Política Monetária Redução do balanço da Fed depende do tecto da dívida dos EUA

Redução do balanço da Fed depende do tecto da dívida dos EUA

O banco central dos EUA sinalizou na quarta-feira que pretende iniciar em Setembro a tão aguardada redução do balanço patrimonial de 4,5 triliões de dólares, embora a decisão final sobre o arranque não dependa totalmente da instituição.
Redução do balanço da Fed depende do tecto da dívida dos EUA
Bloomberg
Bloomberg 30 de julho de 2017 às 14:00

Um prazo para elevar o tecto da dívida do governo americano pode complicar os planos da Reserva Federal norte-americana se houver turbulência nos mercados financeiros, especialmente no mercado dos títulos do Tesouro.

 

"Setembro é o desfecho mais provável" para o lançamento do processo de redução do balanço patrimonial, disse Lou Crandall, economista-chefe da Wrightson ICAP em Jersey City, Nova Jérsia. "Mas não posso descartar a ideia de Novembro se a questão do tecto da dívida parecer muito tumultuada", acrescentou.

 

O governo do presidente Donald Trump informou que tem liberdade para continuar a financiar as contas públicas até Setembro, mas depois disso precisa que o Congresso autorize o aumento do limite da dívida para evitar entrar em incumprimento. O secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, insistiu no tema num depoimento na quarta-feira que prestou perante o comité do Senado responsável por gastos discricionários.

 

Argumentando que a ameaça de incumprimento já cria incerteza entre os investidores, Mnuchin insistiu que os parlamentares subam o tecto da dívida antes da paragem de trabalhos no Verão.

 

Estas declarações foram feitas horas antes de a presidente da Fed, Janet Yellen, e os restantes membros do banco central afirmarem a intenção de avançar num período "relativamente breve" com a redução do balanço patrimonial, "desde que a economia evolua amplamente como previsto".

 

A afirmação foi interpretada como um sinal de que, na reunião da Fed dos dias 19 e 20 de Setembro, sairá o anúncio de que o processo começará provavelmente em Outubro.

 

Ainda sobre as questões do banco central, destaque também para os comentários de Trump sobre quem pretende nomear para a presidência da Fed quando terminar o mandato de Yellen, em Fevereiro.

 

Trump declarou ao Wall Street Journal na terça-feira que Yellen "é uma candidata de pleno direito" a um novo mandato, acrescentando nutrir respeito pela presidente da Fed e admirar a sua personalidade. "Eu gostaria que os juros permanecessem baixos. Ela, historicamente, é uma pessoa dos juros baixos", disse Trump ao WSJ. O assessor sénior para os assuntos económicos da Casa Branca, Gary Cohn, também é um forte candidato ao posto, disse o presidente durante a entrevista.

 

Juros mantidos

 

A Fed manteve a taxa directora inalterada na quarta-feira, após três subidas dos juros nos últimos três trimestres. Nas projecções divulgadas em Junho, as autoridades sinalizaram mais um aumento em 2017 e três em 2018. Essas projecções serão actualizadas na reunião de Setembro.

 

Yellen disse este mês no Congresso que a Fed prossegue a via do aumento gradual dos juros, e essa intenção foi reafirmada no comunicado da decisão de política monetária de quarta-feira. Porém, a presidente da Reserva Federal advertiu que esse plano depende de se manter a confiança numa subida da inflação até à meta dos 2%.

 

Após superar brevemente este nível em Fevereiro, o indicador da inflação voltou a recuar e fixou-se em 1,4% nos 12 meses até Maio.

 

O comunicado de política monetária reconheceu a queda da inflação, mas afirmou que a instituição espera, no médio prazo, por uma estabilização em torno da meta dos 2%. "Não vemos uma significativa perda de confiança por parte do comité de política monetária relativamente à possibilidade de, com o tempo, a inflação voltar à meta definida", escreveu Michael Feroli, economista-chefe para os EUA do JPMorgan Chase, num relatório a clientes.




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