Os sociais-democratas alemães (SPD) exigiram hoje ao Governo de Angela Merkel a implementação de um imposto sobre transacções financeiras e uma maior responsabilização dos bancos, para votarem a favor do Tratado Orçamental no parlamento.

As propostas do SPD foram apresentadas em conferência de imprensa, em
Berlim, pelos três potenciais candidatos do maior partido da oposição a chanceler federal nas legislativas de 2013, Peer Steinbrück, Sigmar Gabriel e Frank Walter Steinmeier.
Tal como o novo Presidente francês, François Hollande, o SPD recusa o Tratado Orçamental na sua versão atual, anunciaram os mesmos políticos.
Sigmar Gabriel advertiu, simultaneamente, para decisões que possam pôr em risco a manutenção da zona euro, no âmbito do combate à crise das dívidas soberanas.
"É melhor não irem por aí, porque as consequências políticas e financeiras da não continuidade da União Económica e Monetária e de uma via alemã seriam imprevisíveis", disse o presidente dos sociais-democratas.
Em alternativa, é necessário "corrigir passo a passo os erros de construção da zona euro, reanimando as economias menos desenvolvidas", o que será um longo processo", acrescentou o líder do SPD.
Sigmar Gabriel admitiu, simultaneamente, que não é possível fazer tais correções num curto espaço de tempo, e que será "uma tarefa para durar várias gerações, e não apenas alguns meses".
Para financiar os países em dificuldades, o SPD propõe que seja introduzido um imposto sobre transacções financeiras à escala europeia, em vez de se contraírem mais dívidas.
No que se refere à aprovação do Tratado Orçamental no parlamento alemão, o SPD exige, em troca de um voto favorável, adendas que contemplem estímulos ao crescimento económico, a par do "travão" á dívida que já faz parte do documento.
"O crescimento não pode ficar paralisado durante a crise, senão o Tratado Orçamental fracassará", advertiu o líder parlamentar do SPD, Frank-Walter Steinmeier.
Para aprovar o Tratado no parlamento germânico, é necessária uma maioria de dois terços, porque este inclui no seu clausulado uma renúncia parcial da Alemanha à sua soberania, em favor do
Tribunal Europeu de Justiça, que pode decretar sanções contra países incumpridores.
Para isso, no entanto, o Governo de centro-direita liderado por
Angela Merkel necessita do apoio da oposição social-democrata e ambientalista nas duas câmaras legislativas (Bundestag e Bundesrat).
As votações nas referidas câmaras já tinham sido agendadas para 25 e 26 de maio, mas foram entretanto adiadas.
Num manifesto de seis páginas, os sociais-democratas alemães exigem ainda uma maior responsabilização dos bancos por prejuízos causados por operações especulativas, a separação dos bancos comerciais dos bancos de investimentos e uma agência europeia de supervisão bancária.
Além disso, o SPD defende a criação de uma união social europeia, para equiparar gradualmente os salários e as condições de trabalho dos países membros.