Política Sondagem: PS cai e direita sobe após reprimenda de Marcelo ao Governo

Sondagem: PS cai e direita sobe após reprimenda de Marcelo ao Governo

É cada vez menor a vantagem do PS para o PSD nas intenções de voto medidas pelo barómetro da Aximage. Depois dos incêndios de Outubro e das críticas feitas pelo Presidente da República à actuação do Executivo socialista, o PS recua quase três pontos percentuais enquanto o PSD sobe 1,7 pontos. À direita, o CDS também sobe e à esquerda só a CDU ganha terreno.
Sondagem: PS cai e direita sobe após reprimenda de Marcelo ao Governo
Miguel Baltazar/Negócios
David Santiago 10 de novembro de 2017 às 21:00

O estado de graça do PS nas intenções de voto, a reboque dos indicadores económicos favoráveis e dos resultados positivos em matéria orçamental, parece ter acabado, ou pelo menos diminuído, na sequência dos incêndios que, entre Junho e Outubro, vitimaram mais de 100 portugueses e da reprimenda do Presidente da República ao Governo.

 

A sondagem da Aximage para o Negócios e o Correio da Manhã coloca o PS com 39,1% das intenções de voto, uma quebra de 2,8 pontos percentuais face ao barómetro de Outubro, e mostra o PSD a recuperar terreno para os socialistas, com os social-democratas a crescerem 1,7 pontos para 25,5%.

A diferença entre os dois maiores partidos nacionais fixa-se agora em 13,6 pontos percentuais, a menor distância desde que em Dezembro do ano passado PS e PSD surgiam separados por menos de 13 pontos.

 

O Bloco de Esquerda também recua, embora ligeiramente, para 8,7% das intenções de voto, enquanto a CDU (PCP e Verdes) sobe praticamente 1 ponto para 8,7%. A subida da coligação entre comunistas e ecologistas acontece num momento de distanciamento da CDU face à chamada geringonça, perceptível quando após as autárquicas o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, pôs de parte qualquer hipótese de constituição de uma geringonça na autarquia lisboeta. No debate da moção de censura apresentada pelo CDS, o primeiro-ministro António Costa lamentou o facto de "os votos do PS e do BE ainda não formarem uma maioria neste Parlamento". 

À direita, tal como o PSD também o CDS cresceu para 6,7%, isto depois de no final de Outubro ter sido debatida e chumbada a moção de censura dos centristas contra o Governo.

O barómetro da Aximage de Outubro media apenas parcialmente o impacto dos incêndios no centro do país que, nesse mês, provocaram perto de meia centena de mortos. Mas esta é a primeira sondagem que permite aferir o impacto dos fogos e do discurso crítico de Marcelo Rebelo de Sousa relativamente à actuação do Executivo chefiado por António Costa, que culminou, no dia seguinte, com a demissão da até então ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa.  

 

No discurso feito em Oliveira do Hospital, um dos concelhos mais afectados pelos fogos de 15 de Outubro, Marcelo falou na abertura de um "novo ciclo" político pós-incêndios. Para já, as sondagens indiciam que este é um ciclo menos favorável ao PS.

 

Além da descida dos socialistas, o estudo da Aximage mostra uma redução das expectativas em relação ao Governo, que passam de uma nota positiva de 61 em Outubro para 54 neste mês. Questionados sobre a actuação da equipa liderada por António Costa, 45,5% dos inquiridos consideram que está a ser "igual ao que esperavam".

Para 41,8% dos entrevistados, a acção governativa está a ser "melhor do que esperavam" e para 11,3% está a ser "pior do que esperavam". 

Em alta continua a popularidade do Presidente, embora Marcelo veja a avaliação feita pelos inquiridos pela Aximage recuar ligeiramente face ao mês anterior. Contudo, permanece esmagadora a maioria (84,1%) que vê como "boa" a actuação do Presidente da República. Apenas 8,1% dos entrevistados avalia como "má" a actuação de Marcelo, enquanto 7% considera ser "assim-assim".





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