União Europeia Regulador admite que Brexit pode custar 75 mil empregos na área financeira

Regulador admite que Brexit pode custar 75 mil empregos na área financeira

A saída do Reino Unido da União Europeia pode traduzir-se numa perda de 75 mil postos de trabalho na área financeira, admite o regulador britânico da banca, no caso de o Brexit acontecer sem um acordo comercial.
Regulador admite que Brexit pode custar 75 mil empregos na área financeira
Neil Hall/Reuters
Negócios 01 de novembro de 2017 às 12:53

Sam Woods, CEO da Autoridade de Regulação Prudencial do Banco de Inglaterra, assume que a saída do Reino Unido da União Europeia pode levar a uma perda 75 mil postos de trabalho na área financeira. A previsão foi feita pelo consultor Oliver Wyman e Woods considera, segundo a Bloomberg, que esta estimativa é "plausível" se Londres deixar o bloco económico sem um acordo comercial.

Após a cimeira de dois dias dos líderes europeus, Bruxelas enviou uma mensagem clara a Londres: negociações sobre a relação comercial só a partir de Dezembro. Londres não apresentou garantias suficientes – nomeadamente no que respeita à factura financeira do Brexit – e por isso mesmo a União Europeia não aceitará avançar para a próxima fase das negociações, pelo menos até Dezembro. A Theresa May, líder do Executivo britânico, os responsáveis europeus pediram mais garantias sobre as questões que têm motivado o impasse – factura financeira, direitos dos cidadãos e fronteira irlandesa – para que no final do ano possam avançar para a chamada "fase dois" das negociações, em que será debatida a futura relação entre o Reino Unido e a UE pós-Brexit. Antes desta cimeira, Londres tinha admitido que estava a preparar-se para todos os cenários, incluindo deixar o bloco económico sem um acordo.

Sam Woods revelou ainda que espera que os bancos estejam a colocar em vigor os planos de contingência no primeiro trimestre do próximo ano.

Vários bancos internacionais cuja sede europeia está em Londres já revelaram que vão deslocalizar as suas sedes para outras geografias. Deslocalizando as suas sedes europeias, muitos funcionários da empresa podem acompanhar esse movimento e a factura dessas mudanças pode ascender por banco a 500 milhões de dólares (mais de 423 milhões de euros) ou mais, de acordo com indicações dadas por fontes da Bloomberg, no início do mês passado.

O banco de investimento JPMorgan revelou em Maio que pretende deslocar centenas de funcionários da unidade londrina.

Poucos dias depois foi conhecido que este banco tinha chegado a acordo para adquirir um edifício em Dublin, com capacidade para albergar mil funcionários.

O norte-americano Bank of America escolheu Dublin como localização do seu principal centro na União Europeia depois de o Reino Unido abandonar o bloco regional em 2019. Segundo um comunicado da instituição em Julho, o Bank of America vai mudar parte dos seus serviços de Londres para a capital irlandesa – onde já tem operações - e outras cidades da União Europeia.


Morgan Stanley escolheu Frankfurt para a sua nova sede da unidade de trading após o Brexit. A instituição tem planos para deslocar uma parte do seu negócio de corretagem de Londres para a capital financeira da Alemanha. E parte da operação de gestão de activos do banco vai para capital irlandesa, Dublin.

A cidade alemã de Frankfurt, sede do Banco Central Europeu, foi também a eleita pelo Citigroup para o seu novo centro de corretagem na União, criando entre 150 a 250 novos empregos na capital financeira alemã, noticiou a Bloomberg.

E o banco alemão Deutsche Bank em Agosto ainda não tinha fechado os planos, mas o cenário base do banco passa pela transferência de 4.000 postos de trabalho que estão no Reino Unido para um país da União Europeia.




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