Zona Euro Schulz concorda com ideia de Macron sobre orçamento comum da Zona Euro

Schulz concorda com ideia de Macron sobre orçamento comum da Zona Euro

O social-democrata candidato a chanceler alemão concorda com a ideia defendida pelo presidente eleito francês sobre a criação de um orçamento dos países que integram o bloco do euro.
Schulz concorda com ideia de Macron sobre orçamento comum da Zona Euro
David Santiago 10 de maio de 2017 às 11:41

Se a eleição de Emmanuel Macron auspicia uma maior proximidade entre Paris e Berlim, a possibilidade de Martin Schulz ser eleito chanceler alemão tornaria ainda mais alinhados os interesses do eixo franco-alemão.

 

Em entrevista publicada esta quarta-feira, 10 de Maio, pelo jornal alemão Die Zeit, o ex-presidente do Parlamento Europeu e candidato à chancelaria germânica nas legislativas de Setembro pelo SPD mostrou-se próximo da ideia de Macron, presidente eleito francês, sobre a criação de um orçamento comum da Zona Euro.

 

A constituição de um orçamento no âmbito das economias do euro "faria sentido", admitiu Schulz na entrevista ao semanário alemão em que defendeu a necessidade de "aprofundar" a integração da Zona Euro. A este respeito, Macron defende mesmo que o bloco da moeda única deve ter ministros responsáveis pelas Finanças e pela Economia.

 

O candidato a chanceler garante que se as economias do euro quiserem enfrentar os desafios em "conjunto", um orçamento comum é uma ideia a considerar. Nesse sentido, Schulz defende que os países do euro precisam encontrar uma estratégia para garantir criação de emprego e maior crescimento.

 

Ao longo da campanha eleitoral, Emmanuel Macron propôs mesmo a "mutualização de dívidas futuras" – exclui a mutualização das dívidas contraídas no passado - como forma de financiar o referido orçamento partilhado da Zona Euro. Para Macron a emissão dos chamados "eurobonds" (títulos de dívida europeus) permitiria financiar os investimentos necessários no bloco do euro e assegurar uma maior coesão das economias da moeda única.

 

Macron já sinalizou também a importância de a Alemanha reduzir os elevados excedentes comerciais, o que estimularia as exportações dos parceiros do euro e reforçaria a coesão da Zona Euro. Mas apesar de também Martin Schulz já ter falado na necessidade de Berlim fazer mais para promover o crescimento das restantes economias do euro, garante ser "errado" criticar o excedente comercial alemão.

 

Quem se mostrou menos receptivo às propostas feitas por Macron, pelo menos quanto ao "timing" das mesmas, acerca do aprofundamento da integração europeia foi Jean-Claude Juncker. O presidente da Comissão Europeia não considera que os partidos europeus estejam preparados para discutir muitas das ambiciosas propostas.

 

Juncker instou Macron a assegurar que a França não irá desperdiçar tempo com questões laterais quando tem urgência em reduzir o elevado défice orçamental e a alta dívida pública. "A França gasta demasiado dinheiro, e gasta-o nas coisas erradas", disse. Macron - que toma posse no próximo domingo às 10:00 - 9:00 em Portugal Continental - já se comprometeu em aplicar medidas que permitam a França registar ainda em 2017 um défice inferior à meta dos 3%.


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mais votado Anónimo Há 2 semanas

"We will gradually enter a time where having a lifetime employment based on tasks that are not justified will be less and less sustainable - we're actually already there." - Emmanuel Macron www.msn.com/en-gb/video/other/french-civil-servants-no-more-jobs-for-life/vi-AAeGlDD

comentários mais recentes
Amado Há 2 semanas

ROBERT REICH
DESIGUALDADE E POPULISMO
LISBOA : ISCTE, AVª FORÇAS ARMADAS, 11.05.2017, 18H00.
Conferência intitulada "Como a desigualdade nos Estados Unidos criou Trump: um aviso à Europa". Vale a pena assistir, como vale a pena conhecer as suas ideias . . .

Anónimo Há 2 semanas

Alemanha e as suas organizações fazem rondas de desalocação de factor trabalho excedentário. Tome-se como exemplo a Siemens ("Siemens AG plans to cut about 2,500 mostly German jobs in a bid to stay competitive amid falling demand in energy, mining and metals"), a Volkswagen ("VW to cut 3,000 office jobs in Germany by end 2017"), os caminhos de ferro Deutsche Bahn ("According to the plans about 5,000 jobs could go in the freight division alone. The state-owned company is working with consultancy McKinsey on the plans which are due to be finished by December and agreed by the supervisory board."), o Deutsche Bank ("The bank will close 200 branches in Germany -- with the loss of 4,000 jobs") e tantos outros nomes sonantes e menos sonantes do mundo das organizações. Isto mostra-nos a importância de deixar funcionar os mercados de factores produtivos e de bens e serviços nas economias.

Anónimo Há 2 semanas

Ui quero ver os países do sul a ir nessa conversa e depois a terem de justificar gastos com boys. Sinceramente eu concordo e mais queria era ministros estrangeiros estou farto desta corja. No entanto o fulcral do panorama mundial é simples demasiada gente no planeta.

Anónimo Há 2 semanas

Dívida e excedentarismo são duas faces da mesma má moeda. É preciso expulsá-la dos nossos Estados, economias e sociedades para pôr termo à grave crise de equidade e sustentabilidade que flagela a Eurozona e atrasa o processo de integração europeu.

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