Economia Sociais-democratas alemães põem condições a Merkel para aprovar Tratado Orçamental

Sociais-democratas alemães põem condições a Merkel para aprovar Tratado Orçamental

Os sociais-democratas alemães (SPD) exigiram hoje ao Governo de Angela Merkel a implementação de um imposto sobre transacções financeiras e uma maior responsabilização dos bancos, para votarem a favor do Tratado Orçamental no parlamento.
Negócios 15 de maio de 2012 às 10:26
As propostas do SPD foram apresentadas em conferência de imprensa, em Berlim, pelos três potenciais candidatos do maior partido da oposição a chanceler federal nas legislativas de 2013, Peer Steinbrück, Sigmar Gabriel e Frank Walter Steinmeier.

Tal como o novo Presidente francês, François Hollande, o SPD recusa o Tratado Orçamental na sua versão atual, anunciaram os mesmos políticos.

Sigmar Gabriel advertiu, simultaneamente, para decisões que possam pôr em risco a manutenção da zona euro, no âmbito do combate à crise das dívidas soberanas.

"É melhor não irem por aí, porque as consequências políticas e financeiras da não continuidade da União Económica e Monetária e de uma via alemã seriam imprevisíveis", disse o presidente dos sociais-democratas.

Em alternativa, é necessário "corrigir passo a passo os erros de construção da zona euro, reanimando as economias menos desenvolvidas", o que será um longo processo", acrescentou o líder do SPD.

Sigmar Gabriel admitiu, simultaneamente, que não é possível fazer tais correções num curto espaço de tempo, e que será "uma tarefa para durar várias gerações, e não apenas alguns meses".

Para financiar os países em dificuldades, o SPD propõe que seja introduzido um imposto sobre transacções financeiras à escala europeia, em vez de se contraírem mais dívidas.

No que se refere à aprovação do Tratado Orçamental no parlamento alemão, o SPD exige, em troca de um voto favorável, adendas que contemplem estímulos ao crescimento económico, a par do "travão" á dívida que já faz parte do documento.

"O crescimento não pode ficar paralisado durante a crise, senão o Tratado Orçamental fracassará", advertiu o líder parlamentar do SPD, Frank-Walter Steinmeier.

Para aprovar o Tratado no parlamento germânico, é necessária uma maioria de dois terços, porque este inclui no seu clausulado uma renúncia parcial da Alemanha à sua soberania, em favor do Tribunal Europeu de Justiça, que pode decretar sanções contra países incumpridores.

Para isso, no entanto, o Governo de centro-direita liderado por Angela Merkel necessita do apoio da oposição social-democrata e ambientalista nas duas câmaras legislativas (Bundestag e Bundesrat).

As votações nas referidas câmaras já tinham sido agendadas para 25 e 26 de maio, mas foram entretanto adiadas.

Num manifesto de seis páginas, os sociais-democratas alemães exigem ainda uma maior responsabilização dos bancos por prejuízos causados por operações especulativas, a separação dos bancos comerciais dos bancos de investimentos e uma agência europeia de supervisão bancária.

Além disso, o SPD defende a criação de uma união social europeia, para equiparar gradualmente os salários e as condições de trabalho dos países membros.


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Anónimo Há 2 semanas

1 - Apraz ler que o SDP está fortemente cpomprometido com a UEM; 2 - Adenda...precisa-se e isso não será obstáculo de maior para Angelina Merkel (embora desconfie do "crescimento" estipulado numa adenda...); 3 - Reanimem-nos (a nós os sub da ZOna Euro): chamem o BEI, injectem lá mais biliões e caia uma chuva de milhões nos céus de Portugal, que os Tugas agradecem; 3 - Continuo a não ver como é que se pode conciliar o "crescimento" sócio-democrata/socialista com o "travão à dívida"., pois isso é o que está agora a acontecer...Vão à bruxa, ou melhor, ao Sócrates que está por aí. Com o cabedal de conhecimento inato + o adquirido na Sorbonne, ele tem a receita = Travões à Dívida + Crescimento adendado = Aceleração do PIB. Nem Einstein resistiria a esta sábia equação...

Mula ! Há 2 semanas


O princípio do fim desta mula está à vista e nascerá dentro do seu próprio reduto !

MAGALHÃES PINTO Há 2 semanas

O SPD divulgou as suas condições para aprovar o Tratado Orçamental . Bem vistas as coisas ,não há razão para tantos foguetes dos que esperavam ver chegar os euro bonds ou os project bonds em catadupa, para criar emprego sem criar riqueza. Afinal, o SPD é bem claro - criação de uma taxa financeira para apoiar os países mais necessitados em projectos de crescimento ,nunca aumento de dívida,pelo que os mais atrasados ( seremos nós?)levarão uma ou mais gerações a recompor-se .Recompostos ,há que aproximar as condições sociais entre os países ,o que decorre naturalmente de solidez financeira e económica semelhantes .E esta? Um dia antes de Hollande ir a Berlim ,os seus colegas também já lhe deram a resposta - reformas estruturais ,diminuição do peso do Estado e uma ajuda proveniente de um imposto financeiro para alavancar os projectos rentáveis . Sempre me pareceu que os Alemães nunca gostaram de cigarras ....

Marafarrico Há 2 semanas

Finalmente, leio nos média algo óbvio e que ninguém parece ver:
"Em alternativa, é necessário "corrigir passo a passo os erros de construção da zona euro,(...) admitiu, simultaneamente, que não é possível fazer tais correcções num curto espaço de tempo, e que será "uma tarefa para durar várias gerações, e não apenas alguns meses".
"
No nosso caso, com 50% da população activa habilitada só com a 4ªa classe, precisámos de uma ou duas gerações até podermos "jogar na mesma liga económica" da Alemanha, França ou Inglaterra. Nestes países 80% das pessoas aprovaram o Ensino Secundário. A construção europeia só se fará se estas realidades forem tidas em conta.

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