Rio+20
"Só quando tivermos Katrinas na Europa e América do Norte é que se vai actuar"
20 Junho 2012, 19:08 por Ana Laranjeiro | alaranjeiro@negocios.pt, Alexandra Machado | amachado@negocios.pt
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Fernando Nobre, da AMI, foi bastante crítico sobre os resultados da Cimeira Rio+20 e sobre a postura dos países, sobretudo os desenvolvidos, no ataque às questões ambientais.
"Só quando as catástrofes deixarem de atingir apenas a Ásia, a África, a América Latina, e só quando tivermos Katrinas na Europa e América do Norte é que se vai entender que as alterações ambientais nos podem afectar. Então aí o discurso vai mudar radicalmente".

A crítica aos países mais desenvolvidos foi dirigida por Fernando Nobre, presidente da Assistência média Internacional (AMI) que no Rio de Janeiro participou na conferência Rio+20 Live Connected Lisboa, organizada pela Fundação EDP e pela Fundação das Nações Unidas. Cheias, secas, tempestades, rápida urbanização, pobreza crescente, degradação ambiental, alterações climáticas preocupantes, má ou péssima governação é o cenário descrito por Fernando Nobre para alertar sobre a urgência de se atacar os problemas ambientais.

Mas Fernando Nobre acredita que há, agora, uma janela de oportunidade, pelo facto de o que se perde em riqueza com as catástrofes é superior à riqueza criada mundialmente. "É algo que vai acordar mentes adormecidas".

Fernando Nobre salienta, ainda, que em 20 ou 30 anos "nada poderá evitar cataclismo humano. Chega de números e estatísticas. O que está em causa aqui na Cimeira é a capacidade de sobrevivência da espécie humana num planeta em fase de esgotamento. Acho que o titulo dado à Cimeira, de desenvolvimento sustentável, é eufemístico e branco. Deveria ter sido a Cimeira pela sobrevivência por uma espécie que é nossa e salvaguarda de um planeta que é o nosso".

Para o líder da organização humanitária, "o que está em causa é a nossa própria sobrevivência". E por isso critica a falta de metas e de verbas financeiras resultantes da Cimeira Rio+20. "É de urgência que se trata, nós humanitários estamos com medo de tudo o que nos vai cair em cima dentro 20 a 30 anos. A próxima geração vai ter de enfrentar catástrofes porque a minha geração foi incompetente e laxista".

Fernando Nobre ainda falou dos oceanos, chamando a atenção para a necessidade de Portugal investir nesta riqueza natural. "É tempo, mais que tempo, que o nosso país se invista rapidamente e em força numa riqueza natural que é nossa, não se justifica que ao longo de tantas décadas estejamos de costas voltadas para o mar, que só venha nos discursos eleitorais. O oceano é nosso e temos de explorar. Aí talvez esteja a sobrevivência enquanto país".

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