Economia Schäuble: Zona Euro seria capaz de lidar com saída da Grécia

Schäuble: Zona Euro seria capaz de lidar com saída da Grécia

"A noção de que [a Zona Euro] não será capaz de reagir, rapidamente, a algo imprevisto é errada", aponta o ministro das Finanças alemão numa entrevista, referindo-se a uma possível saída da Grécia da união monetária. A Alemanha quer a Grécia no euro, reforça Wolfgang Schäuble, mas não a pode obrigar.
Diogo Cavaleiro 11 de Maio de 2012 às 08:19

A Alemanha quer que a Grécia permaneça no euro. Mas, mais uma vez, Berlim voltou a frisar que não a pode obrigar a permanecer na união monetária. Nas palavras de Wolfgang Schäuble, a Zona Euro já provou que consegue lidar com questões imprevistas.

“Queremos que a Grécia fique no euro. Mas ela tem de querer e tem de aceitar os compromissos. Não podemos forçar ninguém”, afirmou Wolfgang Schäuble, o ministro das Finanças alemão, reforçando uma ideia que já tinha defendido na quarta-feira. O político disse, contudo, que não faz sentido especular sobre a matéria, na entrevista que deu ao jornal alemão Rheinische Post, citada pela agência Bloomberg.

A Europa estaria preparada para responder a essa saída? “A ideia de que a [Zona Euro] não será capaz de reagir, rapidamente, a algo imprevisto é errada”, defendeu o responsável germânico, na entrevista. Um dos exemplos dessa preparação, avança Schäuble, é a nacionalização do Bankia pelo governo espanhol.

“Aprendemos imenso nos últimos dois anos e construímos mecanismos de protecção”, salientou o ministro do governo liderado por Angela Merkel. “Os riscos de contágio para outros países da Zona Euro caíram e a Zona Euro como um todo tornou-se mais resistente”, considerou.

Gregos têm de cumprir metas para compensar perdão da dívida

Apesar de admitir que esta é uma situação delicada para a Grécia e para os gregos, Wolfgang Schäuble afirma que se tem de dizer aos gregos, “de forma honesta, justa e aberta”, que não há alternativa àquela que foi acordada entre Atenas e os parceiros internacionais. Os investidores – que aceitaram um perdão de dívida parcial – foram longe, agora a Grécia tem de “compensar” ao cumprir os compromissos assumidos, acrescentou.

Schäuble responde, assim, à incerteza política que se continua a viver no país do sul da Europa, depois das eleições de domingo em que nenhum partido recebeu um mandato forte que permitisse formar um governo com estabilidade parlamentar. O Nova Democracia e a Coligação de Esquerda Radical (Syriza), as duas forças políticas mais votadas nesse sufrágio, não conseguiram encontrar parceiros para uma coligação ou para garantir apoio governativo. O Syriza pretende, entre outras coisas, a rejeição do acordo com a troika, o que, se começou logo a especular, levaria Atenas a sair do euro.

Neste momento, o mandato para tentar constituir um governo está nas mãos do Pasok, o terceiro partido mais votado no domingo.




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comentários mais recentes
Antonio Pampilho 11.05.2012

A Alemanha anda a brincar com o fogo,se a Grécia colapsar em termos geoestratégicos pode rebentar uma guerra na Europa de consequências imprevisíveis.

Salvador Costa 11.05.2012

1- Mas como é proibido - embora oficialmente tal não seja assumido - reter um aluno, apesar de não estudar, ter péssimas notas, ser indisciplinado, faltar ás aulas, há muitos alunos com "acompanhamento" de vários professores.2- Por outro lado, a burocratização das funções dos professores - com centenas de papéis para preencher ao longo de um ano letivo- exigiria menos alunos por professor e mais turmas. 3- Como é sabido, a nível europeu, e Portugal, não é exceção, caminha-se no sentido contrário.4-Alunos amontoados em turmas.5- Menos professores por escola.5- Ou seja, e disso não tenho qualquer dúvida, o ensino público europeu caminha para o abismo.6- Mas no fundo, quem se importa: o destino da maioria dos jovens é o desemprego.

Salvador Costa 11.05.2012

1- É completamente absurdo e desastrada a forma como a Zona Euro tem tentado resolver a crise da Grécia.2- Um pacote de regaste sem qualquer sentido de eficácia, que entre a estupidez e a agiotagem deram o resultado que está à vista. 3- Um povo grego prisioneiro de um sistema político e uma sociedade corrupta e com mais vontade para desfrutar dos benefícios do euro do que os sacríficios para o manter. 4- O eterno adiamento da saída da Grécia, que só está a sacrificar o povo grego e a Europa em geral.5- Haja quem tenha coragem política e bom senso de acabar com esta estupidez que está abalar a Europa e o mundo em geral.6-Quer seja da parte dos gregos quer da Zona Euro. 6- Acabe-se, de vez, com esta tragédia.

Luis 11.05.2012

Temos a Des(união) europeia no seu melhor. Ou seja, queres sair sai.Com este tipo de comportamentos, como é possivel ter uma união monetaria?E o que devemos perguntar é porque razão paises mais debeis economicamente deverão estar numa união monetária quando os paises mais desenvolvidos tratam desta maneira os mais atrasados. Por outras palavras, sem solidaridade nada se pode construir. E a Alemanha prova mais uma vez que se está nas tintas para os outros.

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