Finanças Públicas Regling avisa Portugal: Reversão de cortes na Função Pública "deve ser vista com preocupação"

Regling avisa Portugal: Reversão de cortes na Função Pública "deve ser vista com preocupação"

O presidente do Mecanismo Europeu de Estabilidade avisa que Portugal não deve pôr em risco a competitividade "ganha com muito esforço" nos últimos anos e avisou para o que diz ser o retrocesso das reformas.
Regling avisa Portugal: Reversão de cortes na Função Pública "deve ser vista com preocupação"
Bloomberg
Paulo Zacarias Gomes 27 de Outubro de 2016 às 12:58
O presidente do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), o alemão Klaus Regling (na foto), alertou esta quarta-feira, 26 de Outubro, para a necessidade de Portugal não inverter o rumo das reformas económicas, nomeadamente pelo prejuízo que isso pode ter na competitividade do país, recorrendo à reversão nos cortes dos salários dos funcionários públicos como exemplo.

"Temos de ser muito cuidadosos para que a competitividade que foi ganha com muito esforço (...) para que isso não seja posto em risco," afirmou em declarações citadas pela Reuters. A Bloomberg refere que as palavras de Regling foram ditas ontem aos jornalistas e mantidas sob embargo até às 11:00 desta quinta-feira. 

A reversão dos cortes nos salários dos funcionários públicos foi apontada como ilustrando o que diz ser um retrocesso nas reformas: "É algo que deve ser visto com preocupação" afirmou.

A agência noticiosa dá ainda conta – sem reproduzir declarações na primeira pessoa - que Regling salientou os custos crescentes de financiamento desde que o novo Governo, liderado pelo Partido Socialista e com o apoio dos partidos à esquerda no Parlamento, tomou posse, há cerca de um ano.

Entre Janeiro e Setembro, de acordo com o boletim mensal do IGCP - que gere a dívida soberana portuguesa - o custo de financiamento da dívida directa do Estado emitida está em 2,7%, crescendo dos 2,4% registados em 2015. Em 2011 ficou nos 5,7%.
Cerca de um terço (26 mil milhões de euros) do programa de 78 mil milhões de euros do programa de assistência económica e financeira iniciado em 2011 foi suportado pelo então Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), agora MEE. Aos credores europeus, Portugal deve ainda 51,6 mil milhões de euros, bem como 18,5 mil milhões ao FMI.

No espaço de menos de 24 horas é a segunda vez que um responsável europeu de origem germânica faz considerações sobre a evolução da situação de Portugal desde que, no final de Novembro, o Governo Costa tomou posse. Ontem foi o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, a afirmar que "Portugal vinha tendo muito sucesso até [à chegada] de um novo Governo".

(Notícia corrigida às 13:05, com indicação de que as declarações de Klaus Regling foram feitas ontem e não esta quinta-feira)



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mais votado Zecadex Há 1 semana

Aumento de impostos indiretos, falta de investimento público, Fim dos subsidios ás escolas privadas - Finalidade - Compensar retrocessos e compensações com FP e reformados com pensões chorudas. Como funcionário privado que sou o meu beneficio tem sido "0".

comentários mais recentes
Anónimo Há 4 semanas

O problema é que em Portugal existe uma classe que nada faz, nada produz e tem tudo garantido...gente que não trabalha não devia ter nada vitalício...assim uns trabalham para alimentar esta corja de gente, foram 50 anos de ditadura e agora mais 50 de corrupção...

jose Há 4 dias

O PAÍS DAS MARAVILHAS (PARA ALGUNS)

A FP volta às 35 horas, salários altos e muitas outras benesses...

enquanto os privados trabalham 40, com salários muito mais baixos, e ainda tem que pagar impostos cada vez mais altos para sustentar os privilégios da FP e seus pensionistas.

Joao22 Há 1 semana

Compreendo esta alergia aos vermelhos mas é o que temos de gramar ainda mais uns anos com um PR caquético que so quer audiência.

Anónimo Há 1 semana

Ele que corte o salário dele, que deve ser excessivo de certeza, que os funcionários querem ver os seus contratos honrados e não trabalham só para aquecer e trabalhar de borla horas a mais, com cortes e carreiras congeladas há mais de 10 anos.

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