Mundo Relatório diz que liberdade na internet cai pelo sétimo ano consecutivo no mundo

Relatório diz que liberdade na internet cai pelo sétimo ano consecutivo no mundo

A liberdade na internet caiu pelo sétimo ano consecutivo no mundo, devido a um aumento "drástico" das tentativas de muitos governos em manipular a informação das redes sociais, um fenómeno que afectou 18 eleições.
Relatório diz que liberdade na internet cai pelo sétimo ano consecutivo no mundo
Bloomberg
Lusa 15 de novembro de 2017 às 00:10

Esta é a principal conclusão do relatório anual sobre a liberdade na internet, produzido pela organização independente Freedom House (FH), apresentado esta terça-feira em Washington, capital dos Estados Unidos da América, de acordo com a agência de notícias espanhola EFE.

 

"O uso de comentadores pagos e de máquinas políticas para a difusão automática de propaganda governamental teve início na China e na Rússia, mas agora tornou-se global. Os efeitos destas técnicas de disseminação rápida sobre a democracia e o activismo cívico são potencialmente devastadores", explica o presidente da FH.

 

O relatório "Liberdade na Internet 2017" debruça-se sobre o período entre Junho de 2016 e maio deste ano e avalia a situação em 65 países, que representam 87% dos internautas do mundo.

 

"Os governos estão a usar as redes sociais para reprimir a dissidência e promover uma agenda antidemocrática", frisa Sanja Kelly, directora do projecto "Liberdade na Net". "Não é só difícil detectar essa manipulação, mas é mais difícil de combater do que outros tipos de censura, como o bloqueio de 'sites', porque está disperso, e devido ao grande número de pessoas e máquinas automáticas de propaganda implantados para fazê-lo", acrescentou.

 

As tácticas de manipulação e de desinformação na internet desempenharam um papel importante nas eleições em pelo menos 18 países, incluindo os Estados Unidos, "o que prejudicou a capacidade dos cidadãos de eleger os seus líderes com base em notícias objectivas e debates autênticos", destaca o relatório.

 

Além disso, "a fabricação de apoio popular nas redes sociais para as políticas governamentais cria um ciclo fechado em que o regime se protege a si próprio, deixando de fora grupos independentes e cidadãos comuns", defende Sanja Kelly.

 

A manipulação de conteúdos em linha contribuiu, assim, para um sétimo ano consecutivo de declínio geral na liberdade na internet, juntamente com o aumento das interrupções do serviço de internet móvel e o aumento dos ataques físicos e técnicos contra defensores dos direitos humanos e órgãos de comunicação social independentes.

 

Os governos de um total de 30 países implantaram "alguma forma de manipulação" para distorcer a informação na internet.




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