Angola Sonangol recupera campos de petróleo que estavam nas mãos do Estado Islâmico

Sonangol recupera campos de petróleo que estavam nas mãos do Estado Islâmico

A petrolífera angolana Sonangol anunciou que reassumiu a posse de dois campos de produção em Mossul, no Iraque, após um longo período sob controlo do grupo Estado Islâmico.
Sonangol recupera campos de petróleo que estavam nas mãos do Estado Islâmico
Simon Dawson/Bloomberg
Lusa 01 de fevereiro de 2018 às 21:52

Segundo informação enviada esta quinta-feira à agência Lusa, em Luanda, pela estatal Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol), a petrolífera "reassumiu" os campos localizados em Najmah e Qayarah, sul de Mossul, que entretanto já estavam em posse da concessionária nacional iraquiana North Oil Company (NOC), após "esforços que levou a cabo nos últimos dois meses" para "relançar" a actividade naquele país.

 

Em causa estão concessões petrolíferas para aqueles campos obtidas pela Sonangol em 2010, através da sua subsidiária, Sonangol Pesquisa e Produção, que detém uma participação de 75% dos interesses participativos e que representam reservas de mil milhões de barris de petróleo.

 

"Contudo, a petrolífera angolana foi forçada a suspender, de facto, as operações naquele país, em 2012, devido à deterioração das condições de segurança", recorda a Sonangol.

 

A petrolífera, que desde Novembro é liderada por Carlos Saturnino, após a exoneração de Isabel dos Santos daquelas funções, refere que, "com a posse efectiva dos campos", retoma a sua actividade operacional nas duas áreas, "tendo sido, hoje, realizada a cerimónia de transferência das operações pelas autoridades iraquianas à Sonangol e parceiros".

 

"O reassumir das suas concessões, naquele país do Médio Oriente, pela petrolífera angolana, a par do recente acordo com a Cobalt, em que por 500 milhões de dólares dirimiu um litígio de mais de 2.000 milhões de dólares, representa um dos maiores êxitos do actual conselho de administração, se tivermos em conta o potencial comercial dos referidos campos e a incerteza a que os mesmos estavam votados", lê-se no comunicado.

 

A agência Lusa noticiou a 18 de Julho último que a administração da Sonangol, então liderada por Isabel dos Santos, admitia que a estabilização da situação no Iraque, cujas forças de segurança estavam na altura a recuperar território antes sob controlo do grupo Estado Islâmico, permitirá recuperar o investimento realizado em campos petrolíferos naquele país.

 

Em causa estão os campos Qayyarah e Najmah, num investimento de quase 300 milhões de euros, que voltaram ao controlo das autoridades iraquianas em finais de 2016, mas que permaneceram várias semanas em chamas, por acção daquele grupo 'jihadista'.

 

"A administração da Sonangol considera que os atuais esforços para retomar a operação nesses campos e a viabilidade financeira projectada sobre esta operação, permitirão assegurar a recuperabilidade dos investimentos efectuados nestes activos mineiros", refere a petrolífera no seu relatório e contas de 2016, fechado naquele mês.

 

A 10 de Janeiro de 2017, o ministro do Petróleo iraquiano, Jabbar al-Luaibi, pediu à petrolífera Sonangol para retomar a operação naqueles campos petrolíferos.

 

Na ocasião, durante uma reunião com o administrador-executivo da Sonangol Edson dos Santos, o ministro Jabbar al-Luaibi pediu à petrolífera estatal angolana para "retomar o desenvolvimento" nos campos de Qayyarah e Najmah.

 

Em 2015 foi noticiado que o Estado angolano, através da Sonangol, podia estar em risco de perder o investimento na actividade da petrolífera no Iraque, conforme autoria independente às contas daquela empresa estatal.

 

Segundo o relatório da Ernest & Young às contas da Sonangol de 2014, o grupo estatal angolano do sector petrolífero tem actividade naquele país do Médio Oriente, mas face ao "contexto de insegurança existente nos referidos campos", as operações foram suspensas e a administração decidiu desinvestir na operação.

 

De acordo com o auditor independente, no documento a que a Lusa teve acesso, em causa está um investimento global de quase 38 mil milhões de kwanzas (293 milhões de euros, à taxa de câmbio de 2015), "relativos a gastos com bónus de assinatura, prémios de adjudicação e custos de exploração e avaliação" em campos detidos no Iraque.




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