Zona Euro Renzi não cede aos "tecnocratas de Bruxelas" e avisa que manterá Orçamento

Renzi não cede aos "tecnocratas de Bruxelas" e avisa que manterá Orçamento

O primeiro-ministro italiano afiança que o projecto orçamental que incumpre as regras da UE é para manter, justificando que o seu Governo quer "dar um sinal aos cidadãos [italianos] e não aos tecnocratas de Bruxelas".
Renzi não cede aos "tecnocratas de Bruxelas" e avisa que manterá Orçamento
REUTERS
David Santiago 21 de Outubro de 2016 às 14:09

Matteo Renzi não está disposto a ceder e promete não modificar o projecto orçamental italiano para 2017, mesmo que este seja alvo de objecções da parte da Comissão Europeia por violar as regras que visam garantir consolidação orçamental.

 

Em Bruxelas desde a passada quinta-feira para participar no Conselho Europeu, que terminou já esta sexta-feira, 21 de Outubro, o primeiro-ministro transalpino disse estar disposto a "ouvir as observações da União Europeia" sobre o plano orçamental enviado para a Comissão Europeia na última terça-feira. Mas avisou desde logo que o mesmo "não vai ser alterado", até porque o projecto do Orçamento para 2017 aprovado pelo seu Governo inscreve como meta "o défice [orçamental] mais baixo dos últimos 10 anos".

 

Em declarações à Rtl e citado pelo Il Sole 24 Ore, Renzi admitiu a possibilidade de receber recomendações de Bruxelas: "Podem escrever, como se faz sempre, uma carta a pedir explicações ulteriores" - mas já foi avisando que isso não mudará nada porque o objectivo do seu Executivo passa por "dar um sinal aos cidadãos [italianos] e não aos tecnocratas de Bruxelas". O governante italiano assegurou ainda que o tema não foi abordado durante este Conselho Europeu e que não conversou à margem da cimeira com Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão, mas garantiu que isso também "não mudaria nada".  


Em causa está o plano orçamental aprovado no passado sábado pelo Executivo chefiado pelo ex-autarca de Florença e que colide com as regras do pacto orçamental europeu e que arrisca, não apenas ser sujeito a recomendações de medidas de ajustamento orçamental adicionais, ser devolvido por Bruxelas.

 

Trata-se de um Orçamento – que ainda não foi aprovado em sede parlamentar- que apesar de prever uma ligeira redução do défice, de 2,4% para 2,3% do PIB (e não os 1,8% que o próprio Governo de Renzi definiu como meta no Programa de Estabilidade enviado em Maio para Bruxelas). E que antecipa uma queda do excedente orçamental primário (que exclui o pagamento de juros) de 1,5% para 1,4% do produto e ainda um aumento do saldo estrutural primário de 1,2% para 1,6% do PIB (as regras europeias estipulam uma redução de 0,5 pontos).

 

Este é portanto um Orçamento expansionista, que prevê ainda um agravamento da dívida pública para 132,8% ( a segunda mais elevada da UE, a seguir à da Grécia). Fontes europeias citadas pela agência Reuters notam que a Comissão demonstra preocupação face ao documento, o que poderá levar ao envio de uma carta com avisos a Roma. Segundo a imprensa italiana, essa carta poderia seguir já na próxima segunda-feira, embora as fontes europeias citadas pela Reuters afiancem que a Comissão ainda não tomou nenhuma decisão.

 

O plano expansionista do Executivo italiano (descidas de impostos e aumentos das pensões) surge a pouco mais de um mês do referendo constitucional italiano, do qual poderá depender a continuidade de Renzi como chefe de Governo. Contudo, apesar da apreensão em Bruxelas face a Renzi, que se afirmou desde a chegada ao Governo como um crítico da austeridade, o primeiro-ministro é visto como a melhor opção para reformar a política transalpina, propícia a crises políticas.

 

O referendo tem, precisamente, como principal objectivo alterar a lei eleitoral (Italicum), acabar com o bicameralismo perfeito diminuindo os poderes do Senado e reforçar os poderes do Governo, com a promessa de que estas medidas trarão maior governabilidade a um país habituado a Executivos que raramente terminam as respectivas legislaturas.

 

Padoan e Obama do lado de Renzi

 

Presente numa conferência em Frankfurt, o ministro italiano das Finanças, Pier Carlo Padoan, afirmou esta sexta-feira que Roma mantém um "diálogo aberto e construtivo" com a Comissão Europeia, embora tenha reconhecido divergências de "interpretação de algumas regras".

 

Padoan considera que o plano orçamental "combina um aumento do crescimento com a continuação do ajustamento orçamental", embora defenda que isso é feito "tendo em conta circunstâncias excepcionais como a despesa decorrente da crise migratória".

 

E depois de Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, ter esta semana criticado a ortodoxia orçamental europeia, "considerando que "as medidas de austeridade contribuíram para abrandar o crescimento na Europa", e pedindo um reforço da aposta "no crescimento e no investimento", também Padoan pediu hoje "mais Europa e mais investimento".




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mais votado Desanimado Há 2 semanas

Estava a ler este artigo e veio-me à cabeça que na Idade Média nada se podia fazer sem a aprovação do Papa em Roma, nos tempos que correm nada se pode fazer sem a aprovação de Merkel em Berlim. Tristes tempos estes.

comentários mais recentes
coolstreamcomments Há 2 semanas

"O dinheiro dos outros!!, o eterno argumento dos imbecis!

Porque os bancos estão cheios de capitais próprios, não usam e multiplicam o dinheiro dos depósitos, nem nunca pedem ajudas em forma de bailouts!!

Ganhem juízo!!

Desanimado Há 2 semanas

Não há pachorra para certos comentários poucachinhos que pululam por este jornal de pessoas normalmente do laranjal (pouco informadas) ou do status quo (a quem interessa a situação).

Antes de dizerem asneiras informem-se olhem para as estatísticas. Não há pachorra!

http://resistir.info/e_rosa/ue_alemanha_07fev15.html.

nb Há 2 semanas

É mesmo assim. Firme e forte com o dinheiro dos outros. Já o Syriza fazia o mesmo até ao dia em que ...

Ivo Carvalho Há 2 semanas

Ou seja está em campanha eleitoral, depois lá irá baixar a bola e cumprir o que tem de cumprir

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