Política Rio "inscreve" no PSD o candidato que deu maior derrota ao partido no Porto

Rio "inscreve" no PSD o candidato que deu maior derrota ao partido no Porto

O economista Álvaro Almeida é o mais recente militante do PSD, contando com Rui Rio como proponente. O líder eleito quer "voltar a abrir o partido à sociedade e chamar para dentro da sua estrutura quadros qualificados".
Rio "inscreve" no PSD o candidato que deu maior derrota ao partido no Porto
A 21 de Setembro de 2017, Rui Rio participou numa arruada ao lado de Álvaro Almeida e de Pedro Duarte, que era o candidato do PSD à Assembleia Municipal do Porto.
Paulo Duarte
António Larguesa 18 de janeiro de 2018 às 14:56

Álvaro Almeida, o economista que encabeçou, como independente, a candidatura do PSD à Câmara do Porto e obteve nas últimas eleições o pior resultado de sempre para o partido (10,4%), é o mais recente militante dos sociais-democratas, tendo contado com Rui Rio como proponente.

 

O líder eleito do PSD, que recolheu 54,1% dos votos nas directas disputadas com Pedro Santana Lopes, aponta numa nota à imprensa que, ao propor Álvaro Almeida como militante, está a dar "simbolicamente um passo para cumprir um dos objectivos que traçou para o seu magistério no cargo, que é o de voltar a abrir o partido à sociedade e chamar para dentro da sua estrutura quadros qualificados".

 

Nas autárquicas de 1 de Outubro, a coligação Porto Autêntico – juntou PSD e PPM – elegeu apenas o cabeça-de-lista como vereador (sem pelouro). Em relação ao anterior mandato, perdeu um eleito para o movimento independente vencedor e outro para o PS, abrindo caminho à maioria absoluta de Rui Moreira. A votação do novo militante laranja foi metade dos 21% obtidos quatro anos antes por Luís Filipe Menezes, o anterior recorde negativo do partido na Invicta.

 

Nascido no Porto, em 1964, Álvaro Almeida é professor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP), onde se licenciou, e também da Porto Business School. Entre 2005 e 2010 foi presidente da Entidade Reguladora da Saúde e no início de 2015 foi nomeado pelo então ministro da Saúde e actual presidente da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo, para liderar a Administração Regional de Saúde do Norte, cargo a que renunciou há quase dois anos.

 

Desconhecido apoiado por Rui no início e no fim

 

Antes da corrida autárquica, o irmão do presidente executivo da NOS, Miguel Almeida, era uma figura pouco conhecida na cidade, apesar de aqui ter vivido toda a vida, à excepção dos três anos em que foi investigador no Reino Unido – doutorou-se na London School of Economics – e do período entre 1997 e 2000 em que trabalhou no Fundo Monetário Internacional, em Washington.

 

Partindo com esse défice de notoriedade e de experiência na política partidária, Álvaro Almeida teve como mandatário o provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, António Tavares, e contou com o apoio de Rui Rio no lançamento da candidatura – sentou-se então ao lado de Passos Coelho, em Abril do ano passado – e depois numa concorrida arruada pela cidade no encerramento da campanha eleitoral. Em 2013, Rio colocou-se à margem da sua própria sucessão na Invicta, quando o PSD decidiu candidatar Menezes, o seu rival político da margem Sul do Douro.

 

Aliás, esta participação e o envolvimento de Rio e de alguns dos seus maiores apoiantes foram mesmo assinalados por Rui Moreira no discurso de vitória na noite das autárquicas. Poupou Álvaro Almeida, mas apontou os rostos dos "grandes derrotados", nomeando figuras como Paulo Rangel, António Tavares e Rui Rio. "[Utilizaram] a cidade do Porto para disputas de índole nacional. As autárquicas do Porto não são umas primárias secretas do PSD", atacou o presidente da Câmara, antevendo a candidatura, que acabou vencedora, de Rio à liderança do partido.




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comentários mais recentes
Pois 19.01.2018

Os amigos do clube de amigos dos tachos

Anónimo 19.01.2018

Os moralistas da esquerda escolheram os socraticos gatunos do 44

isto escolher gatunos ou nao tanto faz!

Anónimo 18.01.2018

Só sofrem derrota os que desistem de lutar, neste caso os que não concorrem a eleições. Este concorreu a eleições, perdeu, mas não perdeu a dignidade. Mas óbviamente não pertence à vossa família (de uma muita larga maioria de (pseudo) jornalistas) socialista...

Anónimo 18.01.2018

Precisamos de uma oposição forte no parlamento. RR tem de ter atenção que o CDS ainda não pegou no papel de partido populista da senhora LePen. Mas esse papel vai ser tomado porque só com ele conseguem votos suficientes para eliminarem o Centrão de Costa com a CDU e com o BE e com o PAN coligados.

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