Política Monetária Senado norte-americano confirma Powell para liderar a Fed

Senado norte-americano confirma Powell para liderar a Fed

A câmara alta do Congresso dos Estados Unidos votou favoravelmente o nome de Jerome Powell para liderar os destinos do banco central a partir de Fevereiro.
Senado norte-americano confirma Powell para liderar a Fed
Reuters
Carla Pedro 24 de janeiro de 2018 às 01:18

O Senado dos EUA votou favoravelmente, por 84-13 votos, o nome de Jerome (Jay) Powell para substituir Janet Yellen na liderança da Reserva Federal a partir de 3 de Fevereiro.

 

Com esta confirmação, Powell (na foto) iniciará assim um mandato de quatro anos e será o primeiro presidente da Fed desde 1981 que não é licenciado em Economia [mas sim em Direito].

 

Esta é também a primeira vez em quatro décadas que um presidente da Fed não cumpre um segundo mandato, já que Janet Yellen apenas cumpriu quatro anos à frente dos destinos do banco central dos EUA.

 

Quem é Powell? Um mocho sábio entre pombas e falcões

 

Jerome Powell, anunciado a 2 de Novembro por Donald Trump como o próximo presidente da Reserva Federal norte-americana a partir de Fevereiro de 2018 [caso o Senado o aprovasse, o que veio agora a suceder], está na Fed desde 25 de Maio de 2012, sendo conhecido por defender políticas monetárias mais suaves – pelo que o seu nome é bem visto em Wall Street, já que se espera uma continuidade da linha de Yellen, que tem agradado aos mercados.

 

Powell foi banqueiro de investimento e actualmente era membro do Conselho de Governadores da Fed, o órgão de administração do Sistema da Reserva Federal, tendo sido nomeado durante a presidência de Barack Obama.

 

Aquele que vai ser o novo presidente da Fed tem sido considerado como moderado em termos de política monetária e económica. E não se mostra tão preocupado como Yellen com o facto de a inflação nos EUA estar ainda longe da meta dos 2%, mas advoga que esse facto é motivo para manter as taxas de juro baixas e optar, como tem sido feito, por uma subida progressiva.

 

Na gíria da política monetária, imperam as pombas (que querem manter as taxas de juro em níveis baixos e promover o crescimento do emprego) e os falcões (são a favor de juros mais altos para controlar a inflação).

 

Janet Yellen é tida como pertencendo ao primeiro grupo por ser apologista de medidas de estímulo à economia [mesmo que isso faça subir a inflação acima do que se desejaria - o que, de qualquer das formas, não aconteceu, pois a inflação está ainda longe da meta proposta pela Fed].

 

Já Jay Powell, como é conhecido, é tido como tendo uma postura mais "hawkish", sobretudo por não defender um endurecimento monetário em nome da estabilidade financeira. No entanto, também advoga ideias que pendem mais para o lado "dovish", sendo por isso considerado um homem que está quase no meio termo. Powell apoia, por exemplo, a recente ortodoxia da Fed, nomeadamente, como já referido, a subida gradual dos juros directores.

 

Richard Fisher, ex-presidente da Fed de Dallas, considera, pois, que Powell não é "nem falcão bem pomba". "Costumava dizer que todos queremos ser mochos sábios. E penso que Powell se encaixa muito bem nessa categoria", sublinhou em declarações ao New York Times.

 

Ainda segundo Fisher, Powell é um moderado por defeito. "Durante um jantar, tentei que ele bebesse mais de dois copos de vinho, mas não o fez", recordou.

 

Já o The Wall Street Journal diz que há dois tipos de presidentes da Fed, os que têm personalidades dominadoras e os que constroem consensos, sendo que Powell se encaixa nesta última.

 

Powell foi também vice-secretário do Tesouro, sob a presidência de George W. Bush, tendo tido a seu cargo a monitorização da regulação bancária, do mercado obrigacionista e outros domínios similares às responsabilidades que ocupou depois no banco central, relembra a CNBC.




A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
pub