagnada", defendeu Joaquim Góis.


O mesmo responsável, citado pela Lusa, defendeu estas alterações fiscais como uma medida potenciadora da competitividade das empresas. "Uma medida dessas no curto prazo vai reduzir o consumo -- e nós também temos que reduzir o consumo e aumentar a poupança -- mas em simultâneo estamos a criar mais oportunidades para as empresas serem competitivas.[...] Com esta proposta está-se claramente a dar um sinal de que é possível aumentar o emprego em Portugal", sustentou, acrescentando que a ideia passa por "tornar o Estado mais eficiente e mais ágil".

Transportes públicos privatizados

Joaquim Góis defendeu também a privatização de empresas públicas de transporte como forma de resolver o problema das dívidas acumuladas ao longo de vários anos.

"Pessoalmente, concordo com essa medida. O setor empresarial do Estado não financeiro tem uma dívida superior a 31 mil milhões de euros e que tem vindo a crescer de uma forma exponencial nos últimos anos e uma das formas de racionalizar a gestão será concessioná-la, dá-la a privados, com contratos públicos muito bem definidos, mas simultaneamente assegurar os resultados operacionais dessas empresas", declarou.


Subida da idade da reforma

Na área da do Serviço Nacional de Saúde e da Segurança Social a proposta pela extensão da idade da reforma e a liberdade de escolha do utente entre serviço de saúde.

Sobre a segurança social, o economista Diogo Lucena, tutor deste painel, defendeu que "alterar a idade da reforma, indexando-a ao aumento da esperança de vida, é uma das medidas mais eficazes". Contudo, salientou que esta mudança deve ser introduzida de forma gradual e não de um momento para o outro.

A diminuição do subsídio de desemprego, uma redistribuição que permita uma "ajuda mais concentrada e dirigida às famílias que mais precisam, em vez de ser "maciçamente distribuída de classe medida para classe média" foram outras ideias defendidas por Diogo Lucena. A título de exemplo, afirma não ver razão para financiar a universidade a um aluno rico.

Propostas não podem ser pensadas para um partido específico

O economista João Duque defendeu hoje que o fórum "Mais Sociedade" não deve produzir propostas direcionadas para um partido específico, pensadas para um determinado programa eleitoral, até porque não é certo que haja uma maioria absoluta saída das próximas eleições.

"Não há garantia que seja um partido a obter maioria absoluta para dirigirmos as nossas propostas para esse partido. Não, as nossas propostas são para o Governo que venha a seguir", disse o também moderador de um dos painéis de do movimento.

João Duque ressalvou, no entanto, que os colaboradores do projeto foram "espicaçados pelo PSD a fazer esta reflexão", ainda que espere que elas possam ser aproveitadas pelos diferentes partidos.

"Espero que elas sejam seguidas [pelos partidos]. Não estamos aqui com intenção de fornecer munições a um partido. Não é isso, pelo menos do meu ponto de vista, que motiva as pessoas. Estamos aqui com a sensação de que o país precisa de ajuda, e estamos aqui para ajudar", disse.


Carrapatoso afasta problemas com PSD

António Carrapatoso, presidente do movimento "Mais Sociedade" recusou hoje qualquer problema na relação com o PSD, dizendo que "tudo está como dantes", assim como qualquer condicionamento do partido às propostas apresentadas pelo movimento, considerando os contactos com os social-democratas "normais".

"Conheço bastante bem o doutor Passos Coelho e Miguel Relvas e é normal que existam contactos e conversas. Não há nada de extraordinário nessas conversas, não há qualquer intervenção ou procura de condicionar esta iniciativa por parte do PSD e isso é que se deve valorizar", afirmou, citado pela Lusa.





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