Ásia Seul propõe investigação independente à Presidente sul-coreana

Seul propõe investigação independente à Presidente sul-coreana

O mandato da Presidente - indiciada por corrupção e tráfico de influências - termina dentro de 15 meses. Caso Park se demita antes, a lei obriga a eleições no prazo de 60 dias.
Seul propõe investigação independente à Presidente sul-coreana
Reuters
Lusa 22 de Novembro de 2016 às 07:22

O Conselho de Ministros sul-coreano aprovou hoje uma proposta de lei para criar um comité independente para investigar o caso de corrupção e tráfico de influências em que a Presidente sul-coreana, Park Geun-hye, foi declarada cúmplice.

 

Segundo a proposta, o novo comité contará com três membros -- dois eleitos pelos partidos da oposição e um pela própria chefe de Estado --, que terão à sua disposição uma equipa de 105 investigadores, de acordo com agência noticiosa sul-coreana Yonhap.

 

A Presidente da Coreia do Sul precisa de dar 'luz verde' para o comité ser criado, algo que se estima que acontecerá dado que Park Geun-hye manifestou a intenção de evitar a via legal normal após ter sido assinalada pela Procuradoria, no domingo, como cúmplice no âmbito do "Choi Soon-sil gate".

 

A Procuradoria não pode acusar Park porque a Constituição sul-coreana concede-lhe imunidade, excepto em casos especiais, como traição.

 

Segundo a Procuradoria da Coreia do Sul, a Presidente teve um papel "considerável" no escândalo de corrupção e tráfico de influências que envolve o Governo, ao acusar formalmente uma amiga próxima de Park Geun-Hye e dois antigos assessores. Terá cooperado com a sua amiga, Choi Soon-sil, e outros dois ex-colaboradores que terão pressionado mais de 50 empresas do país para doarem 65,7 milhões de dólares (62 milhões de euros) a duas fundações.

 

Uma vez 'aprovada' pela Presidente, essa comissão independente terá 20 dias para preparativos e outros 70 para levar a cabo a investigação propriamente dita.

 

A criação do comité foi aprovada em Conselho de Ministros apesar da ausência da chefe de Estado, que não participa nas reuniões há seis semanas devido a este escândalo, que desencadeou a maior crise política dos últimos anos na Coreia do Sul.

 

Existem dúvidas de que a Presidente também se apresente à Procuradoria para ser interrogada, já que o seu advogado colocou em causa a sua neutralidade.

 

Entretanto, na segunda-feira, as duas principais forças da oposição da Coreia do Sul anunciaram que vão avançar com um processo de destituição de Park, dado que a chefe de Estado recusa demitir-se apesar dos protestos massivos a que o país tem assistido para que o faça.

 

A indignação dos sul-coreanos, incluindo de membros do seu partido, tem por base a ideia de que a Presidente foi manietada durante o seu mandato por Choi, que não desempenha qualquer cargo público e foi comparada pelos meios de comunicação social à figura de Rasputin.

 

Uma recente sondagem coloca a taxa de aprovação de Park nos 5% -- o valor mais baixo alguma vez alcançado por um Presidente na Coreia do Sul desde que o país alcançou a democracia no final da década de 1980.

 

O mandato da Presidente termina dentro de 15 meses.

 

Caso Park se demita antes, a lei obriga a eleições no prazo de 60 dias.




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