Mundo Rússia veta condenação de ataque químico na Síria. Hollande e Boris Johnson criticam decisão

Rússia veta condenação de ataque químico na Síria. Hollande e Boris Johnson criticam decisão

A Rússia vetou, no Conselho de Segurança da ONU, uma resolução apresentada pelos Estados Unidos, França e Reino Unido para condenar o ataque químico da semana passada na Síria e pedir ao regime que colabore na investigação.
Rússia veta condenação de ataque químico na Síria. Hollande e Boris Johnson criticam decisão
Reuters
Lusa 13 de abril de 2017 às 00:31

O texto vetado pela Federação Russa recebeu 10 votos a favor, três abstenções e dois contra, da Bolívia e da Rússia. Basta o veto de um dos membros permanentes para "chumbar" a recomendação.

 

Trata-se da oitava vez em que Moscovo bloqueia uma resolução sobre a Síria no Conselho de Segurança, desde o início da guerra na Síria.

 

Em várias ocasiões, a sua postura foi apoiada pela China, que hoje se absteve, tal como o Cazaquistão e a Etiópia.

 

François Hollande e Boris Johnson criticam

 

Em reacção, o presidente francês, François Hollande, e o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Boris Johnson, criticaram a Federação Russa pelo veto.

 

Hollande disse que os russos tinham assumido "uma pesada responsabilidade" com o seu veto, acusando Moscovo de proteger "sistematicamente o seu aliado Bashar al- Assad", segundo um comunicado da presidência francesa.

 

"Foi a oitava vez que a Rússia escolheu opor-se à maioria do Conselho", deplorou Hollande, garantindo que "a França não se poupou a esforços, incluindo junto da Rússia, para conseguir um consenso neste texto".

 

No mesmo sentido, Boris Johnson declarou-se "consternado" pelo veto russo. "A Rússia escolheu o mau campo", segundo um comunicado de Johnson, emitido em Londres e que acrescenta que "a comunidade internacional procurou dizer claramente que qualquer utilização de armas químicas, por quem quer que seja, é inaceitável e que os responsáveis deverão pagar as consequências".

 

O chefe da diplomacia britânica recordou que os países do Grupo dos 7 (G-7), que junta as principais sete economias do mundo, tinham afirmado querer trabalhar para procura uma solução para a Síria, mas sem Bashar al-Assad.

 

"Portanto, a Rússia está perante uma escolha: ou continua a manter em vida o regime assassino de Al-Assad ou assume as suas responsabilidades enquanto potência mundial e utiliza a sua influência sobre o regime para acabar com seis anos de cessar-fogo não respeitados", disse.

 

Os EUA, os seus aliados e a rebelião síria atribuíram aos militares sírios o alegado ataque químico, que fez 87 mortos, em 4 de Abril, na localidade de Khan Cheikhoun, controlada pelos rebeldes, no noroeste sírio.

 

Os EUA lançaram a seguir, na noite de 6 para 7 de Abril, um ataque com mísseis contra uma base aérea do regime sírio, qualificada como "agressão" pelos russos, que apoiam o presidente Al-Assad.

 

 


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