Conjuntura Risco de pobreza cai entre as crianças em 2015, mas aumenta entre os idosos

Risco de pobreza cai entre as crianças em 2015, mas aumenta entre os idosos

Em 2015, diminuiu a percentagem da população portuguesa em risco de pobreza, mas há grupos com comportamentos diferentes. Os mais jovens tiveram boas notícias, para os idosos as condições pioraram.
Risco de pobreza cai entre as crianças em 2015, mas aumenta entre os idosos
Bruno Simão
Nuno Aguiar 15 de dezembro de 2016 às 11:29

Quase um em cada cinco portugueses está em risco de pobreza, conclui-se a partir dos dados publicados esta manhã pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). É um número elevado, mas 2015 trouxe um ligeiro alívio, com um recuo de 19,5% para 19%. É essa a percentagem da população que tem de viver com menos 439 euros por mês (5.258 euros por ano).

 

No entanto, segundo o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, nem todos os grupos da população sentiram este alívio. Entre os jovens com menos de 18 anos, o risco de pobreza recuou no ano passado 2,4 pontos percentuais, para os 22,4%. Por outro lado, para os idosos com mais de 65 anos, observou-se um agravamento de 1,3 pontos, para os 18,3%. Para quem está entre os 18 e os 65 anos, o risco de pobreza também diminuiu de 18,8% para 18,2%, enquanto, numa divisão entre desempregados e empregados, não se alterou, fixando-se nos 42% e 10,9%, respectivamente.

 

Estas percentagens são calculadas com base em 60% da mediana dos rendimentos líquidos em Portugal, que em 2015 era 8.780 euros por ano. Ou seja, considera-se que quem ganhe menos do que 60% desse valor está em risco de pobreza.

 

"Em 2015, os riscos de pobreza mais elevados continuavam a registar-se nas famílias com dois adultos e três ou mais crianças dependentes, e nas famílias com um adulto e pelo menos uma criança dependente (42,7% e 31,6%, respectivamente)", escrevem os técnicos do INE.

 

Outra conclusão que se pode retirar dos dados do INE é que os apoios sociais são cada vez menos relevantes para ajudar as pessoas a escapar de situações de pobreza. Se o Estado não pagasse qualquer prestação social, 46,3% dos portugueses estavam em risco de pobreza. Se acrescentarmos apenas as pensões de reforma e sobrevivência, esse valor reduz-se bastante, para os 25,1%. Ao juntar todos os outros apoios – doença e incapacidade, família, desemprego e inclusão social – consegue-se uma nova diminuição, para os já referidos 19%. Isso significa que essas prestações contribuíram para uma diminuição de 6,1 pontos percentuais da taxa de pobreza em 2015, quando em 2014 tinha sido 6,9 pontos e em 2013 7,2 pontos.

 

Taxa de pobreza ancorada

 

Os dados anteriores partem de uma linha da pobreza flutuante. Isto é, como o rendimento mediano do país inteiro se altera de ano para ano, aquilo que podia ser considerado um pobre em 2014 pode já não ser em 2015 e vice-versa. Por isso o INE decide publicar aquilo que se chama uma "linha da pobreza ancorada no tempo". Isto é, quem seria pobre em Portugal, se o rendimento mediano tivesse ficado estabilizado em 2009, último ano antes do período de austeridade. Essa análise mostra números mais preocupante, mas também boas notícias.

 

Começando pelo lado mais negativo, essa linha da pobreza ancorada mostra que temos mais pobres em Portugal: em vez de 19% representam 21,8% da população, quando em 2009 eram 17,9%.

 

Contudo, a evolução recente tem sido positiva e esta óptica mostra um recuo mais pronunciado do que a taxa de pobreza não ancorada. Depois de ter atingido um máximo de 25,9% em 2013, o risco de pobreza recuou para 24,1% em 2014 e para os já referidos 21,8% em 2015. 


(Notícia em actualização)


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mais votado Anónimo 15.12.2016


Em 2015 foram repostas as pensões.

Mas as pensões baixas nunca tiveram cortes.

As mínimas até tiveram aumentos... todos os anos.

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Anónimo 15.12.2016


Em 2015 foram repostas as pensões.

Mas as pensões baixas nunca tiveram cortes.

As mínimas até tiveram aumentos... todos os anos.

Anónimo 15.12.2016



O BURACO ANUAL DA C.G.A. CUSTA MAIS DO QUE O RESGATE DE UM BANCO


PS - PCP - BE - e seus apoiantes - ROUBAM OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO

400 milhões de Euros para aumentar as pensões baixas, são migalhas em comparação com...

os mais de 4600 milhões de euros que o Estado vai injetar, em 2017 (e injeta todos anos) através de transferências diretas do Orçamento do Estado (ou seja, com dinheiro pago em impostos pelos restantes portugueses) para assegurar o financiamento do buraco anual das pensões dos FP-CGA.

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