Economia Se Relvas ameaçou com dados privados da jornalista "é muito difícil continuar em funções"

Se Relvas ameaçou com dados privados da jornalista "é muito difícil continuar em funções"

Marcelo Rebelo de Sousa considera que Miguel Relvas tem a permanência no governo dificultada se ameaçou a jornalista do "Público" com a divulgação de dados privados da sua vida. Para o comentador, só é preciso esclarecer uma coisa: "Ou, na conversa, [Relvas] falou em certas coisas ou não falou".
Diogo Cavaleiro 20 de Maio de 2012 às 21:51
Se Miguel Relvas realmente ameaçou a jornalista que segue o caso das secretas com a divulgação de dados da vida privada, a sua continuidade no Governo é “muito difícil”, considera o comentador político Marcelo Rebelo de Sousa.

“No caso extremo, prova-se a coisa mais grave, que é ter falado à editora nos dados privados da vida da jornalista. Aí, é muito difícil um ministro continuar em funções”, declarou Rebelo de Sousa, no comentário habitual ao domingo, na TVI. “Nesse caso, acho que não deveria continuar”, concluiu.

O caso “extremo” falado pelo comentador é surpreendente porque é uma “imprudência muito grande” de alguém que conhece os media: “Se há pessoa que percebe de comunicação social é Miguel Relvas”. Razão pela qual Marcelo Rebelo de Sousa diz não perceber como o ministro que tem a tutela do sector se envolveu neste caso, atribuindo, por exemplo, o “cansaço” como causa.

“Ou, na conversa, [Miguel Relvas] falou em certas coisas ou não falou”

Ainda assim, o professor universitário considera que há outros desfechos possíveis para este caso. E tudo dependerá do que foi dito nos telefonemas em que, alegadamente, houve as ameaças. “Ou, na conversa, [Miguel Relvas] falou em certas coisas ou não falou”.

Como referido, as ameaças à divulgação de dados da vida privada da jornalista Maria José Oliveira – que tem acompanhado, para o “Público”, o caso das secretas – teriam, muito provavelmente, de levar à saída do Governo, segundo Rebelo de Sousa.

Se tivessem acontecido as ameaças de um “blackout” do Executivo ao jornal – como também acusa o jornal –, sem a divulgação dos dados da vida privada, a situação do ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares ficaria “fragilizada”, mas sem uma eventual saída do Governo.

Ao mesmo tempo, também se poderá não provar nada ou provar que não houve ameaças – o que, refere o comentador político – fecharia as portas a este caso.

Ou seja, é só preciso saber o que foi dito no telefonema à editora de política do jornal “Público”.

Na nota da direcção editorial do jornal, publicada a 18 de Maio, é indicado que “num telefonema à editora de política do jornal, na quarta-feira, Miguel Relvas ameaçou fazer um blackout noticioso do Governo contra o jornal e divulgar detalhes da vida privada da jornalista Maria José Oliveira, de quem tinha recebido nesses dias um conjunto de perguntas relativas a contradições nas declarações que prestara, no dia anterior, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias”.

Relvas tem sido preservado por Passos Coelho; BE e PCP querem proveito político

Sobre a rejeição de Passos Coelho a qualquer ataque à liberdade de imprensa por parte de Relvas, hoje, o professor universitário considera que “o primeiro-ministro veio preservar Miguel Relvas”.

Algo que, segundo o antigo político, tem sido feito desde o início do ano, depois de um período em que o ministro Adjunto "desapareceu durante um mês e meio a dois meses", para atenuar o desgaste que vinha a verificar. Passos Coelho expôs-se mais, "porque sente que [Relvas] é importante para o Governo".

No comentário, Rebelo de Sousa criticou ainda a oposição - mais propriamente o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda, deixando de lado o Partido Socialista - por atacar Miguel Relvas. O PCP já pediu, por exemplo, a demissão de Relvas caso se confirmem as pressões ao "Público".

"É indiscutível que o PCP e o BE estão a tentar tirar proveito político em termos de campanha contra Miguel Relvas", disse Marcelo Rebelo de Sousa no comentário.



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comentários mais recentes
A. Dias 24.05.2012

Se o publico esta a fazer publicidade para vender mais jornais, pela minha parte o tiro saiu-lhe pela culatra.Há ou não há instancias para julgar casos desta natureza e punir os prevaricadortes?Portugal precisa é de quem trabalhe para sair do estado a que chegou e deixar-se de politiquices.

mdois 22.05.2012

Os jornalistas gostam de se meter na vida das pessoas e quando levam uma nega ficam fulos. Têm a mania que são donos da palavra e que são sérios. Alguns são outros não, como em todo o lado.

Codigo560 22.05.2012

Isto está a fazer lembrar-me os tempos em que o líder parlamentar laranja da época, um tal Duarte Lima, controlada os colegas deputados ameaçando com a divulgação de excertos do seu caderninho dos horrores...

maria 21.05.2012


Há alturas que os comentários do prof Marcelo não se aguentam ! Melhorou a qualidade da comunicação quando deixou a RTP,mas ultimamente estava muito fraco.
O prof . devia fazer umas férias como comentador e voltar renovado, até porque
os seus comentários fazem falta,mas não sempre!

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