Economia Salário líquido dos funcionários públicos vai voltar a baixar em 2013

Salário líquido dos funcionários públicos vai voltar a baixar em 2013

Os funcionários públicos vão sofrer um novo rombo no seu rendimento mensal. É que embora mantenham, na prática, um corte correspondente aos subsídios de férias e de Natal, o novo mecanismo anunciado pelo primeiro-ministro vai resultar num agravamento fiscal em sede de IRS que fará com que os trabalhadores do Estado recebam um salário líquido inferior.
A diluição de um dos subsídios fará com que o rendimento anual bruto dos funcionários públicos aumente em 2013 face a este ano. Depois, sobre esse salário incide uma taxa social única agravada em sete pontos percentuais, o que faria com que o vencimento líquido fique sensivelmente idêntico ao recebido este ano.

Acontece que pelo simples facto de ter um salário bruto mais elevado, aumentam as retenções a que está sujeito, quer por via da taxa social única, quer por via do IRS, o que será ainda mais agravado caso haja mudança de escalão.


Um exemplo concreto: um trabalhador que tenha actualmente um salário bruto de 1.050 euros vai passar, no futuro, a ter um salário bruto de 1.137,5 euros (com a absorção mensal do subsídio).

Face à actual tabela de retenção, isso significa, de imediato, uma mudança de escalão, e portanto mais IRS a pagar. Se este trabalhador público for solteiro sem dependentes, em vez de uma taxa de retenção de 9%, pagará 10 %. Ser-lhe-á retido 113,75 euros em vez dos 94,5 euros que lhe é retido este ano. Por outro lado, como a base tributária é mais alta, cada ponto percentual que contribui para a Segurança Social será agora mais alto.

Para um salário bruto de 1.050 euros, uma taxa de 18% significaria transferir para a Segurança Social 189 euros. Com o novo vencimento bruto, de 1.137,5 euros, terá de transferir 204,75 euros.

Feitas as contas, este trabalhador, que ganha hoje um salário bruto de 1.050 euros, acabará por perder 35 euros por mês. Falta, ainda, perceber qual o impacto que o crédito fiscal que Passos Coelho anunciou para os salários mais baixos. Mas uma coisa é certa, o crédito fiscal só entrará na bolsa dos contribuintes no ano seguinte, ou seja, em 2014, com o reembolso do IRS.

Os números parecem assim contrariar o que disse o primeiro-ministro durante a apresentação das novas medidas. "O rendimento mensal disponível dos trabalhadores do sector público não será, por isso, alterado relativamente a este ano”. Em reacção, José Abraão, da Fesap, referiu isso mesmo: "O senhor primeiro-ministro anunciou que mantém o corte do subsídio de férias e de Natal. Mas é mais do que isso porque mexe com as tabelas do IRS".



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pedro 11.12.2012

isso ainda era bom se ficasse por aqui mas vai ser mais e pior pq em março ao ver-se que estas medidas em vez de representar poupança para o estado será ao contrário pois vais causar recessão, as pessoas se ganham menos gastam menos, e isso terá efeitos no consumo que por sua vez vai aumentar o desemprego, as falências e incumprimentos. 2013 será o ano do começo da falencias de bancos, de companhias de seguros e a continuar assim 2014 e 2015 governo vai falir ou ter novo resgato.

abcc Há 1 semana

estes jornalistas sao uma tristeza devem ter chumbado a matematica. Se fizerem as contas Bem o valor total ANUAL da TSU q pagam a 18% é o mesmo quer recebam os 12 meses ourecebessem os 12+subsidio. Tambem o IRS a pagar é o mesmo embora possa subir o dsconto mensal por incorporaçao do subsidio no 12 meses,pois o valor tributavel anual nao altera.
Acvrescento apenas q esta transferencia de TSU do trabalhador para a empresa (capital)é vergonhosa pq sao as grandes enmpresas q irao poupar milhoes e q maioritariamente até nem sao exportadoras (Sonae, edp,telecom,pingo doce, brisa....etc) epor outro lado as PME q produzem para o mercado interno vao perder vendas e aumentar o desemprego ao contrario do q o nosso? governo diz.

GekkoTheGreat Há 1 semana

Mas enquanto a FP recebia aumentos em 2008, a função privada perdia o emprego. Hoje em dia ainda tem emprego garantido e os direitos adquiridos enquanto a função privada ao merçê da economia real. Repito, a função pública tem uma média salarial de 2x do que a privada, para não falar que trabalha menos horas! Está na altura de ajustar esta realidade!

Anónimo Há 1 semana

Somos um país de bananas governado por sacanas

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