Conjuntura Rui Rio atribui responsabilidade da crise económica ao poder político, banca e "troika"

Rui Rio atribui responsabilidade da crise económica ao poder político, banca e "troika"

O ex-presidente da câmara do Porto Rui Rio, atribuiu hoje a responsabilidade da crise económica em Portugal ao poder político, à banca e à 'troika' e lamentou que o país não tenha sabido aproveitar a "adesão histórica" ao euro.
Rui Rio atribui responsabilidade da crise económica ao poder político, banca e "troika"
Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 08 de maio de 2017 às 19:41
"O grande responsável, na minha opinião, dos erros que foram cometidos ao longo dos anos e que nos trouxeram até aqui é seguramente o poder político. O poder político é aquele que tem um conjunto maior de más decisões tomadas, ou por omissões tomadas, que nos conduziram até aqui", declarou Rui Rio, à margem de uma conferência que deu no Porto sobre o tema "Portugal as razões de uma crise económica".

Para o economista, ex-presidente da Câmara do Porto e antigo vice-presidente do PSD, o segundo culpado pela crise em Portugal foi "claramente a banca", que foi "muito mal gerida durante muitos anos em Portugal" e cuja "dimensão dos erros foi brutal".

A entrada da 'troika' (designação atribuída à equipa composta pelo Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia), foi outra das razões apontadas por Rui Rio para explicar a crise económica vivida em Portugal, não por ser directamente culpada pela crise, mas por ter tido uma "performance" e ter imposto "medidas" que "não resultaram" da forma como a própria 'troika' explicou que ia resultar.

"Entrou com uma altivez que nos ia ensinar tudo e que nos ia ensinar como as coisas se fazem e ia fazer as coisas direitas e não foi bem assim e os indicadores do pós-troika não merecem que nós possamos bater palmas à 'troika'. Portanto, ela tem, nesta parte final, algum nível de responsabilidade, porque não soube encontrar as soluções mais capazes e eficazes para a economia portuguesa", defendeu.

Um outro erro "grave" de Portugal, e talvez o primeiro que cometeu, para a crise económica, é que o país na segunda parte da década 90 não soube "aproveitar as oportunidades históricas da adesão ao euro", algo que só acontece de 300 em 300 anos e que foi uma "adesão histórica", referiu ainda Rui Rio, insistindo que a adesão ao euro foi quase equivalente à altura dos Descobrimentos.

No início da palestra, Rui Rio sublinhou também que "a grande crise que Portugal tem, mas a Europa também, não é económica, é uma crise política".

"O regime não se adaptou à nova sociedade e está desgastado. A maior parte dos erros relaciona-se com as decisões políticas erradas ao longo dos últimos 41 anos", sustentou.

Questionado pelos jornalistas sobre a polémica entre o actual presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, e o Partido Socialista, Rui Rio escusou-se a comentar, argumentando que, desde que saiu da Câmara do Porto, no dia 22 de Outubro de 2013, nunca mais falou em público sobre aquela autarquia.

"Vou manter isso, o que é eticamente mais aceitável (...). Não vou opinar sobre questões ligadas à Câmara do Porto. Vou manter a tradição (...), aquilo que me impus a mim mesmo de, durante pelo menos o mandato que se sucede aos meus mandatos, emitir opinião pública", declarou à margem da conferência que deu esta tarde no Porto, na Fundação Cupertino Miranda, no âmbito do 2.º aniversário da Pro.Var, uma associação de restauração.



A sua opinião25
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo 08.05.2017

Nenhum Estado do mundo desenvolvido vai à falência, nem nenhuma economia avançada perde irremediavelmente competitividade, se despedir excedentários, flexibilizar as regras laborais para o sector público e privado e atribuir um Rendimento Mínimo a cada um. O mercado encarregar-se-à de elevar os padrões de vida acima do nível mínimo a quem fizer por merecê-lo.

comentários mais recentes
PINTAROLA 09.05.2017

Ó LEITOR esse gajo que refere, o tal ANONIMO (quasi sempre o mais votado), é mais conhecido que o Ronaldo. Varios comentadores já referiram que o gajo deve estar ligado a este jornal. Realmente o tipo comenta a toda a hora e em todo o lado. O gajo ou é "pirulas" ou trabalha aqui, já que só faz isto.

Os ladrões do arco do roubo tem que ser presos 09.05.2017

Os que roubaram os Portugueses do arco do roubo,ficam de fora,esses a que são os ladrões do País e andam a branquear os ladrões do laranjal escavacado ,eles estão bem e vivem feliz com o dinheiro dos nossos impostos e ainda tem grandes reformas e até indemnizaçõe,vou votar geringonça para correr os

Esse é o discurso socialista meu caro !? 09.05.2017

O PS atirou a culpa da bancarrota para todos os lados, troika, bancos (falidos por eles...), crise internacional... conhecemos a cantilena... Digam ao rio poluído, que a culpa é só e apenas, socialista!

Leitor 09.05.2017

Como a nossa economia está em franca ascensão,o tal Anonimo Passista não vai conseguir vender o seu peixe.Aconselho o tal Anonimo Passista a desistir de pregar no deserto.Falo em deserto porque ele vive obcecado pelo deserto.Talvez goste de rolar nas dunas.Anonimo prefira rolar na erva. É mais macia

ver mais comentários
pub
pub
pub
pub