Roubini: "O euro está a descarrilar em câmara lenta"
09 Maio 2012, 13:27 por Eva Gaspar | egaspar@negocios.pt
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O resultado eleitoral na Grécia é mais uma circunstância que leva o economista a reafirmar a previsão de que o país sairá do euro no espaço de um ano. O resto do grupo, diz, terá sorte se pela frente estiver uma estagnação à japonesa.
Nouriel Roubini diz que a Zona Euro parece um "comboio a descarrilar em câmara lenta".

Os resultados eleitorais na Grécia, refere o economista norte-americano, confirmam a sua previsão de que a saída do país do euro é uma questão de tempo e que esse tempo se mede agora em meses. "Algures no próximo ano, a Grécia sairá do euro."

Os resultados das eleições de domingo não permitem antecipar a possibilidade de formação de qualquer coligação de governo coesa e estável. O Pasok e o Nova Democracia, partidos que durante décadas se alternaram no poder em Atenas e que se comprometeram com as medidas de austeridade exigidas pela UE e FMI a troco de um segundo empréstimo externo, obtiveram menos de um terço dos votos.

As demais formações, mais à esquerda e direita, renegam o memorando de entendimento com a troika e tão pouco deverão ser capazes de apresentar ao presidente grego uma solução aritmeticamente viável, em termos parlamentares. Neste contexto, o desfecho crescentemente provável passa pela marcação de novas eleições, possivelmente em 17 de Junho.

Na ausência de um governo que dê garantias de implementar o prometido, os credores internacionais ameaçam suspender os empréstimos, o que empurraria (de novo) o país para a vertigem da bancarrota e para a porta de saída do euro.

Em entrevista ontem à CNBC, Roubini reafirma ainda que a saída da Grécia não deve ser caso único, mas deverá ser seguida de mais dois ou três países ao longo dos próximos anos, persistindo a probabilidade de um completo desmantelamento da moeda europeia. O melhor dos cenários, considera, é uma estagnação à japonesa. "A Europa terá sorte se acabar em estagnação, como o Japão, nos próximos dez anos."

Há um mês, Roubini escreveu um longo texto em que aconselhava cinco países, entre os quais Portugal, a negociar um "divórcio amigável" do euro. Admitindo que a separação será difícil, argumentava ser uma alternativa melhor à manutenção de um mau casamento, onde "nada" do que está fundamentalmente errado foi resolvido.
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