Finanças Públicas Sábios alemães advertem: BCE pode estar a gerar nova crise no euro

Sábios alemães advertem: BCE pode estar a gerar nova crise no euro

As baixas taxas de juro e as compras massivas de títulos de dívida criaram um ambiente que "encobre" a necessidade de reformas e de disciplina orçamental. Os governos relaxaram ambas, o que ameaça a estabilidade financeira.
Sábios alemães advertem: BCE pode estar a gerar nova crise no euro
REUTERS
Eva Gaspar 02 de Novembro de 2016 às 12:06

As medidas extraordinárias adoptadas pelo Banco Central Europeu (BCE) ajudaram à recuperação da actividade económica na Zona Euro, mas não criaram uma dinâmica sustentável. Pelo contrário: as baixas taxas de juro e as compras massivas de títulos de dívida criaram um ambiente que mascara a necessidade de os governos prosseguirem com políticas de reforma do funcionamento da economia e de redução do endividamento público, o que aumenta o risco de novas crises de financiamento na Zona Euro.

A advertência foi nesta quarta-feira, 2 de Novembro, lançada pelo grupo de conselheiros independentes que assessora o governo alemão.

"A disposição para as reformas dissipou-se, e alguns países carecem da disciplina orçamental necessária. A política monetária encobre esses problemas e ameaça cada vez mais a estabilidade financeira", escrevem os "sábios" alemães no seu relatório anual.

Para tentar inverter este cenário, recomendam ao BCE que reduza o montante de compra de títulos e ponha termo ao programa mais cedo do que o previsto.

Essa recomendação choca de frente com o que Mario Draghi anunciou ainda no mês passado. "O BCE mantém a intenção de levar a cabo compras de activos até ao final de 2017 e depois disso, se for necessário, até que o Conselho de Governadores verifique um ajustamento do ritmo de inflação", indicou Draghi, ao participar na assembleia anual do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O BCE tem em vigor até Março de 2017 um programa de compra de dívida pública e privada no valor de 80 mil milhões de euros mensais, e mantém a sua principal taxa de juro fixada em 0%, um mínimo histórico.




A sua opinião7
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo Há 6 dias

E estou de acordo. Isto sem governos credíveis, nos países sob assistência ou monitorização, apenas virados para o eleitoralismo, sem coragem nem convicção para avançar com reformas estruturantes, vai fazer com que se habituem "á mama" até que, um dia, o BCE não pode mais. Ai, estaremos liquidados.

comentários mais recentes
RioSado Há 6 dias

Sábios alemães? a única coisa que os alemães sabem fazer é roubar os outros 27 estados. Estão a engordar à nossa custa que nem uns porcos! Mas nós por cá tudo bem... até continuamos a comprar carros alemães... mesmo com toda a poluição que produzem!

Anónimo Há 6 dias


Um governo de ladrões

COSTA LADRÃO, em ação (sempre a roubar os trabalhadores do privado).

Costa garante tudo a todos... desde que que sejam FP-CGA.

Anónimo Há 6 dias

E estou de acordo. Isto sem governos credíveis, nos países sob assistência ou monitorização, apenas virados para o eleitoralismo, sem coragem nem convicção para avançar com reformas estruturantes, vai fazer com que se habituem "á mama" até que, um dia, o BCE não pode mais. Ai, estaremos liquidados.

Anónimo Há 6 dias


ORÇAMENTO PARTICIPATIVO

CIDADÃOS decidem onde CORTAR… 3% da despesa do OE.

Alternativas:

1. Salários da FP

2. Pensões da FP

ver mais comentários
pub
pub
pub
pub