Mercado de Trabalho Salário mínimo já abrange quase um quarto dos trabalhadores

Salário mínimo já abrange quase um quarto dos trabalhadores

Com o aumento de 5,1% em Janeiro, o número de abrangidos pelo salário mínimo subiu 13,9% em termos homólogos. Há agora 730 mil trabalhadores abrangidos pela remuneração bruta de 557 euros.
Salário mínimo já abrange quase um quarto dos trabalhadores
Bruno Simão/Negócios

São já cerca de 730 mil os trabalhadores abrangidos pelo salário mínimo nacional. Correspondiam no final do primeiro trimestre a 22,9% dos trabalhadores com remunerações declaradas, quase um quinto do total.

Os dados que constam do relatório que é discutido esta quinta-feira em concertação social referem-se ao primeiro trimestre deste ano e já reflectem o impacto do aumento de 5,1% em vigor desde Janeiro. 

 

O quinto relatório de acompanhamento do acordo sobre a retribuição mínima explica que no primeiro trimestre em que vigorou o novo valor (557 euros brutos, em vez dos anteriores 530 euros) o número de abrangidos subiu 13,9% em termos homólogos. São mais 88,9 mil pessoas – trabalhadores por conta de outrem ou membros de órgãos estatutários – que recebem o salário mínimo.

 

O relatório tem a preocupação de referir que o aumento da proporção de trabalhadores que recebem o mínimo (2 pontos em termos homólogos) foi inferior ao que se registou depois dos aumentos de 2016 e 2014. A incidência varia muito: entre as mulheres, os jovens, os trabalhadores pouco qualificados e integrados em microempresas o peso é mais elevado.

 

A partir de 2016, reconhece o Governo, o aumento do salário mínimo ultrapassou o crescimento da produtividade. E a avaliar pelas previsões de Bruxelas, essa tendência deverá manter-se.

 

40% dos novos salários pagam o mínimo

 

Apesar de estarmos a falar do valor mínimo que se pode pagar a um trabalhador a tempo completo, o peso na massa salarial destes salários é já de 11,5%. Além disso, 40% dos novos empregos declarados no primeiro trimestre pagaram o salário mínimo (contra 36% no ano passado).

 

De uma forma geral, considerando os novos e os mais antigos empregos, em Março os salários base aumentavam 1,4%. O que corresponde a 0,6% em termos reais, reflectindo, na opinião dos autores, "uma grande moderação salarial na economia".

 

De uma forma geral, o relatório conclui que "os restantes salários da economia não parecem ser muito afectados" pelo aumento do salário mínimo. Até porque a linha de pobreza – equivalente a 60% da mediana – não variou muito. 


Até Bruxelas moderou a pressão

O Programa do Governo prevê que o salário mínimo aumente para 580 euros em 2018 e para 600 euros em 2019.

 

As confederações patronais poderão sempre alegar que o acordo assinado em 2017 (o mesmo que teve uma adenda sobre o PEC depois de a redução da TSU ter sido chumbada) apenas garante a progressiva evolução do "valor real" da remuneração mínima.

 

Mas a primeira parte dessa alínea do acordo explica que os esforços nesse sentido dependem de "condições económicas e sociais que o possibilitem".

 

Ora, num contexto em que "todas as previsões de crescimento têm vindo a ser revistas em alta", como refere o Governo no documento, e em que o emprego cresce 3,2%, o contexto favorece a argumentação dos sindicatos.

 

Até Bruxelas aliviou a pressão: apesar de alertar para os riscos de um novo aumento, reconheceu no último relatório que estes não se materializaram. E deixou de apresentar o aumento do salário mínimo como um travão à competitividade. O que é referido no relatório como uma "alteração relevante".

 


Notícia corrigida às 16:32 para explicar que em Março havia 730 mil pessoas abrangidas pelo salário mínimo. O valor que se indicava, 724 mil, refere-se à média do primeiro trimestre.

 


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mais votado Anónimo Há 3 semanas

Numa altura em que a maioria do tipo de empregos prevalecentes na economia portuguesa está prestes a ser amplamente automatizado por via das inovadoras soluções, extremamente económicas e eficientes, já disponíveis no mercado global, é forçoso saber alertar para mais este erro de estratégia e planeamento que é querer garantir a fantasia verdadeiramente lunática das carreiras e empregos intocáveis e para toda vida, e ao mesmo tempo decretar múltiplos aumentos salariais. É que se elevassem um pouco os salários por via legislativa e regulatória, mas deixassem despedir excedentários num mercado laboral flexível no sector público e privado, tudo bem. A automação levada a cabo num racional e oportuno processo de substituição de factor produtivo trabalho por factor produtivo capital, dar-se-ia, elevando assim todos os mais cruciais padrões e indicadores económicos da economia portuguesa. Mas impedir o despedimento é condenar mais uma vez a economia portuguesa ao empobrecimento e atraso.

comentários mais recentes
Anónimo Há 3 semanas

A dívida pública nacional na óptica que conta para Bruxelas aumentou quase 4 mil milhões de euros num mês e atingiu um novo recorde.

Anónimo Há 3 semanas

As esquerdas sindicais que vêem no factor trabalho um fim em si mesmo e no sindicato o clube que fanaticamente apoiam quais tiffosi inebriados pelo keynesianismo desmiolado e o marxismo anti-capital, como se houvesse alguma distinção entre os factores produtivos a não ser aquela que advém do valor que a sua combinação consegue gerar com base na mais economicamente racional alocação dos mesmos, têm que perceber que a crise económico-social de equidade e sustentabilidade que se vive é acima de tudo culpa sua porque é com base nas profundas distorções de mercado que fomentam que outras distorções de mercado obtêm as condições para surgir e proliferar.

Anónimo Há 3 semanas

Portugal não tem credibilidade nem autonomia económico-financeira porque não tem tido políticas que permitam a criação, captação e fixação do melhor e mais adequado talento e capital disponível nos mercados globais de talento e capital. Sem flexibilização dos mercados laborais e fortalecimento dos mercados de capitais portugueses, Portugal nunca vai participar nas revoluções industriais como actor principal, secundário ou mesmo figurante. Será eternamente o expectador que chega ao evento sempre perto do acto final e por isso fica sem perceber o pouco daquilo que viu.

Anónimo Há 3 semanas

O factor trabalho, oferecido por pessoas para realizar tarefas, tem de ser imediatamente desalocado assim que a realização dessas tarefas deixa de se justificar por um ano, um mês, um dia ou uma hora que seja. A crise de equidade e sustentabilidade é fruto, podre, da não satisfação dessa regra económica elementar.

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