Política Monetária Senado norte-americano decide a 5 de Dezembro se Powell vai liderar a Fed

Senado norte-americano decide a 5 de Dezembro se Powell vai liderar a Fed

A câmara alta do Congresso dos Estados Unidos vai votar na próxima terça-feira o nome de Jerome Powell para liderar os destinos do banco central a partir de Fevereiro.
Senado norte-americano decide a 5 de Dezembro se Powell vai liderar a Fed
Reuters
Carla Pedro 30 de novembro de 2017 às 22:25

O comité da banca do Senado dos EUA vai pronunciar-se na próxima terça-feira sobre a nomeação, por Donald Trump, de Jerome (Jay) Powell para substituir Janet Yellen na liderança da Reserva Federal a partir de 3 de Fevereiro de 2018.

 

Se Powell for confirmado pelo Senado, será o primeiro presidente da Fed, em quase quatro décadas (desde 1981), que não é licenciado em Economia [mas sim em Direito], conforme salienta a Fortune. E será a primeira vez em quatro décadas que um presidente da Fed não cumpre um segundo mandato.

 

A votação no Senado deveria ter acontecido na segunda-feira, 28 de Novembro, mas foi adiada. No dia 5 de Dezembro será então tomada a decisão, que está marcada para as 10:00 de Washington (15:00 em Lisboa).

Quem é Powell? Um mocho sábio entre pombas e falcões

Jerome Powell, anunciado a 2 de Novembro por Donald Trump como o próximo presidente da Reserva Federal norte-americana a partir de Fevereiro de 2018 [caso o Senado o aprove], está na Fed desde 25 de Maio de 2012, sendo conhecido por defender políticas monetárias mais suaves – pelo que o seu nome é bem visto em Wall Street, já que se espera uma continuidade da linha de Yellen, que tem agradado aos mercados.

 

Powell foi banqueiro de investimento e actualmente era membro do Conselho de Governadores da Fed, o órgão de administração do Sistema da Reserva Federal, tendo sido nomeado durante a presidência de Barack Obama.

 

O recém-nomeado como novo presidente da Fed tem sido considerado como moderado em termos de política monetária e económica. E não se mostra tão preocupado como Yellen com o facto de a inflação nos EUA estar ainda longe da meta dos 2%, mas advoga que esse facto é motivo para manter as taxas de juro baixas e optar, como tem sido feito, por uma subida progressiva.

 

Na gíria da política monetária, imperam as pombas (que querem manter as taxas de juro em níveis baixos e promover o crescimento do emprego) e os falcões (são a favor de juros mais altos para controlar a inflação).

 

Janet Yellen é tida como pertencendo ao primeiro grupo por ser apologista de medidas de estímulo à economia [mesmo que isso faça subir a inflação acima do que se desejaria - o que, de qualquer das formas, não aconteceu, pois a inflação está ainda longe da meta proposta pela Fed].

 

Já Jay Powell, como é conhecido, é tido como tendo uma postura mais "hawkish", sobretudo por não defender um endurecimento monetário em nome da estabilidade financeira. No entanto, também advoga ideias que pendem mais para o lado "dovish", sendo por isso considerado um homem que está quase no meio termo. Powell apoia, por exemplo, a recente ortodoxia da Fed, nomeadamente, como já referido, a subida gradual dos juros directores.

 

Richard Fisher, ex-presidente da Fed de Dallasm considera, pois, que Powell não é "nem falcão bem pomba". "Costumava dizer que todos queremos ser mochos sábios. E penso que Powell se encaixa muito bem nessa categoria", sublinhou em declarações ao New York Times.

 

Ainda segundo Fisher, Powell é um moderado por defeito. "Durante um jantar, tentei que ele bebesse mais de dois copos de vinho, mas não o fez", recordou.

 

Já o The Wall Street Journal diz que há dois tipos de presidentes da Fed, os que têm personalidades dominadoras e os que constroem consensos, sendo que Powell se encaixa nesta última.

 

Powell foi também vice-secretário do Tesouro, sob a presidência de George W. Bush, tendo tido a seu cargo a monitorização da regulação bancária, do mercado obrigacionista e outros domínios similares às responsabilidades que ocupou depois no banco central, relembra a CNBC.




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