Angola Sonangol nega discriminação de angolanos nas contratações

Sonangol nega discriminação de angolanos nas contratações

A contratação de quadros portugueses para a Sonangol está a gerar polémica em Angola. A petrolífera liderada por Isabel dos Santos diz que as acusações não fazem sentido, "que promove competências e não promove discriminação".
Sonangol nega discriminação de angolanos nas contratações
Celso Filipe 04 de outubro de 2017 às 13:40

A Sonangol reagiu às críticas de discriminação dos angolanos que subiram de tom com a contratação de dois gestores portugueses, Emídio Pinheiro e Susana Almeida Brandão para a administração da empresa liderada por Isabel dos Santos. Na sua edição online, a 30 de Setembro, o jornal Correio Angolense titulava mesmo: "A mais portuguesa de todas empresas públicas angolanas ficou ainda mais portuguesa".

A Sonangol respondeu oficialmente esta quarta-feira, 4 de Outubro, a essas acusações, considerando que as mesmas são "desprovidas de qualquer tipo de fundamento e racionalidade". "Estas opções não contêm nenhum tipo de discriminação de género, raça, ou de nacionalidade. A Sonangol promove competências, não promove descriminação", sublinha.


Emídio Pinheiro foi CEO do Banco Fomento Angola (BFA) do qual Isabel dos Santos é accionista e vai gerir a Sonangol Holdings e Indústria. Já Susana Brandão é uma advogada que tem vindo já nos últimos 17 meses a acompanhar directamente a área jurídica e a trabalhar em diversos dossiês jurídicos da Sonangol e à qual é atribuído um "mérito firmado no exigente domínio das negociações e contratos internacionais".

 

Ainda assim, em comunicado colocado no seu site, explica ser "necessário esclarecer a opinião pública sobre as mesmas". A Sonangol afirma ter em curso "um processo de transformação, cujos contornos são públicos e estão completamente adequados ao modelo definido pelo accionista Estado, sendo o objectivo principal deste processo devolver a Sonangol à sua condição de referência no mercado energético mundial, criando riqueza para o país e contribuindo assim, de forma decisiva, para o desenvolvimento sustentável dos cidadãos angolanos".

A petrolífera enumera também os passos dados pela administração de Isabel dos Santos, durante os últimos 17 meses, para aumentar as "capacidades e competências" dos seus funcionários. "Programas de identificação e promoção de jovens talentos angolanos; Programas com processos de formação dos futuros líderes, habilitando-os a exercerem as futuras funções de chefia de acordo com as melhores práticas de gestão; Promoção de dezenas de quadros internos nacionais para lugares de relevo nas diversas estruturas da empresa e recuperaram-se elementos de grande valia, que se encontravam inactivos, em regime de 'aguarda colocação’, e que hoje integram comissões executivas e direcções da Sonangol E.P e suas subsidiárias.

O Correio Angolense diz que a Sonangol já contratou 70 expatriados portugueses, oito dois quais directamente ligados a Isabel dos Santos.

A Sonangol evidencia outros números, lembrando que dos 11 elementos que integram o conselho de administração apenas três são expatriados. "Em análise, do conjunto dos 8129 colaboradores da Sonangol somente 20 são expatriados, o que representa 0,2% da força de trabalho. Desde que este conselho de administração assumiu funções, em Junho 2016, foram contratados 35 colaboradores, dos quais 26 são nacionais, e nove são expatriados, primando assim sempre pela contratação de novos talentos angolanos sempre que disponíveis no mercado".

 

 A petrolífera, no referido comunicado, lembra que actualmente há "vários exemplos em que empresas estratégicas de um determinado pais são dirigidas, ao mais alto nível, por profissionais estrangeiros" e que a "competência e a idoneidade são características que não têm fronteiras". Neste contexto, conclui, "a Sonangol não poderá estar fora deste entendimento de que o mundo é cada vez mais global".




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